Economia

Com desemprego em alta, trabalhadores urbanos acham saída no campo

 

Os trabalhadores que migraram para a zona rural encontraram na agricultura a renda que precisavam – Divulgação/Sepror

Com o desemprego em alta, trabalhadores do meio urbano no Amazonas, principalmente da capital, estão migrando para o primeiro setor. Dados da Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) mostram que de janeiro a maio deste anos mais de 13 mil famílias passaram a atuar no setor rural.

Especialistas acreditam que a maior parte desse público é de pessoas que perderam seus empregos fixos, principalmente da indústria, mas que já tinham terras e aproveitaram para se capacitar e ter uma nova fonte de renda.

A história da produtora Francisca Morais da Silva, 69, é um dos exemplos de sucesso no agronegócio. Ela saiu do último emprego formal ainda em 1984, e não trabalhou mais de carteira assinada. Passou a trabalhar por conta própria. Há 10 anos morando em um sítio, no ramal 8 do Brasileirinho, Zona Leste de Manaus, ela produz cheiro-verde, chicória, alfavaca e ariá. Ela ainda cria galinha e pato e tem plantação de jaca e cupuaçu.

Francisca começou a vender na antiga feira do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), e depois passou para as feiras da Associação dos Sargentos do Amazonas (ASA), na estrada da Ponta Negra e na popular feira do Cassam. Nesse período, ela chegava a faturar entre R$ 400 e R$ 500 por semana.

Atualmente, Francisca vende toda sua produção na feira do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) e no ASA. Na atual conjuntura econômica, a produtora revela que os rendimentos por cada feira giram em torno de R$ 200 ou R$ 300. A feira do ASA acontece apenas aos sábados e no Ifam é apenas no primeiro fim de semana de cada mês. “Fazendo um cálculo raso, dá para lucrar um total de R$ 1 mil na feira do ASA e na feira do Ifam se pode render até R$ 500 por mês”, revelou.

Complemento

O presidente da ADS, Lissandro Breval, informou que elas tinham emprego e a atividade agrícola como complementação da renda. Ao perder o emprego, migraram para a produção agrícola e a vender nas feiras e no Balcão de Agronegócio.

As produções variam no segmento hortifrutigranjeiro. “Grande parcela agora dos produtores que compõem nossas feiras tem esse perfil. O agronegócio passou de complemento para renda principal da casa”, afirma.

Breval explica que o Amazonas tem potencial para produzir, mas vive um desânimo por parte dos agricultores que produziam, mas na hora de comercializar não tinham mecanismo. Segundo ele, a saída foi a venda de produtos regionais, sem a figura do atravessador.

Outra estratégia da ADS foi a criação do Balcão de Agronegócio, onde se cria uma bolsa de comercialização da agricultura familiar para o pequeno e microempresário da agricultura, e se dá a eles condições de comercializar a sua produção com grandes empresas locais. Entre os parceiros, estão: DB, Nova Era, Baratão da Carne e até a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Amazonas (Abrasel-AM).

“Temos de um lado a iniciativa privada, que está comprando a ideia de ter produtos mais frescos. Antes, o Estado não conseguia fazer esse intermédio. Estamos rompendo essas barreiras, que vemos hoje como um estímulo. Pessoas que produziam e vendiam pouco agora produzem e vendem muito. Queremos maximizar o lucro do produtor em grande parte da agricultura familiar”, finaliza Breval.

Joandres Xavier
EM TEMPO

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