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China tenta endireitar navio, enquanto impede acesso a área de naufrágio

As equipes de resgate começaram nesta quinta-feira (4) a estabilizar o navio que naufragou na última segunda (1º) no rio Yangtze, na China, com 457 pessoas a bordo, enquanto o país restringe o acesso aos locais próximos ao acidente.

A embarcação, que fazia o trajeto turístico entre Nanjing e Chongqing, ficou fora de controle quando foi atingida por um ciclone com ventos de até 130 km/h enquanto passava pela região de Jianli, na província de Hubei.

Segundo a emissora estatal CCTV, os socorristas conseguiram retirar 77 corpos do barco. Outras 14 pessoas, incluindo dois tripulantes, foram resgatados com vida, de modo que ainda restam 366 desaparecidos, provavelmente mortos.

Nesta quinta, as equipes fizeram três furos no casco do navio na expectativa de achar mais vítimas e com a intenção de preservar a estabilidade da embarcação devido à chuva intensa e à forte correnteza do rio Yangtze.

O alto número de desaparecidos faz acreditar que o naufrágio pode se tornar o mais mortal que se tem notícia desde 1948, quando 2.500 pessoas morreram quando um navio virou perto de Xangai.

Por isso, as autoridades chinesas enviaram o primeiro-ministro, Li Keqiang, a Jianli e aumentaram o controle de acesso da imprensa e dos familiares à região onde ocorreu o acidente.

O Comitê Permanente do Partido Comunista, o alto escalão do governo, instruiu os administradores a reforçar os controles à opinião pública e preservar a estabilidade social, apesar de pedir o entendimento do direito ao luto das famílias.

O porta-voz do Ministério dos Transportes, Xu Chengguang, negou que o governo tenha a intenção de encobrir a tragédia e que as autoridades estão recolhendo provas. “Nós nunca acobertaremos erros e absolutamente não encobriremos nada”.

APROXIMAÇÃO

A orientação foi feita após um grupo de parentes das vítimas violarem uma barreira policial em Jianli na tentativa de chegar à área do acidente e ao crematório para onde são levados os corpos, que tiveram a segurança reforçada.

Segundo a agência de notícias Reuters, taxistas foram orientados a não levar ninguém à região do naufrágio. Os parentes exigem a divulgação da lista dos passageiros e criticam o fato de os tripulantes terem sido retirados primeiro.

Outros pediram que se saiba o motivo pelo qual o barco não foi levado à beira do rio e porque a tripulação não deu o sinal de alerta para que os passageiros pudessem também se salvar.

Na praça principal de Jianli, parentes acendiam velas e depositavam flores em um memorial. O governo local afirma que 1.200 familiares dos passageiros do barco estão na cidade.

“Nós só queremos uma resolução rápida a esta tragédia. Nós nos sentimos tão devastados”, disse uma mulher de 57 anos, com sobrenome Li, que chorava ao lado do memorial.

 

Por Agência Brasil

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