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Cineasta amazonense apresenta curta-metragem gravado em Cuba

O filme foi produzido em 2013 - foto: divulgação

O filme foi produzido em 2013 – foto: divulgação

Produzido pelo cineasta amazonense Aldemar Matias e apresentado pela primeira vez em Manaus, o curta-metragem ‘When I get home’, gravado em Cuba, conta a história de um casal homoafetivo na casa dos 60 anos de idade, que convive há 28 com o preconceito. A apresentação ocorreu na noite de  sábado (12), no Teatro Gerbes Medeiros, Centro, durante a 1ª Mostra de Cinema Amazonense.

Matias produziu o filme em 2013, enquanto estudava direção de documentário na Escuela Internacional de Cine y TV, em Cuba. No desenrolar da história, o casal convive ‘preso’ dentro da própria casa, devido ao preconceito dos vizinhos. A obra também mostra o desgaste da relação do casal, em função dessa situação.

“Em cada filme que produzo tenho uma missão de retratar algo. Nesse caso, a missão era retratar um lar cubano. Conheci por meio de uma amiga a história desse casal, Tomás e Luis Hernández, que há poucos meses havia feito uma queixa de homofobia no Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex) de Cuba. A denúncia informava que a fachada da casa deles, no Centro de Havana, era alvo constante de pedras arremessadas por vizinhos. A partir daí, eles passaram a viver em uma fortaleza com grades”, diz o diretor.

Segundo Matias, um dos pontos que mais chamou sua atenção para produzir “When I get home”, foi o preconceito. “Questionei como em Cuba, um país sociável e tão acostumado a compartilhar o cotidiano com os vizinhos? A própria relação me pareceu mais interessante do que fazer um filme ativista. Em uma apresentação, um homem de 60 anos me procurou e falou que era gay e era a primeira vez que ele tinha se visto em filme, então isso é muito bom”, diz Matias.

Para o servidor público, Ronaldo Almeida, 48, o curta retrata uma realidade vivida atualmente. “É uma produção maravilhosa que nos faz repensar sobre nossos conceitos. Não é porque não gostamos que não podemos respeitar. Creio que as pessoas são livres para viver as suas vidas, sem terem que se esconder atrás de máscaras”, diz.

A universitária Claudia Lima, 25, que vive uma relação homoafetiva, também aprova a abordagem do filme. “Já sofri muito preconceito, então o filme é um choque de realidade. Me comovi com a história e fiquei pensando “será que daqui há alguns anos vamos ter de viver isolados da sociedade, só porque não somos “perfeitos”?”, analisa.

‘Cultura é para transformação’

EM TEMPO – O que o levou a se tornar um cineasta?

Adelmar Matias – A arte deve fazer com que as pessoas se reconheçam, passem por uma jornada de emoções, aprendam sobre si mesmas e vejam algo na sociedade que elas não estavam percebendo. No cinema que faço, prefiro dar espaço a quem geralmente não é protagonista. Na mostra, os personagens principais são um casal de dois homens de 60 anos e não um casal jovem “sarado”, como todos são acostumados a ver.

EM TEMPO – Como você avalia o cinema amazonense?

AM – Não dá para esperar que obras e cineastas incríveis surjam no Amazonas de uma hora para outra, sem que haja a construção de um ambiente propício a isso. O jovem necessita ou de uma boa formação acadêmica ou, se vai produzir de maneira autodidata, que esteja imerso em uma atmosfera artística. A gente aqui (Amazonas) não tem nem uma coisa nem outra. Manaus tem uma programação artística fraquíssima para uma cidade de 2 milhões de habitantes. Fraca e centralizada.

EM TEMPO – Qual o futuro desse cinema local?

AM – O curso da Universidade Estadual do Amazonas (UEA) de produção audiovisual apenas acabou de formar a primeira turma. A arte tem que ocupar a periferia. Se a cultura for vista como um “gerador de eventos”, a gente não avança. Cultura gera emancipação e transformação social. E assim que ela deve ser tratada.

EM TEMPO – Qual a forma de trabalho que você se sente mais à vontade?

AM – No documentário, gosto de trabalhar momentos íntimos e que o tom tenha pelo menos algo de humor ácido. Não quero provar nenhuma tese, nem defender nenhuma causa. Filmo movido por uma curiosidade e um desejo de conhecer melhor uma realidade que eu não teria acesso se não fosse pelo cinema.

EM TEMPO – Quais os seus projetos futuros?

AM – Estou escrevendo projetos de documentários para Cuba e Amazônia Internacional. Quero estrear novos projetos no primeiro semestre de 2016.

Por Mara Magalhães

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