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Coletes são dispensados pela maioria dos viajantes na travessia do rio Negro, no porto da Ceasa

A Marinha fiscaliza com frequência a travessia na Ceasa e, mesmo assim, a maioria dos passageiros não utiliza o equipamento de segurança – foto: Márcio Melo

A Marinha fiscaliza com frequência a travessia na Ceasa e, mesmo assim, a maioria dos passageiros não utiliza o equipamento de segurança – foto: Márcio Melo

Mesmo com a fiscalização da Marinha, é comum flagrar passageiros sem o uso de equipamentos de segurança nas embarcações, em Manaus. A situação é mais crítica entre passageiros de lanchas que fazem a travessia para o município do Careiro da Várzea – a 25 quilômetros da capital – saindo do porto da Ceasa, na Zona Leste.

Eles, raramente, usam o colete salva-vidas. Conforme a Marinha, a fiscalização é realizada nos dias úteis, fins de semana e feriados por uma equipe de inspetores navais da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC).

De acordo com Márcia Pereira, 32, mesmo o uso sendo fundamental, ela considera que nem sempre o equipamento é necessário. “Eu uso às vezes, somente quando os pilotos solicitam. As embarcações são seguras, não tem por que eu usar”, justifica.

Conforme os relatos da dona de casa Maria do Rosário Oliveira, 47, que desembarca no porto com frequência, muitos viajantes descumprem o pedido dos pilotos. “Para falar a verdade, eu não uso colete. Você entra e sai nesses barcos e não vê ninguém usando. Na verdade, eu acho que nem tem coletes para o número de passageiros”, afirma.

Trabalhando com o transporte fluvial há mais de 20 anos, o fiscal da Associação dos Canoeiros dos Portos da Ceasa e do Careiro da Várzea, Cassimiro Teófilo, 51, explica que a embarcação só inicia viagem com o número correto de passageiros a bordo, e que, de acordo com o tipo e tamanho da embarcação, a partida só acontece se todas as pessoas estiverem portando o equipamento de segurança.

“A embarcação nunca sai do porto lotada. Todos os pilotos têm curso e estão habilitados para exercerem a função com segurança, assim como possuem curso de primeiros socorros para atuarem em casos de situações extremas de perigo e, dependendo do tamanho da lancha, o motor só dá partida se todos estiverem sentados e portando o equipamento salva-vidas”, informa.

Ainda segundo Teófilo, aproximadamente, 60 embarcações saem do porto diariamente, revezando-se entre si, elas chegam a levar mais de 2,5 mil passageiros e o principal destino é o município do Careiro da Várzea, do outro lado do rio, que liga Manaus ao restante do Brasil por meio da BR-319.

Prevenção
Contrariando a opinião de quem afirma que o uso do equipamento de segurança não se faz necessário, a produtora agrícola Cleide do Nascimento da Silva, 50, que utiliza as embarcações como principal meio de transporte na vinda do município de onde mora para a capital, diz que o uso deveria ser obrigatório em todas as situações, sem exceção.

“Eu venho da comunidade São Pedro, e a lancha é o meio que mais utilizamos. Eu venho todo mês para Manaus, e vejo que muita gente não usa o colete salva-vidas. Eu uso, mas acho que deveria ser uma obrigação dos proprietários de lancha só saírem depois que todos estivessem com coletes. Eles informam que têm o colete, mas na hora do desespero, pode aparecer quem não consiga se amarrar corretamente e isso é um perigo. Devemos pensar sempre com a prevenção”, orienta.

Inspeção
Os condutores de embarcação devem ser habilitados perante a Capitania dos Portos. Caso o piloto venha a descumprir as normas de segurança, os mesmos são notificados por inspetores navais que atuam nos portos e em seguida seguem para prestar esclarecimentos na sede da Capitania Fluvial, em Manaus.

As equipes de inspeção naval da CFAOC não ficam em um local específico. As fiscalizações acontecem 24 horas por dia, na área delimitada do bairro Puraquequara até a praia do Tupé, localizada a 34 quilômetros de Manaus, e servem para observar o cumprimento das leis e normas da autoridade marítima, assim como orientar os navegantes quanto à segurança da navegação.

Além das inspeções no material de salvatagem, (coletes e boias, por exemplo), os fiscais observam a presença de extintor de incêndio, o estado de conservação da embarcação, o excesso de lotação e a documentação da embarcação e dos condutores.

Por Luis Henrique Oliveira

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