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Com menos filiações, PT encolhe no Amazonas desde 2013

 

Justiça Eleitoral do Amazonas informa que o PT já perdeu mais de 2 mil filiados – foto: Alberto César Araújo

Justiça Eleitoral do Amazonas informa que o PT já perdeu mais de 2 mil filiados – foto: Alberto César Araújo

O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) registrou saldo negativo na relação entre os números de pedidos de filiação e de desfiliação, desde o ano de 2013. A informação contrasta com os números de anos anteriores, como 2012, 2011 e 2010. Os dados são do portal da transparência do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM).

Procurados pelo EM TEMPO, parlamentares petistas locais informam que não percebem a redução no número de militantes da sigla no Estado, apesar de o site da Justiça Eleitoral do Amazonas informar em seus registros que enquanto o partido já chegou a ter em suas fileiras uma quantidade superior a 20 mil pessoas filiadas, hoje conta com pouco mais de 18 mil, após ter uma perda de mais de 2 mil filiados.

Os dados que estão disponíveis no portal do TRE apontam que, enquanto que no ano de 2010 a sigla da presidente Dilma Rousseff teve 298 filiações e 238 desfiliações, e no ano de 2012 contou 440 filiações e 52 desfiliações no Amazonas, os números alcançados nos anos seguintes mostraram outra realidade. Contabilizando em 2013 um total de 14 filiações contra 80 desfiliações e em 2014, apenas 3 filiações em contraste a 19 desfiliações.

O presidente da executiva estadual, Valdemir Santana, afirmou que no Brasil inteiro as pessoas estão constantemente saindo e entrando nos partidos e que em 2014, o PT figurou como a sigla que mais recebeu pedidos de filiação.

“Recebemos muitos pedidos para se filiarem ao partido. Existem pessoas saindo, mas aqui também estão se filiando muitas pessoas, só aqui no Amazonas, por exemplo, temos quase três mil pessoas no processo de filiação. A desfiliação é normal, tem gente que sai, mas também tem gente que entra”, argumento o presidente.

Para o líder da sigla na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), deputado Sinésio Campos, os números não refletem a realidade encontrada dentro dos diretórios petistas. Ele informou que, apesar de no site do TRE constar um total de 18.209 filiados atualmente, os números da sigla apontam um número que supera 28 mil pessoas.

Sinésio justificou a diferença, afirmando que os dados da Justiça Eleitoral são atualizados apenas duas vezes por ano e que existem muitos processos de filiação aguardando a homologação por parte do partido.

Tempo de reavaliação

Para o vereador Professor Bibiano, todas as crises, quando surgem, seja qual for o segmento, são oportunidades que tornam possível a reavaliação da conduta que está sendo adotada, as diretrizes e os objetivos para que possam, a partir daí, saber no que é preciso evoluir ou melhorar e em que é preciso mudar efetivamente.

“É isso que está acontecendo com o PT, não poderia ser diferente, um partido que consegue pela quarta vez consecutiva a cadeira do maior poder do país, que é o governo federal do poder Executivo, incomoda muita gente, é claro”, ironizou o vereador.

Bibiano considera o atual momento do PT e a crise existente no governo, fatos muito importantes, pois, segundo ele, devem servir para mostrar a todos que as coisas não podiam continuar como eram antes, onde os escândalos e as corrupções eram todos escondidos embaixo do tapete.

“É por meio do governo do PT que tudo está vindo à tona e está sendo explorado, infelizmente tudo isso tem sido manipulado por um determinado grupo, porém percebemos que aqueles que permanecem no partido continuam porque estão presos a ideologia do PT, é o que eu entendo que deve ser feito, o correto seria voltar as raízes, retornar as origens”, enfatizou o vereador da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Partido engolido

O ex-secretário municipal do Trabalho e Desenvolvimento Social e ex-presidente estadual do PT, Vital Melo, afirmou que foi banido da sigla porque o PMDB está estabelecendo uma hegemonia dentro do partido.

Segundo ele, os peemedebistas estão suplantando as verdadeiras lideranças que trabalharam duro na construção da história e dos ideais do partido dos trabalhadores, como a mudança social e o verdadeiro socialismo.

“Na caminhada em direção à governabilidade, o partido acabou trilhando outros caminhos que não estão mais condizentes com as lideranças e com a militância. Muitos se filiaram ao partido por acreditarem que podiam fazer diferente, mas hoje em dia o PT não propõe nada de novo, quando dizem que o PT está fazendo corrupção, ele diz que o PSDB também faz, e não aponta a saída, isso acaba causando toda a descrença e falta de sonhos das pessoas que já sonharam com o projeto petista, esses devem ser alguns dos fatores que podem estar desmotivando filiados a permanecerem na sigla”, explicou o ex-petista.

Deputado José Ricardo se diz entristecido com erros da sigla e pede punição para corruptos – foto: divulgação

Deputado José Ricardo se diz entristecido com erros da sigla e pede punição para corruptos – foto: divulgação

Vital considera que o caminho que está sendo trilhado está ajudando na construção da hegemonia do PMDB dentro do congresso nacional, dos estados e do governo federal, além de estar conduzindo o partido rumo a um grande desastre ideológico que pode ser destrutivo para a sigla.

“O partido se desvirtuou do projeto original e acabou se envolvendo em muitos escândalos, se esquecendo das nossas verdadeiras bandeiras de luta, que são: realmente integrar os movimentos sociais e integrar a sociedade em um debate político para a construção de um país mais justo”, disse.

Para ele, um dos principais motivos para as pessoas estarem se apartando da sigla da Presidência está no fato de o PT ter enveredado por um caminho da sustentação política da mesma elite que sempre esteve no poder, mantendo os mesmos lá em cima e servindo apenas de ‘office boy’.

Nomes de impacto

Para o deputado José Ricardo Wendling, o número de desfiliações que consta nos registros da Justiça Eleitoral não tem sido percebido dentro do partido, mas alguns nomes que têm bastante peso acabam causando mais impacto, porém é uma desfiliação normal.

“Eu percebo que alguns nomes repercutem bastante a nível nacional, como, por exemplo, a saída da senadora Marta Suplicy, uma pessoa de muitos anos de história no partido. Eu estive no congresso da sigla em Salvador, semana passada, e tem pessoas reclamando, existem muitas insatisfações internas, mas também surgiram muitas propostas de mudanças no PT, com mais transparência nas decisões nacionais e na questão das finanças, que precisam ser bem equacionadas”, pontuou o parlamentar.

José Ricardo expressou sentimento de tristeza por diversos fatos ocorridos na sigla. Segundo ele os erros do partido são coisas que não podem ser enfeitados e o desejo é que aqueles que cometem os erros sejam efetivamente punidos, porém os maiores ataques ao PT são motivados pelo fato de estarem no poder do governo federal há algum tempo.

“Existe um trabalho muito forte daqueles que são oposição, afinal esse é o processo democrático, quando éramos oposição, ficávamos batendo no governo, cobrando políticas e questionando, pois é exatamente isso que se faz”, encerrou.

Por Helton de Lima (Jornal EM TEMPO)

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