Mundo

Chefe de estação reconhece erro em choque de trens no sul da Itália

O chefe de uma das duas estações entre as quais ocorreu o acidente ferroviário que deixou ao menos 23 mortos no sul da Itália reconheceu que permitiu a partida do trem que provocou a colisão, informou a imprensa italiana nesta quinta-feira (14).

“Fui eu quem deixou esse trem sair, fui eu quem deu autorização (…) havia confusão, os trens estavam atrasados”, declarou Vito Piccarreta, chefe da estação de Andria, segundo o jornal “La Stampa”. “Mas não foi apenas culpa minha. Todos me crucificam, mas eu também sou uma vítima”, lamentou, segundo o diário “Corriere della Sera”.

Na terça-feira (12), dois trens que estavam na mesma linha férrea entre as localidades de Corato e Andria, na região de Apulia, colidiram frontalmente.

Esse trecho é de via única, e os chefes das duas estações precisam entrar em acordo por telefone para deixar um trem passar de cada vez.

Segundo uma reconstituição realizada pelo “La Stampa”, três trens -um a mais que o normal- deveriam passar por este trecho. Depois que o segundo trem passou, o chefe da estação de Andria cometeu o erro de deixar o terceiro veículo passar, o que provocou a colisão.

O chefe da estação de Corato, Alessio Porcelli, também está na mira da Justiça, já que deveria ter percebido que um trem se aproximava na direção oposta à do que acabava de sair de sua estação.

O governo prometeu investir 1,8 bilhão de euros para melhorar o antigo sistema de trens regional italiano, mas políticos da oposição questionam por que um plano de aperfeiçoamento da rede ferroviária foi constantemente adiado.

Funcionários do governo chegaram a afirmar que 27 pessoas haviam morrido na colisão, mas autoridades locais baixaram o número de mortes. “Neste momento, nós temos 23 corpos”, disse o promotor local Francesco Gianella. Ele também afirmou que apenas um dos corpos ainda não foi identificado. Entre os mortos há um estudante do ensino médio que retornava para casa após um exame, um policial e ambos os maquinistas.

Cerca de 50 pessoas ficaram feridas, muitas delas gravemente. Promotores abriram uma investigação para apurar as causas do desastre, com foco inicial no sistema operacional projetado há 50 anos para prevenir que trens viajando em diferentes direções percorram o mesmo trilho simultaneamente.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir