Cultura

Cineasta amazonense inicia gravação de novo curta-metragem

O curta, sobre quatro mulheres que vivem em uma região isolada no Amazonas, será rodado na comunidade Abenezer - foto: divulgação

O curta, sobre quatro mulheres que vivem em uma região isolada no Amazonas, será rodado na comunidade Abenezer – foto: divulgação

Contemplado com o edital audiovisual da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult) e com o Programa de Apoio às Artes (Proarte) 2014, da Secretaria de Estado de Cultura (Sec), o cineasta Zeudi Souza está prestes a gravar seu mais novo curta-metragem, curiosamente batizado de “No Rio das Borboletas”. A obra, que conta a história de quatro mulheres que vivem em uma região isolada no Amazonas e de forma precária, já tem data e local para ser rodada: de 9 a 17 de junho, na comunidade Abenezer, no Tarumã.

Depois de um hiato que durou cinco anos, Souza explica que seu novo trabalho é um drama que aborda temas como os conflitos familiares e o dilema da decisão. “Na verdade, essas quatro mulheres formam uma família composta de três irmãs e a mãe. Dentre essas irmãs, uma delas é autista e a matriarca encontra-se gravemente doente. Então, elas vivem uma grande dúvida que é se buscam ou não socorro para essa mãe”, conta.

Segundo ele, a inspiração surgiu em uma de suas viagens a trabalho pelo interior do Estado. “Salvo engano, estava em Barreirinha e avistei uma família que cortava o rio em uma canoa. Nele, também vi uma série de borboletas, e essa cena ficou marcada na minha memória. Assim decidi criar o filme e batizá-lo de ‘No Rio das Borboletas’, até mesmo pela questão de espiritualidade que o inseto imprime”, diz.

Além disso, o cineasta revela que, ao ter essa visão da nova obra, também estava lendo “Os Manequins Nus”, do escritor francês Christian Bernadac, e “O Holocausto”, de Gerald Green. “Eles influenciaram não pelo terror da guerra, mas pela força das mulheres e por abordar esse tema tão importante que é a decisão e quais efeitos elas podem exercer na vida das pessoas”.

Equipe

O curta será todo gravado pela empresa local 602 filmes e conta com importantes nomes. “Fui buscar parceria com profissionais que entendem de arte como é o caso do Óscar Ramos, que é o nosso diretor de arte; Yuri César, fotógrafo, e um técnico de som que virá de fora. Essa escolha foi devido à falta de profissionais capacitados para exercer essa função. Porém, todo o resto da equipe é local”, lembra.

A escolha das atrizes foi feita ainda no início deste ano e a preparação está em fase final. “Realizamos um processo seletivo, em seguida uma oficina e chegamos em quatro nomes: Erismar Fernandes, Viviane Virgílio, Maria Antônia e Patrícia Cajueiro. Elas serão as responsáveis por representar essas mulheres no curta. Julgo esse trabalho o mais diferente da minha carreira, principalmente pela maturidade. Estava sem gravar desde 2010 porque precisava buscar referências, construir uma visão mais clara do que é fazer cinema. É algo mais maduro, com um olhar diferenciado”. A obra contará com 20 minutos de duração e custará R$ 50 mil.

Área

Questionado sobre qual sua opinião sobre o cinema no Amazonas, Souza não poupa críticas. “Posso dizer que demos um passo gigantesco ao longo desses anos, mas com a nova política de recessão do governo estamos retrocedendo. Os administradores públicos não sabem a importância de fazer arte e quanto isso custa. Para criar um trabalho de qualidade, é preciso, no mínimo, R$ 30 mil. Vivemos de editais, pois fazer cinema é uma arte cara”, declara.

“Porém, a Prefeitura de Manaus tem olhado com mais cuidado para nós, tem tido um preocupação maior. Estamos nessa luta para que esses processos de editais sejam contínuos. Ano passado já fomos prejudicados com a não realização do Amazonas Film Festival (AFF), que premiava os profissionais e fazia com que aquele filme saísse do papel. Temos que lutar para que isso não acabe”.

Sobre o público que quer atingir com “No Rio das Borboletas”, o cineasta é taxativo. “Ele não é um filme para o AFF. Quero atingir todo e qualquer tipo de público, sobretudo aquele fora do Amazonas e, quem sabe, fora do Brasil. Ele está sendo produzido para uma carreira nacional e internacional”.

‘Arte vivida 24 horas por dia’

O cineasta Zeudi Souza aproveitou suas “férias” longe das produções audiovisuais locais para buscar uma especialização. “Fui em Cuba estudar direção cênica. Lá eles possuem uma visão diferenciada do que é cinema. Essa arte é vivida 24 horas por dia e pude vivenciar experiências que, com toda certeza, fizeram ter uma visão mais ampla do que é trabalhar com o cinema. Só veio para engrandecer”.

Logo após a gravação do curta, Souza partirá para um documentário também com a 602 Filmes. “Vamos fazer um trabalho mostrando a Festa de Nossa Senhora do Carmo, em Parintins. Muita gente não sabe, mas é o terceiro maior festejo religioso do Brasil, perdendo somente para o de Aparecida (São Paulo) e o Círio de Nazaré (Pará)”, finaliza. Tanto o documentário quanto o curta-metragem devem ser lançados em novembro de 2015.

 

Por Bruno Mazieri Jornal EM TEMPO

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