Dia a dia

Cheias do Rio Negro já afetam agricultura amazonense

Expectativa é que o nível do Rio Negro continue subindo- foto: divulgação/ Defesa Civil

Expectativa é que o nível do Rio Negro continue subindo- foto: divulgação/ Defesa Civil

O nível do Rio Negro, que banha Manaus, e outros municípios amazonenses, voltou a subir no fim de semana. Técnicos do Serviço Geológico do Brasil registraram nesta segunda-feira (22) a quarta mais alta medição deste ano, 29,64 centímetros.

O volume do rio caiu 1 centímetro (cm) de quinta (18) para sexta-feira (19), após quatro dias com nível estável. Entre sexta-feira e sábado (20), o nível subiu em média 1cm e duplicou de ontem para hoje.

A Defesa Civil informou que as cheias afetam 92.024 famílias no estado e que 46 municípios estão em situação de emergência, quatro em alerta e dois em estado de calamidade pública (Boca do Acre e Anamã). As famílias afetadas receberam 717 toneladas de alimentos não perecíveis, medicamentos e filtros de água.

Os agricultores amazonenses também foram atingidos pelas cheias do Rio Negro. Segundo o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Amazonas, Alfredo Pontes, estão comprometidos de 70% a 80% da produção agrícola do estado.

Nascimento disse que os preços podem subir e que já existem produtos estão em falta no interior. “Não se vê mais tomate ou mamão no interior, por exemplo. Sem contar que isso gera aumento nos preços – alguns já estão 30% mais caros. Sem políticas estabelecidas de auxílio à agricultura, o produtor vai ficando à mingua.”

Segundo o engenheiro Hertz Rabelo, da Superintendência Regional de Manaus do Serviço Geológico do Brasil, a expectativa é que o volume d’água continue subindo. “É muito difícil estabelecer uma previsão porque o rio é muito dinâmico. Vários fatores influenciam seu volume. Mas [o rio] deve continuar subindo, a exemplo do que ocorreu em 2012, quando tivemos o maior registro. Naquele ano, o rio se manteve estagnado por um período e depois subiu. Não acreditamos, porém, que atinja a mesma marca”, disse Rabelo.

Muitas famílias tiveram a casa alagada com a cheia do Rio Negro. Na capital, 11 bairros na área urbana e 24 comunidades na zona rural estão acima do nível normal. Na área central da cidade, ruas foram interditadas por causa do alagamento.

O município de Anamã, no Baixo Solimões, ficou praticamente submerso em todo o perímetro, o que prejudicou serviços essenciais como atendimento médico e coleta de lixo.

Procurada pela Agência Brasil, a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) não se manifestou até a publicação da matéria.

Por Agência Brasil

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