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Colaboração entre ambientalistas e petroleiros protege baleias na Rússia

Uma colaboração incomum entre ambientalistas e a indústria petrolífera levou ao aumento do número de baleias cinzentas na ilha russa de Sacalina, ao norte do Japão.

De acordo com relatório divulgado neste domingo (4) no congresso da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), o número de fêmeas reprodutoras cresceu 60% entre 2004 e 2015. A população total na região hoje é de 200 animais, diz a organização.

A aliança surgiu após uma batalha travada pela IUCN e outras organizações de defesa do meio ambiente, como a WWF, contra a ampliação da exploração de gás e petróleo na ilha pela empresa Sakhalin Energy, cuja principal acionista à época era a Shell.

Os ambientalistas argumentavam que o projeto colocaria em risco os animais, listados entre as espécies ameaçadas.

Inicialmente, os ativistas tentaram demover a multinacional da empreitada. Sem sucesso, a estratégia passou a pressionar os bancos que financiariam o projeto, como o Credit Suisse e o BNP Paribas.

Em 2012, a WWF chegou a levar uma réplica em tamanho natural da baleia ao rio Tâmisa, em Londres, como parte da campanha contra uma nova exploração na região. O animal tem cerca de 15 metros e pesa em média 40 toneladas.

A pressão funcionou. Como condição para concessão do crédito, as instituições financeiras passaram a exigir que a Shell aceitasse a participação de um grupo independente de cientistas que proporiam medidas para limitar o impacto negativo que a exploração de petróleo e gás teria sobre as baleias.

Das 539 recomendações feitas pelo grupo, a empresa aceitou 90%, de acordo com o jornal espanhol “El País”.

Em 2014, a IUCN e a Sakhalin Energy publicaram um estudo conjunto sobre minimização e monitoramento dos riscos à espécies marinhas vulneráveis quando barulhos intensos são utilizados na busca de petróleo e gás.

“Exortamos as instituições financeiras que sigam esse exemplo de sucesso e incluam condições ambientais rígidas aos projetos que possam ter um impacto negativo sobre espécies ameaçadas”, disse Wendy Elliot, diretora mundial de vida silvestre da WWF, ao jornal espanhol.

Por Folhapress

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