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Cheia no Amazonas obriga famílias a viverem em meio ao lixo

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Na ponte da avenida São Jorge, uma imagem que se repete a cada fenômeno da cheia dos rios amazonenses: lixo formando um tapete sobre as águas, reflexo da falta de educação da população – foto: Ione Moreno

Há dois meses, moradores da rua Walter Rayol, no bairro Presidente Vargas (Matinha), Zona Sul de Manaus, tiveram de se mobilizar para construir pontes e retirar o lixo que se acumula sobre as águas do igarapé. Garrafas plásticas e até carrinhos de bebê foram depositados na beira da rua.

“A Defesa Civil fez o cadastro dos moradores que seriam incluídos no Bolsa-Enchente mas, até agora, não nos enviaram nada”, relata o autônomo Izandro Pacheco. “Os funcionários instalaram apenas a base das pontes. Os trechos restantes foram construídos em madeira coletada pelos moradores”, acrescenta.

De acordo com Pacheco, o pagamento do auxílio seria feito em duas parcelas de R$ 300. “Caso as condições não mudem, vamos fechar as ruas principais para chamar a atenção das autoridades, como já aconteceu outras vezes”. Ele ressalta que o risco de transmissão de doenças aumenta no período da vazante.

Situação parecida ocorre no igarapé da Cachoeira Grande, sob a ponte do São Jorge, Zona Oeste de Manaus. “Os vizinhos recolheram madeira do igarapé para construir as passagens. Fomos cadastrados, mas ainda esperamos receber o material”, afirma uma senhora que preferiu não se identificar. “Recentemente, encontramos cadáveres de cachorros e um jacaré morto boiando nas águas. O mau cheiro é insuportável”. Ela diz que moradores de condomínios localizados na avenida Constantino Nery e áreas adjacentes também costumam jogar lixo no local. “Não somos os únicos responsáveis”, diz.

Na manhã de ontem, equipes da Secretaria de Defesa Civil do Município retiravam o lixo no igarapé do 40, na Zona Sul. A superfície se encontrava tomada pelo lodo. De acordo com os técnicos, o fenômeno é resultado do acúmulo excessivo de resíduos nas águas. Por meio de nota, o órgão informou que o período de cheia costuma ocasionar os problemas com acúmulo de lixo nos igarapés, e destacou que a situação dessas áreas é ocasionada pela própria população.

Desde quarta-feira (10), já foram retiradas mais de 17 toneladas de lixo do igarapé da Cachoeira Grande. No local, estão trabalhando as equipes de limpeza, lanchas, botes e uma escavadeira hidráulica. Já o bairro da Matinha deve receber serviços de limpeza em breve.

A Semasdh informou que o cronograma de pagamento do Aluguel Social (referente ao SOS Enchente) será divulgado nos próximos dias.

Emergência

A Defesa Civil do Estado atestou ontem,  Situação de Emergência em mais três municípios: Japurá, Careiro e Maués. As cidades, que juntas somam 15.024 pessoas afetadas, farão parte do cronograma de atendimento humanitário do órgão. No balanço geral, 48 municípios estão em anormalidade. Sendo 47 em Situação de Emergência e um que é Boca do Acre, em Estado de Calamidade Pública, mas que apresenta descida gradativa do nível do rio Purus.

“A Defesa Civil do Estado montou, desde fevereiro, uma força tarefa para atender os municípios afetados pela enchente e o trabalho vai continuar até que as cidades voltem à normalidade”, enfatizou o Secretário Adjunto da Defesa Civil do Amazonas, Hermógenes Rabelo.

Por Daniel Amorim (equipe EM TEMPO)

1 Comment

1 Comment

  1. Luiz Laelson

    17 de junho de 2015 at 12:12

    Os moradores também não ajudam para jogar o lixo no lugar correto e aí aconteçe isso, eles também tem culpa no cartório

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