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Clubes do Amazonas reclamam falta de repasse de verbas

A reunião foi realizada pela Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA), na sede do Atlético Rio Negro Clube, onde os representantes de 10 clubes do Estado assinaram o documento - foto: Kattiúcia Silveira

A reunião foi realizada pela Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA), na sede do Atlético Rio Negro Clube, onde os representantes de 10 clubes do Estado assinaram o documento – foto: Kattiúcia Silveira

Sem repasse de verbas do governo estadual e após o ‘cancelamento’ de um dos jogos do Campeonato Amazonense de Juniores de 2015, as lideranças dos clubes de futebol do Amazonas se reuniram na manhã desta terça-feira (2), para protocolar um ofício para a Federação Amazonense de Futebol (FAF), visando solucionar estes e outros problemas enfrentados pelos times do Estado.   

A reunião foi realizada pela Associação dos Clubes Profissionais do Estado do Amazonas (ACPEA), na sede do Atlético Rio Negro Clube, onde os representantes de 10 clubes do Estado assinaram o documento.

Entre as principais reclamações apresentadas está o não repasse da verba do Estado para os clubes no ano de 2015. Segundo o presidente da ACPEA, Claudio Nobre, o governador José Melo (Pros)  garantiu o mesmo valor dado no ano passado, de R$2,5 milhões, porém, a associação não  recebeu o montante, até o momento.

“Nós já entramos diversas vezes em contato com a Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel) e com a Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) e não fomos realmente informados porque esse repasse não realizado”, contou Nobre, informando ainda que apenas foi atendido pelo irmão do governador, Evandro Melo, sem posto definido no governo, que segundo ele, também garantiu o repasse.

Conforme o presidente, sem o repasse do governo, os clubes ficam sem dinheiro para pagar os atletas, arbitragem, alimentação, estadia e transporte. “Cada clube tem os seus débitos, mas sem dinheiro, não temos como fazer os jogos. Esse ano nós realizamos um belo Campeonato Amazonense, porém, faltando duas semanas para ele acabar, muitos times não tiveram como, por exemplo, pagar os salários dos jogadores. Isso é um efeito dominó. Se eles não repassam a verba, nos não fazemos os pagamentos e isso pode prejudicar o campeonato do ano que vem. Ele pode ser feito, por exemplo, em um tempo menor ou nem acontecer”, comentou.

Os representantes dos clubes querem uma reunião direta com o governador para cobrar o repasse ‘prometido’,  em uma reunião no ano passado, em que Melo prometeu a liberação das verbas em fevereiro deste ano,  que para os clubes  possam quitar seus débitos.

“Nós queremos nos reunir com o governador José Melo para que esse recurso seja repassado aos clubes. Cada presidente fez o orçamento para este ano esperando essa verba.  Nós não podemos honrar com os nossos compromissos porque o governo do Estado não faz o repasse do dinheiro?”, questionou o presidente do Rio Negro, Thales Verçosa.

Estádios

Referente à partida da primeira rodada do Campeonato Amazonense de Juniores de 2015, o presidente da associação informou que a disputa entre Rio Negro e Sul América, que seria realizado no último domingo (30), foi cancelada devido à ação dos seguranças do estádio Carlos Zamith, localizado no Coroado, que ‘expulsaram’ os atletas e pararam o jogo, porque os clubes, segundo ele, não fizeram o pagamento de taxas para a utilização do local.

“Eles não deixaram acontecer o jogo porque não fez o pagamento da taxa para a utilização do estádio. Mas essa cobrança não está sendo feita corretamente, eles nos dão um recibo comum e, além disso, essas taxas não estão catalogadas em lei, que é a forma correta. Fazemos o pagamento, mas não sabemos nem para onde esse dinheiro vai”, afirmou Nobre.

De acordo com os clubes, a taxa cobrada para o estádio Carlos Zamith é de R$ 350 e para o estádio Ismael Benigno – Colina, localizado no bairro São Raimundo,  de R$ 490.

Paralisação

Com isso, a ACPEA decidiu paralisar o campeonato até que sejam solucionados os problemas de locais para realizar as partidas.  Tanto a partida entre Rio Negro e Sul América, quanto às duas que seriam realizadas nesta semana (Tarumã e São Raimundo; Iranduba e Manaus) serão remarcadas.

“Não tem como os clubes correrem atrás de outros estádios está semana, por isso vamos paralisar o campeonato temporariamente. Se essa situação não for resolvida com a Fundação Vila Olímpica (FVO), nós temos que entrar em um consenso para eles jogarem em outros estádios. O campeonato é muito importante porque garante vaga para a Copa Norte de Juniores e Copa São Paulo da mesma categoria”, afiançou o presidente da ACPEA garantindo ainda que provavelmente na próxima semana o campeonato retorne.

Notas

A reportagem do EM TEMPO Online entrou em contato com a assessoria da Sejel, por telefone, que informou que a verba não foi repassada, pois nenhum clube entregou em dia a prestação de contas dos anos anteriores. A assessoria também disse que a verba consta na secretaria, mas os times precisam se regularizar para que possa ser feito tudo na legalidade.

O secretário executivo da Sejel, Ricardo Marrocos, confirmou que o governador  garantiu o repasse da verba de R$ 2,5 milhões, mas os gestores da secretaria “precisam trabalhar na legalidade e agir de forma correta”. “Nós criamos outra alternativa já que eles não fizeram a prestação de contas. Lançamos um edital em forma de patrocínio, que foi publicado em março no Diário Oficial do Estado (DOE) para que os clubes se habilitassem, mas nenhum apresentou. Não temos culpa disso, o recurso está lá na secretaria, porém por má vontade dos representantes, ele ainda não foi liberado”.

O secretário ainda comentou que lamenta essa situação e ressaltou que tanto o governo quanto a secretaria vem ajudando o futebol amazonense.

Também entramos em contato com a  Secom, que confirmou todas as informações passadas pela Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer.

Já a FVO, por meio de nota, comunicou que não recebeu e nem recebe qualquer tipo de pagamento a título de quadro móvel. Portanto, não há nenhuma possibilidade de ‘Caixa 2’ nesta ou em qualquer outra situação.

A nota informou ainda que cabe aos clubes o pagamento do quadro móvel, com intermediação da Federação Amazonense de Futebol (FAF), que é a entidade organizadora dos eventos esportivos futebolísticos no Estado.

Na situação ocorrida no estádio Carlos Zamith, o valor de R$ 350 corresponde ao mínimo cobrado pelo local e foi destinado ao pagamento de prestadores de serviço que atuam no quadro móvel.

Por Kattiúcia Silveira (equipe EM TEMPO Online)

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