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Chama dos Jogos Rio-2016 é acesa em Olímpia

No local onde os Jogos Olímpicos nasceram, na Grécia, o símbolo começou sua caminhada de mais de 20 mil quilômetros rumo ao Brasil, onde chega em agosto - foto: divulgação

No local onde os Jogos Olímpicos nasceram, na Grécia, o símbolo começou sua caminhada de mais de 20 mil quilômetros rumo ao Brasil, onde chega em agosto – foto: divulgação

A chama dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro-2016 foi acesa ontem (21) em uma cerimônia na antiga cidade de Olímpia, na Grécia. A cerimônia lembrou o drama dos refugiados que transitam pelo país e a crise política no Brasil. Agora a tocha dos Jogos do Rio percorrerá milhares de quilômetros antes de chegar em solo brasileiro.

“Estes Jogos Olímpicos serão uma mensagem de esperança nestes tempos difíceis e a chama levará esta mensagem a todos os cantos do Brasil e ao mundo inteiro”, afirmou Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI).

União das épocas

Atrizes com figurino similar ao da Grécia antiga invocaram no templo de Hera (de 2,6 mil anos) o Deus Apolo, antiga divindade do sol. A grande sacerdotisa, interpretada por Katerina Lehou, famosa atriz grega, captou os raios solares por meio de um espelho, que os desviou para dar vida à chama.

Depois, em uma lenta coreografia, a grande sacerdotisa acendeu a tocha dos Jogos do Rio-2016, que teve como primeiro atleta do revezamento o ginasta grego Leftheris Petrounias, campeão mundial das argolas, que no Rio será o grande rival do brasileiro Arthur Zanetti.

Em seguida, o ex-craque do vôlei Giovane Gávio, bicampeão olímpico em Barcelona-1992 e Atenas-2004, recebeu a tocha tornando-se o primeiro de muitos revezadores brasileiros.

O ritual à moda antiga, que pretende estabelecer um vínculo de união entre as épocas, foi realizado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Berlim-1936 e remete à simbologia olímpica da chama, que permanecia acesa durante toda a competição na antiguidade.

A viagem da tocha deve durar quatro meses, rumo ao Maracanã, onde a pira olímpica será acesa, no dia 5 de agosto, depois de atravessar o Atlântico e percorrer mais de 20 mil quilômetros, por mais de 300 cidades brasileiras.

Antes disso, passará por alguns lugares emblemáticos da Grécia até chegar a Atenas, onde será entregue ao comitê organizador Rio-2016, no 27 de abril, no estádio que recebeu em 1896 os primeiro Jogos da era moderna. Uma das etapas antes de chegar ao estádio será o centro de refugiados de Eleonas, no subúrbio da capital, onde um refugiado tomará conta do revezamento.

O escolhido para a tarefa é um sírio que perdeu uma perna na guerra que devasta seu país, e sua imagem deve recordar ao mundo o drama dos refugiados, a crise migratória mais importante desde a Segunda Guerra Mundial.

Tempos difíceis

Os Jogos Rio-2016 acontecerão em meio a uma situação de crise política no Brasil, que impediu a presença em Olímpia da presidente Dilma Rouseff, envolvida em um processo de impeachment. “Os Jogos acontecerão num mundo sacudido por crises”, admitiu Bach, que fez questão de “homenagear o povo brasileiro”, “que, em algumas semanas, acolherá o mundo com entusiasmo e o deixará maravilhado com sua alegria e sua paixão pelo esporte”.

“Será um grande momento para o Brasil e serão os Jogos do Brasil. Apesar das dificuldades que o país atravessa, vai levar uma mensagem de esperança em todos os cantos do seu território e no mundo inteiro”, completou.

Na ausência da presidente Dilma Rousseff, o Brasil foi representado pelo novo ministro dos esportes, Ricardo Leyser, que assumiu como interino no mês passado, e por Carlos Arthur Nuzman, presidente do comitê Organizador Rio-2016.

“A chama traz a mensagem de que o nosso caro Brasil pode e vai ser unido, um país que merece buscar um futuro melhor”, afirmou Nuzman, reconhecendo que o país “navegou pelas águas mais difíceis que o movimento olímpico já conheceu” para preparar os Jogos.

 

Da redação

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