Economia

Chineses podem comprar distribuidora de energia no AM

A decisão que abriu as portas para a privatização do serviço foi acompanhada pelo voto do governo interino de Michel Temer – foto: arquivo/Ricardo Oliveira

A decisão que abriu as portas para a privatização do serviço foi acompanhada pelo voto do governo interino de Michel Temer – foto: arquivo/Ricardo Oliveira

Com a desistência da Eletrobras sobre o mercado de distribuição de energia, em seis Estados brasileiros, a empresa distribuidora de energia no Amazonas pode ser comprada por gigantes estatais chinesas, as quais tem feito altos investimentos no país. Mas, ao mesmo tempo que se tem um alívio sobre possíveis compradores dos ativos abertos como a Eletrobras Distribuição Amazonas, há as preocupações quanto aos riscos da privatização.

Na semana passada, os acionistas da Eletrobras reprovaram a prorrogação de concessões e aprovaram a transferência do controle acionário das empresas de distribuição nos Estados do Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Piauí e Alagoas. A decisão que abriu as portas para a privatização do serviço foi acompanhada pelo voto do governo interino de Michel Temer durante a 165ª Assembleia Geral Extraordinária (AGE).

As gigantes estatais chinesas State Grid e a China Three Gorges (CTG) estão entre as interessadas no mercado de distribuição de energia no país, segundo o presidente do Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias Urbanitários do Estado do Amazonas (Stiuam), Edney Martins. “Hoje, no país, as chinesas são as que demonstram mais agressividade nos investimentos do setor e possivelmente vão querer comprar a Distribuição Amazonas”, disse.

A China Three Gorges (CTG) já possui ativos no segmento no Brasil. Ela é controladora indireta das distribuidoras do grupo EDP, de São Paulo, desde 2013. Nos últimos anos a companhia investiu no país, aproximadamente, R$ 15 bilhões no setor, em hidrelétricas, e hoje também mira o mercado de geração de energia eólica.

No começo de julho a State Grid demonstrou ao mercado o interesse de adquirir mais ativos no mercado de energia do Brasil, após a compra de 23% da CPFL Energia, de São Paulo. Ela já investe no segmento de transmissão no país desde 2011, e anunciou aporte na ordem de R$ 15 bilhões para investir no setor nos próximos anos.

Apesar do poder de compra das chinesas, segundo Martins, há preocupação quanto aos efeitos da venda da empresa de distribuição no Amazonas, a começar pela possível demora no fechamento das negociações. “Com a Eletrobras lavando as mãos, não será feito mais aporte nenhum para o Estado, e o fato dela ser uma empresa deficitária, a falta de energia é certa, porque não se terá recursos para manter o combustível”, avaliou.

Quanto ao processo de privatização, o sindicalista observou que as empresas que estão se habilitando para a compra querem investir em Manaus, onde elas terão retorno com o serviço, por se tratar de uma metrópole. Contudo, ela apontou que por se tratar de empresas privadas, elas não vão quer investir no interior, porque é de conhecimento púbico que o serviço nessas regiões não dá retorno financeiro a contento. “Do ponto de vista do investimento sabemos que o interior não tem retorno financeiro e ela poderá sobre um colapso”, disse Martins.

A CTG comunicou por meio da sua assessoria que “está sempre atenta a oportunidades de fusões e aquisições e desenvolvimento de novos empreendimentos de energia hidrelétrica, eólica e solar no Brasil”. Contudo, informou que “não comenta especificamente sobre rumores de mercado”. A assessoria da State Grid disse que a empresa também não comenta sobre o mercado e que não conseguira dar um posicionamento nesta segunda-feira (25).

Por Emerson Quaresma

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