Economia

Com crise estagnada, indústria do Amazonas para de cair, o que pode ser um sinal de reação

Após um ano registrando queda de investimento e contratação de novos profissionais, o Polo Industrial de Manaus (PIM) começa a dar sinais de recuperação. Pelo menos é o que indicam os dados divulgados pela Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), nesta quinta-feira (22). Apesar do Indicador de Desempenho apontar um tímido crescimento, representantes da indústria local afirmam que, na verdade, há uma estagnação do setor.

De acordo com a Suframa, oito segmentos do PIM contabilizaram média de investimentos, neste ano, superior à de 2015. Polo químico, bebidas, duas rodas e outros cinco apresentaram um saldo positivo na média mensal de investimentos em 2016. Foram 800 milhões de dólares a mais do que foi investido no exercício passado.  A informação é da dirigente da Suframa, Rebecca Garcia.

“Investimento é um dos indicadores do que pode vir a ser o início da retomada da atividade nas indústrias incentivadas”, avalia.

O vice-presidente da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, afirma que ainda não teve acesso aos dados da Suframa, mas que as empresas ainda não sentiram essa melhoria nos investimentos.

“Eu não vou questionar os dados, mas de janeiro a julho, conforme os dados que temos, o faturamento da indústria caiu 8,4%, se comparado ao mesmo período de 2015. Empregos e as exportações também tiverem indicadores decrescentes nesses sete meses. O PIM faturou R$ 40,4 bilhões contra R$ 44,1 bilhões do ano passado”, ressaltou.

Azevedo fez ainda uma comparação do faturamento da Zona Franca de Manaus, se convergido para o dólar. Segundo ele, foram apenas U$ 11,4 bilhões contra U$ 14,7 bilhões no mesmo intervalo.

“Entre os segmentos que sentimos alguma melhoria foram os de eletroeletrônico e o polo químico. Para mim, não foi um crescimento, mas na verdade uma estagnação da crise. Os setores deixaram de cair. Estamos experimentando uma certa estabilidade, porém, ainda não melhoramos no emprego e no investimento”, enfatizou o vice-presidente da Fieam.

A superintendente da Suframa reconheceu que, no geral, as aplicações no setor produtivo estão -0,21% abaixo do montante aplicado em 2015. Segundo ela, em média, 8,05 bilhões de dólares, enquanto, neste ano, chegou a 8,03 bilhões de dólares, de acordo com números do Indicador de Desempenho do PIM.

Menos confiante, Nelson Azevedo comentou que, nesse ano, a indústria no Amazonas não vai apresentar melhorias notáveis. Mas, os resultados positivos devem aparecer em 2017.

“Houve um pouco de aumento na confiança. Temos certeza que com a entrada de investimentos, as empresas começarão a investir cada vez mais. Nesse ano não vamos sentir uma grande melhora, mas estamos esperançosos com uma resposta melhor no ano que vem. A nossa situação é muito grave. É muito difícil de termos uma resposta imediata, como aponta a Suframa. Entretanto, continuamos confiantes”, disse ele após relatar que a mudança do cenário político nacional trouxe uma nova visão para a economia brasileira

Setor de duas rodas

A produção do polo de duas rodas no Estado vem sofrendo quedas consecutivas. Segundo Azevedo, a produção nesse setor não cresceu e nem está perto do nível desejado.

“As empresas estrangeiras confiam no potencial da economia brasileira. Elas estão aproveitando para investir, mas ainda não obtivemos resultados imediatos. E começam a investir na esperança da economia melhorar e ficarem na frente”, ponderou.

Questionado sobre o aumento no volume de contratação, o vice-presidente disse que não há previsão de abertura de novos postos de trabalho. Em 2015, o Distrito Industrial empregava 102.578 trabalhadores. Já neste ano, até julho, são 82.981 pessoas empregadas. Sendo 77.540 efetivos, 1.783 temporários e 3.658 terceirizados. Uma queda de aproximadamente 19%.

Por Bruna Souza

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