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Cheia causa prejuízos de R$ 34,2 milhões aos produtores rurais do AM

Quase 5.500 famílias do interior do Amazonas já sentem os prejuízos da cheia nas suas produções na agricultura e pecuária – foto: Alberto César Araújo

Quase 5.500 famílias do interior do Amazonas já sentem os prejuízos da cheia nas suas produções na agricultura e pecuária – foto: Alberto César Araújo

A cheia deste ano já afetou 5.454 famílias amazonenses e prejuízos estimados são da ordem de R$ 34,2 milhões nos setores da agricultura e pecuária. O volume é R$ 2,1 milhões superior ao registrado no mês de março, quando as perdas atingiam pouco mais de R$ 32,1 milhões.

Os dados são do último Levantamento de Perdas Agrícolas da Produção Rural da Cheia de 2015, divulgado pelo Instituto de Desenvolvimento Rural e Florestal Sustentável do Amazonas (Idam).

Segundo o balanço, que é desenvolvido semanalmente pelo Idam com o apoio da Secretaria de Estado da Produção Rural (Sepror), aproximadamente R$ 2,9 milhões, desse total, eram provenientes de financiamento por parte dos produtores e agricultores rurais.

O levantamento também apontou que os prejuízos do agronegócio do Amazonas com a subida do nível dos rios se concentram em município situados nas calhas dos rios Solimões, Purus, Juruá e Médio Solimões. O maior volume de perdas agropecuárias é registrado em Envira, com danos de pouco mais de R$ 15,2 milhões.

Seguem na lista os municípios de Boca do Acre (R$ 4,04 milhões), Carauari (R$ 2,6 milhões), Tabatinga (R$ 2,5 milhões), Tapauá (R$ 2,3 milhões), Canutama (R$ 1,9 milhão), Guajará (R$ 1,09 milhão), Manacapuru (R$ 736 mil), Ipixuna (R$ 726,1 mil); Tefé (R$ 682,2 mil), Benjamin Constant (R$ 640,6 mil), Itamarati (R$ 489,4 mil); Lábrea (R$ 438,5 mil), Codajás (R$ 376,4 mil), Pauini (R$ 280,2 mil), Anamã (R$ 159,1 mil), e Eirunepé (R$ 21 mil).

Farinha de mandioca

A produção de farinha de mandioca continua sendo a mais afetada pelas inundações, com prejuízos de R$ 19,3 milhões. Em seguida vem às plantações de banana, com perdas avaliadas em R$ 8,1 milhões; milho (R$ 1,06 milhão); cana de açúcar (R$ 643,4 mil); açaí (R$ 500 mil); mamão (R$ 195,5 mil); macaxeira (R$ 292 mil); maracujá (R$ 248 mil); arroz (R$ 200,5 mil); abóbora (R$ 146,5 mil); e cupuaçu (R$ 111,8 mil).

O prejuízo no cultivo de hortaliças subiu de R$ 1,2 milhão, em março, para R$ 1,5 milhão, em maio.

Já a produção de maxixe, alface e coentro se manteve com perdas em torno de R$ 52 mil, R$ 22,5 mil, e R$ 13,6 mil, respectivamente. A produção de fibras, por sua vez, registrou forte aumento, o prejuízo nesse segmento saltou de R$ 1,2 mil (março) para R$ 455,7 mil (maio).

As perdas também aumentaram entre a produção dos criadores e pecuaristas rurais do Estado. O volume desse setor gira em torno de R$ 485,4 mil (criação de suínos); R$ 457,8 mil (bovinos); R$ 152,6 mil (aves); R$ 11,8 mil (ovinos). Já o comprometimento da criação e venda de nove toneladas de peixes, causando prejuízos de R$ 27 mil continua até o momento.

Pecuaristas preocupados

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, disse que a subida das águas se aproxima de Manaus e de municípios como Careiro da Várzea e Autazes, grande produtores pecuaristas.

Segundo ele, os custos dos produtores com a manutenção dos animais  devem encarecer de 20% a 30%.

“Os produtores já estão tendo que transferir o rebanho para área de terra firme e alguns por não terem área de pastagem tem que alugar uma na terra firme”, expluciou.

Para minimizar o impacto financeiro negativo causado pela cheia dos rios, muitos produtores e agricultores rurais colheram a produção antes do período previsto, como em Manacapuru (a 68 quilômetros de Manaus).

Segundo o presidente do Sindicato Rural do Município (SRM), Mário Jorge, a colheita com antecedência foi para que os mesmos não tivessem perda total de produtos.

Ele disse que o rio está enchendo bastante no município e as produções mais afetadas até o momento são às de maracujá, mamão, mandioca e fibras vegetais. Jorge ressaltou que os prejuízos são menores em relação aos anos anteriores, porém, a previsão é que a enchente se prolongue até meados de junho.

Por Silane Souza (Jornal EM TEMPO)

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