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Clima e queimadas podem afetar abastecimento de energia no Amazonas

a utilização de ventiladores, ar condicionado e demais aparelhos elétricos no período de calor, aumentam consideravelmente o pico de energia – foto: arquivo Em TEMPO

a utilização de ventiladores, ar condicionado e demais aparelhos elétricos no período de calor, aumentam consideravelmente o pico de energia – foto: arquivo Em TEMPO

A estiagem e as queimadas de um modo geral podem afetar o funcionamento do sistema energético no Amazonas. A conclusão é de Josehirton Albuquerque, vice-presidente do Sindicato dos Urbanitários do Amazonas (STIUAM). A categoria é uma das principais responsáveis técnicas do setor elétrico. Para ele, a utilização de ventiladores, ar condicionado e demais aparelhos elétricos no período de calor, aumentam consideravelmente o pico de energia e com isso, a Amazonas Energia acaba precisando trabalhar dobrado pra atender a demanda.
 “Com relação à seca, os focos de queimadas ou incêndios também influenciam, principalmente quando esses focos são embaixo ou próximos às linhas de transmissão. Isso pode interferir de forma significativa no processo de transmissão, pois será necessário desligar o sistema de energia daquela área para combater as chamas. De uma forma geral, existindo o fato, poderá afetar sim a transmissão de Energia, mas nada que a Empresa não esteja preparada pra solucionar em tempo hábil, de acordo com o número de ocorrências que são registradas”.
 
Aumento
A Aneel aprovou nesta terça-feira (27), durante Reunião Pública da Diretoria, o reajuste tarifário da concessionária Amazonas Distribuidora de Energia S/A(AmE). Para os consumidores residenciais (Classe B1), o reajuste será de 38,8%. Os novos valores serão aplicados a partir de 1°/11 para cerca de 900 mil unidades consumidoras localizadas no estado do Amazonas. Ao calcular o reajuste, conforme estabelecido no contrato de concessão, a Agência considera a variação de custos associados à prestação do serviço.
O cálculo leva em conta a aquisição e a transmissão de energia elétrica, bem como os encargos setoriais. Os custos típicos da atividade de distribuição, por sua vez, são atualizados com base no IGP-M.Os encargos setoriais (10,54%) e o custo da energia (24,11%) foram os principais fatores que conduziram ao índice de reajuste da Amazonas Energia. Mais informações sobre os reajustes tarifários podem ser consultadas no endereço eletrônico www.aneel.gov.br, perfil espaço do consumidor, no link Conheça a sua conta de luz.
Explicação
A equipe de EM TEMPO entrou em contato com o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor (Idec) para avaliar as justificativas do aumento. A instituição afirma que esses sucessivos aumentos são abusivos. “Há dois anos, a Aneel vem autorizando reajustes elevados, o que beira a ilegalidade, já que o Código de Defesa do Consumidor protege os cidadãos de taxas abusivas”, afirma Carlos Thadeu de Oliveira, gerente técnico do Idec.
De acordo com a entidade, o sistema hidrelétrico (que utiliza água dos rios), responsável por 70% da energia gerada no país, entrou em colapso. E toda vez que as usinas hidrelétricas ameaçam não dar conta do recado, são acionadas as termelétricas que, para gerar energia, usam carvão, gás natural, combustíveis fósseis etc. e custam bem mais caro. A geradora de energia, então, cobra a mais das distribuidoras (empresas que levam a energia dos centros distribuidores até as casas, indústrias e comércios) que, por sua vez, repassam os gastos ao consumidor.
Para o gerente técnico do Idec, Carlos Thadeu de Oliveira, no entanto, isso não justifica passar o “abacaxi” para o consumidor. “Se as distribuidoras não conseguem pagar as suas contas, é hora de pensar em alternativas ao modelo atual. Vão repassar esses custos até quando?”, questiona. “O aumento de custos por fatores climáticos é um risco do negócio das empresas de energia, as quais, vale lembrar, são privadas. A Aneel não pode se preocupar só com o equilíbrio econômico-financeiro das companhias e deixar o consumidor vulnerável a sucessivos aumentos, que, na prática, impõem uma barreira ao acesso desse serviço essencial”, completa Oliveira.
Movimento
Após o anúncio do reajuste, políticos e representantes  de órgãos de defesa do consumidor se mobilizaram nesta  (28) para tentar barrar o aumento. Uma reunião foi marcada para hoje (29), no intuito de avaliar as medidas a serem adotadas contra o reajuste, que entra em vigor a partir de 1º de novembro. A ação pública foi confirmada pelo presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (Comdec) da Câmara Municipal de Manaus (Comdec-CMM), vereador Álvaro Campelo (PP). “A reunião está prevista para acontecer às 10h30, na Câmara Municipal de Manaus (CMM), com a participação do coordenador da Ouvidoria e Proteção ao Consumidor, Alessandro Cohen, o representante do Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), a diretora-presidente do Procon Amazonas, Rosely Fernandes, além de um representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)”, informou o parlamentar.
Por Fred Santana
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