Eleições 2016

Com 22 anos, Taly Figueira é a candidata à vice mais nova entre os 9 que disputam o cargo em Manaus

Taly é comunista convicta e para ela a mudança só vai acontecer quando o capitalismo for derrubado pelo socialismo – foto: Diego Janatã

Taly é comunista convicta e para ela a mudança só vai acontecer quando o capitalismo for derrubado pelo socialismo – foto: Diego Janatã

Aos 22 anos, a universitária do curso de biologia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Taly Nayandra Figueira, é a candidata à vice-prefeita mais nova entre os nove que disputam o cargo majoritário nestas eleições em Manaus.  Vice na chapa do candidato Professor Marcos Queiroz (Psol), Taly afirma que é comunista convicta e que a mudança completa somente vai acontecer no sistema quando o capitalismo for derrubado pelo socialismo, o que irá possibilitar o avanço do comunismo.

Com trajetória política iniciada no movimento estudantil, Taly Nayandra conta com orgulho que recebeu uma missão de seu partido, quando foi escolhida internamente para compor a chapa majoritária no cargo de vice, e afirma que vai cumprir a missão com obediência.

EM TEMPO – Em que momento a pessoa da Taly Nayandra pensou em se candidatar a um cargo político?
Taly Nayandra – Ao me indignar com esses problemas da sociedade e não podendo resolvê-los eu esperava por alguém que pudesse solucioná-los. Eu comecei a pensar de que forma eu resolveria e, seria apenas com um coletivo, com uma organização coletiva, em que a gente pudesse se organizar. A partir daí eu conheci jovens que estavam reativando o coletivo aqui em Manaus e, desde 2013, a juventude tem crescido. Quando entrei para o movimento estudantil do PCB (Partido Comunista do Brasil) sabia que não era um partido eleitoreiro e carreirista. Eu já sabia da prática política do PCB e acredito que apenas uma revolução socialista pode realizar uma ruptura do sistema com o que está errado. Eu acho que o PCB me proporcionou ficar confortável. O fato de conversarmos e dialogarmos foi o que mais me agradou no partido.

EM TEMPO – E porque, tão nova em idade, optou por uma candidatura majoritária e não por uma disputa a uma das vagas na Câmara de Vereadores?
TN – Como comunista, a gente vê como uma tarefa do partido uma atividade partidária. Como o partido decidiu pelo meu nome nas reuniões fiquei meio assustada, mas conversei bastante com os filiados do PCB e encarei como uma atividade partidária e, tenho que cumpri-la da melhor forma possível. A gente não utiliza as eleições do PCB como uma maneira de ganhar. A gente utiliza a eleição como uma maneira de fazer a nossa propaganda revolucionária e essa publicidade pode ser de vários aspectos, por meio das eleições, da apresentação de informações e na realização de denúncias. Às vezes, os partidos se unem não por uma questão ideológica, mas por uma questão de tempo de televisão, porque tem mais alianças.

EM TEMPO – Por conta de regras previstas na Legislação Eleitoral, a coligação Psol-PCB não irá participar dos próximos debates. Como a chapa trabalha para reverter esse “prejuízo”?
TN – Já prevíamos que isso ia acontecer porque a gente sabe que grande parte da mídia não dá esse espaço. Essa barreira de não participarmos do debate foi ideia, inclusive, dos partidos políticos maiores. Tudo isso foi criado para que nós, partidos pequenos, de esquerda, nos calássemos de vez. A gente vê tudo isso como um golpe parlamentar e não como um golpe contra a democracia, porque nós não acreditamos que é somente a via parlamentar que vai modificar a sociedade. A gente vê que só vai mudar quando houver uma total ruptura com o sistema. Acreditamos que só o povo pode assumir, só a classe trabalhadora, as mulheres podem assumir esse papel de mudança. Sabíamos que íamos ser excluídos desse espaço. Estamos suprindo esta ausência conversando com as pessoas. A nossa campanha é olho no olho. A gente para, conversa e ouve. Observamos que as pessoas estão cansadas e indignadas com esses políticos, destes velhos partidos representantes da ordem.

EM TEMPO – E qual foi o critério dentro de seu partido e do Psol na escolha de seu nome para compor essa aliança partidária?
TN – Foi uma decisão em uma conferência realizada no ano passado com o PCB. Nós decidimos que o partido Psol, ainda com uma ideia socialista, era um dos partidos com uma linha política mais próxima da nossa. Então, decidimos, nessa conferência, fazer essa coligação com o Psol, neste ano, próximo das convenções. Após algumas reuniões, foi decidido que colocariam o meu nome e eu aceitei. Mas eu já conheço o Professor Queiroz antes desta aliança. Eu o conheci nos movimentos, porque é partido que sempre está na rua, assim como o PCB. Foi assim que a gente se conheceu na união da Juventude Comunista. Nós temos uma relação boa, temos conversado bastante, principalmente depois do que aconteceu (mudança de vice por uma semana), a gente se aproximou mais.

EM TEMPO – E por falar nesse indeferimento de sua candidatura a vice, o que aconteceu de fato? O Psol chegou até a anunciar outro vice. Chegaste a pensar em desistir da candidatura?
TN – Antigamente, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) não pedia ata. Como mudou, não tivemos acesso a isso. Então, combinamos com o Psol deles resolverem estas questões jurídicas e nós resolvermos outras questões. Aí, naquela correria não fizemos a lista com nomes e todas as assinaturas de candidatos a vereador, vice e prefeito que o TRE pede. Nós, somente fizemos a lista com os nomes, mas entregamos sem as assinaturas. Isso ocasionou o indeferimento do PCB em Manaus, já o Psol tinha entregue tudo direitinho. Quando isso aconteceu foi realizada uma reunião para analisar o que ia ser feito. Daí, entramos com o processo para continuarmos com a candidatura, porque não era nossa intenção prejudicar o Psol, que já tinha afirmado que ia manter os proporcionais e substituir o candidato a vice-prefeito para não causar uma mudança maior. Entramos com recurso, que foi aceito e em menos de uma semana retornei ao cargo de candidata à vice. Neste intervalo, entre indeferimento e deferimento, em menos de uma semana fui substituída pelo candidato Adilson Maia (Psol).

EM TEMPO – Quais propostas do PCB foram incluídas no plano de governo do Psol?
TN – Temos a proposta do transporte fluvial e a usina de compostagem de lixo, que permitirá o uso de resíduos orgânicos para a produção de adubo e conselhos populares distritais e comunitários. No nosso plano de governo também estão inclusas as creches, mas não de forma integral como era inicialmente, funcionado 24 horas. Vamos tentar ouvir a população. Vamos construir o poder popular. Vamos possibilitar que a prefeitura e as comunidades se organizem, para trazer as demandas para mim e para o prefeito, para transformar a cidade.

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