
O doutor em energética Heitor Scalambrini Costa escreveu ontem, em seu artigo na agência Adital, que “2011 e 2012 ficarão marcados como os anos das tarifas astronômicas e das interrupções temporárias no fornecimento de energia elétrica”. Ele cita o modelo mercantil empregado pelo governo federal, que prioriza a oferta de energia, desprezando a “diversificação da matriz energética com as novas fontes renováveis e a consequente eficientização no uso dessa energia”.
Somando-se o fato de que vivemos abaixo da linha do Equador, pontuados por duas estações do ano – que muitos costumam chamar de estação do calor e estação do inferno –, o que nos sobra? Um serviço de péssima qualidade e um preço muito – mas muito – alto a pagar. De volta a Scalambrini, ele comenta que 2013 “começa diante de declarações e ameaças sobre a possibilidade de um risco iminente de um novo desabastecimento de energia elétrica”. Para nós, o assunto é recorrente.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) admitiu que os níveis dos reservatórios estão abaixo do normal, menor do que o verificado em 2001, quando houve o último racionamento de energia elétrica no país. Conforme a Agência Brasil, em todos os subsistemas, o nível dos reservatórios está abaixo ou próximo da Curva de Aversão ao Risco (CAR). No Nordeste, o nível dos reservatórios está em 30,96%; na Região Norte, em 40,48%; e no Sul, em 40,39%.
Esse assunto será discutido hoje, na reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico, onde será analisada a situação energética do país. Que o Norte, especialmente o Amazonas, seja colocado em pauta com as prioridades que merece e as necessidades até hoje insolúveis, que já viraram um círculo vicioso, um eterno apagão em nossa história.