Política

Com receio de racha em convenção, Temer apela por consenso no PMDB

A fim de evitar se indispor, o vice-presidente pretende não colocar diretamente suas digitais no processo – foto: : José Cruz/ABr

A fim de evitar se indispor, o vice-presidente pretende não colocar diretamente suas digitais no processo – foto: : José Cruz/ABr

Com a proximidade da convenção nacional do PMDB, que poderá alterar em março o comando do partido, o vice-presidente Michel Temer -atual presidente da sigla- fez um apelo nesta quarta-feira (6) a deputados federais da sigla para que eles não agravem a divisão interna na legenda.

O receio do peemedebista é de que um racha no processo de escolha do novo líder da sigla na Câmara, marcado para fevereiro, possa gerar novo conflito entre as bancadas do partido de Minas e do Rio, fortalecendo movimentos que articulam a saída do vice-presidente do comando peemedebista.

Em encontro com parlamentares do partido, na manhã desta quarta-feira (6), Temer pediu um esforço pela unidade da sigla e defendeu que ela chegue a um consenso sobre a escolha do novo líder para evitar que a bancada peemedebista saia do processo ainda mais fragilizada.

A fim de evitar se indispor tanto com a ala carioca como com a mineira, as duas com maior peso na convenção nacional da sigla, o vice-presidente pretende não colocar diretamente suas digitais no processo, o que deve ficar a cargo, caso seja necessário uma intervenção, a aliados como os ex-ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco.

A definição das regras para a eleição do novo líder do PMDB na Câmara, em fevereiro, criou uma crise na bancada do partido, rachada entre defensores e opositores do governo da presidente Dilma Rousseff.

Na tentativa de impedir a reeleição de Leonardo Picciani (PMDB-RJ), considerado aliado do Palácio do Planalto, parlamentares favoráveis ao impeachment tem buscado o apoio de Temer para que seja cumprido acordo que foi estabelecido no início do ano passado, quando o peemedebista carioca foi eleito.

Por essa nova regra, o atual líder só poderá ser reencaminhado ao cargo caso obtenha o apoio de dois terços da bancada do partido, ou seja, de 46 dos 69 deputados federais.

O acordo, contudo, é questionado por Picciani. Ele defende que seja mantido critério utilizado no início do ano passado, segundo o qual a eleição de um líder pelo apoio da maioria, o que exigiria menos votos para sua reeleição.

Em dezembro, o vice-presidente atuou para evitar o retorno de Picciani à liderança da bancada do partido depois dele ter sido retirado por uma lista assinada por mais da metade dos deputados federais da legenda.

Na época, a Executiva Nacional do PMDB, presidida por Temer, publicou resolução para evitar a filiação de parlamentares favoráveis ao peemedebista carioca.

Em retaliação ao vice-presidente, o Palácio do Planalto e o PMDB no Senado conseguiram reverter a decisão e reconduziram Picciani ao posto oito dias depois dele ter sido substituído por Leonardo Quintão (PMDB-MG).

Com o feriado do Carnaval, a eleição do novo líder deve ser realizada na segunda ou na terceira semana de fevereiro. Na tentativa de se chegar a um consenso, a bancada da sigla se reunirá na próxima terça-feira (12) para discutir os critérios de escolha.

Por Folhapress

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