Sem categoria

CMM recua e passe livre vai ser debatido na casa

Exaltados, cerca de 60 estudantes voltaram a fazer pressão ontem na CMM reivindicando a municipalização do passe estudantil na capital inserido na Lomam – foto: Diego Janatã

Exaltados, cerca de 60 estudantes voltaram a fazer pressão ontem na CMM reivindicando a municipalização do passe estudantil na capital inserido na Lomam – foto: Diego Janatã

Gritos, vaias, protestos e até a presença da guarda municipal para manter a ordem. Assim foi a sessão de dessa quarta-feira (2) na Câmara Municipal de Manaus (CMM), quando um grupo de pelo menos 60 estudantes retornaram à casa para pressionar os vereadores sobre a proposta de emenda à Lei Orgânica do Município (Lomam), que assegura 120 passes livres diários para cada estudante da rede pública e privada de Manaus.

Proposta do vereador Waldemir José (PT), a emenda havia sido apresentada à Comissão Especial de Revisão da Lomam (Cerlomam), mas em uma “manobra” – conforme classificou o petista – a matéria foi retirada de pauta sem ao menos haver uma discussão em torno do assunto.

A pressão dos estudantes surtiu efeito. A matéria não foi aprovada na Lomam, mas o presidente da casa, vereador Wilker Barreto (PHS), se comprometeu em colocar o assunto em pauta na discussão em torno do Plano Municipal de Mobilidade Urbana. Barreto designou a Comissão de Transporte, Viação e Obras Públicas da casa para que elabore, juntamente com a sociedade civil, um calendário de audiência pública para discussão em torno no passe livre estudantil.

“Eu estou há sete meses aqui permitindo um amplo debate e tenho a total convicção de que a casa tem maturidade suficiente para discutir essa temática de forma democrática”, disse Wilker.

A proposta já havia sido alvo de “discórdia” entre os vereadores da oposição e situação na manhã de anteontem na Câmara, quando estudantes que estavam na galeria da casa foram ao Legislativo municipal cobrar a aprovação da emenda. À ocasião, o líder do prefeito na casa, Elias Emanuel (sem partido) e o autor da matéria, Waldemir José e o colega de partido, Professor Bibiano, protagonizaram uma “bate-boca” em torno da polêmica.

“Nós observamos aqui uma manobra da base do prefeito, provavelmente comandada pelo próprio prefeito, no sentido se ser contra o passe livre, uma vez que o passe livre já é realidade na região metropolitana do Recife, com o voto do PSB. Nós temos em São Paulo do PT, temos Porto Alegre do PDT. Então, o passe livre está muito superior do que uma questão partidária, o que existe é uma falta de sensibilidade do prefeito Arthur Neto ao interesse da população”, argumentou Waldemir.

O clima ontem não foi diferente. Sempre recebido com vaias pelos estudantes, o líder do prefeito, Elias Emanuel, sentindo-se acuado pelos manifestantes, voltou atrás em seu discurso. Na última terça-feira, ele havia declarado ser contra a proposta de passe livre estudantil. Vinte e quatro horas depois, em entrevista ao EM TEMPO, afirmou que, na verdade, a base aliada não é contra o passe livre, mas sim que aconteça uma discussão de forma consciente.

“Nós somos a favor de uma discussão consciente dessa matéria que envolve o passe livre. Essa emenda não fazia parte do projeto que foi votado na Câmara, na reforma da Lei Orgânica. Agora, a proposta que o vereador apresenta não dá alternativa de quem paga o passe livre. O governo do Estado e a prefeitura têm feito esforços gigantescos para não aumentar a tarifa, que nos últimos 5 anos aumentou apenas uma vez”, argumentou.

Ainda de acordo com Elias, a manifestação não deixa de ser democrática e todos podem expressar sua opinião. Entretanto, frisou, uma proposta concreta não existe. “O que aconteceu foi que o presidente (Wilker Barreto) delegou a Comissão de Transporte da casa que comece um processo de discussão para implantação do passe livre”, acrescentou.

Intenção é pressionar

Para a representante do movimento União Estadual dos Estudantes (UEE), Bruna Brelaz, a intenção do acampamento dos manifestantes na CMM, era de pressionar os parlamentares para que trouxessem em uma nova discussão a problemática que gira em torno do passe livre estudantil. “A questão do passe livre foi retirada de uma forma arbitrária, para que não pudesse ser implementada na nossa cidade. E nós, do movimento estudantil, achamos isso algo muito incorreto, da parte dos vereadores, principalmente do líder do prefeito na Câmara, Elias Emanuel. Essa vinda nossa aqui é para reafirmar que é necessário aprovar o passe livre. Hoje (ontem) saímos com algo positivo, quando o presidente Wilker Barreto afirmou que a discussão vai voltar para o plenário em um segundo momento, na questão da mobilidade urbana”, disse Bruna.

De acordo com o dirigente do Movimento para Todos, Ruan Octave, a juventude recebeu um golpe articulado pelo líder do prefeito na casa e que o município tem condições de subsidiar o passe livre estudantil.

“O transporte público é falho, nós somos a sexta cidade mais rica do país, tendo o 12º maior PIB do Estado, e 75% dos royalties é destinado para educação e parte disso poderia ser investido no passe livre estudantil”, conta Ruan.

Por Henderson Martins

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir