Dia a dia

Com a chegada do verão amazônico, Fuam alerta sobre o risco do câncer de pele

Observar manchas ou pintas na pele pode levar a um diagnóstico rápido da doença e, por extensão, à cura – foto: Marcio Melo

Observar manchas ou pintas na pele pode levar a um diagnóstico rápido da doença e, por extensão, à cura – foto: Marcio Melo

Mesmo sendo essencial à vida, pois proporciona sensação de bem-estar, o sol também pode causar danos à pele, devido aos raios UVA, UVB, IV (infravermelho), originando doenças como câncer, envelhecimento precoce, irritações, inflamações, lesões, queimaduras e feridas. Com a chegada do verão amazônico, os riscos de contrair a doença, para quem trabalha exposto diretamente ao sol aumentam.

Dados da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), localizada no bairro Cachoeirinha, Zona Sul, apontam que somente no ano de 2015 foram realizadas 17 mil cirurgias de diversos tipos de doenças de pele, sendo que desse total 430 foram de câncer de pele. Ao longo dos últimos 16 anos, a Fuam registrou 5.058 casos de câncer de pele, o que representou 4% do total de dermatose prioritárias atendidas. Desse total, 178 foram diagnosticados como melanoma, sendo 95 homens e 83 mulheres.

Conforme o diretor presidente da Fuam, Helder Cavalcante, até o fim do mês de julho foi notificado 204 cânceres de pele, sendo 108 em mulheres e 96 em homens. Segundo ele, as lesões na pele têm como fator predisponente a exposição à luz ultravioleta A e B, em especial em pessoas muito claras que se queimam e nunca se bronzeiam. No verão, essa concentração de luz tende a aumentar bastante, principalmente em cidades com maior altitude, que têm ar mais rarefeito e menos proteção atmosférica.

“As pessoas precisam aprender que devem evitar o sol desnecessário. Quando a exposição ao sol é obrigatória, é preciso se proteger, usando filtro solar, chapéu, óculos de proteção contra radiação ultravioleta, entre outros. O horário em que a radiação está mais intensa é das 12h às 13h30, mas sabemos que desde 8h até 16h chega uma quantidade de radiação solar muito grande. Nesse horário a pessoa deve evitar se expor ao sol sem proteção. Não estou dizendo que a pessoa não pode ir para o rio, para a piscina, praticar esporte ou trabalhar no sol, tudo é possível, mas é necessário lembrar que precisa tomar precauções para o sol não bater diretamente na pele. Quanto mais sol a pessoa pega, mais aumentam as chances de envelhecer a pele, manchar a pele e, como consequência final, estimula o aparecimento de câncer de pele”, explica.

O médico esclarece que é importante as pessoas ficarem atentas aos sinais de manchas na pele, pois pode significar algo mais sério. Ele ressalta que é importante acompanhar a evolução se o sinal está crescendo, se mudou de cor, se possui casquinha, feridas que não cicatrizam e lesões que sangram espontaneamente. Mas vale lembrar que nem toda pinta é câncer, segundo Cavalcante, mas é preciso observar.

“Na pele você vai perceber um sinal que estava ali há algum tempo ou que apareceu recentemente, que começa a aumentar de tamanho, começa a ferir, começa a sangrar, esses sinais são indicações de que alguma coisa errada está acontecendo. Se você tem 30 anos ou 50 anos e tem um sinal desde pequeno que se mantém tal como era antes, provavelmente é apenas um sinal, uma lesão benigna. Mas se você tem um sinal desde criança e você nota que ele está crescendo, está mudando de cor, sangrando com facilidade, é uma indicação muito forte que ele está se transformando em um tumor maligno”, salienta.

Melanoma
Segundo Cavalcante, o melanoma é a forma mais fatal de câncer de pele, porque tende a se disseminar e atingir outros órgãos. Outros tipos de câncer de pele raramente se espalham para outras áreas que não a superfície da pele. Mas o melanoma, por ter essa capacidade de entrar em metástase, é o mais letal. Mas assim como os demais tipos de câncer, se diagnosticado precocemente, tem chances de cura.

“Infelizmente, temos casos de óbito por câncer de pele. Nos últimos 15 anos, diagnosticamos aqui na fundação 178 casos de melanoma, que é um dos piores tumores que a pessoa pode contrair, mesmo sendo de pele”, comenta.

Cavalcante destaca que a cada cem casos diagnosticados de câncer de pele, quatro são de melanoma. Mesmo sendo uma doença curável, o melanoma pode deixar cicatrizes irreparáveis na pele do paciente.

Por Michelle Freitas

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