Política

Centrais sindicais prometem protestos para o fim do mês em Manaus

As medidas foram definidas ontem, em um seminário realizado com a presença da senadora Vanessa Grazziotin – Divulgação

As centrais sindicais do Estado decidiram, num seminário realizado ontem de manhã em Manaus, que vão realizar greve geral no fim do mês como protesto às reformas trabalhista e da Previdência, que tramitam no Congresso Nacional. O encontro – que aconteceu paralelamente em todo o país – teve a participação da senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) e do economista e supervisor do Dieese-RJ, Cloviomar Cararini, que mediaram o debate.

A data da paralisação, prevista para acontecer entre os dias 26 e 30 deste mês, será decidida na próxima semana, numa reunião geral com os dirigentes sindicais de todo o país, em Brasília, segundo informou o representante da central sindical e popular Conlutas em Manaus, Gilberto Vasconcelos.

“Pretendemos unificar todas as centrais sindicais, com o apoio de organizações estudantis, de bairros e outros setores trabalhistas. Pois precisamos combater a criação dessas reformas e tirar esse presidente do poder para termos um futuro melhor para o nosso país”, declarou.

Oposição ao governo federal, Vanessa Grazziotin argumentou que o posicionamento de greve geral não é contra a reforma trabalhista, mas, sim, contra a legislação que está sendo revista. “Essa legislação atua como algo permanente, pois a sociedade e suas relações trabalhistas não são imutáveis, pelo contrário, são muito dinâmicas”, afirmou.

Vanessa também destacou pontos negativos que podem influir na vida do trabalhador. “Essas duas reformas que estão diante de nós não são reformas e, sim, projetos que suprimem os direitos básicos do trabalhador. Um exemplo disso foi o de equipar as demissões individuais para coletivas, e isso sem acordo ou aviso prévio. E é por conta disso que devemos agir o quanto antes e viabilizarmos meios de combater essas reformas, exigindo que os parlamentares sejam justos com o povo que os elegeu ao poder”.

Já aprovada na Câmara dos Deputados, a reforma trabalhista está no Senado, numa comissão especial que analisa a matéria e cujo relatório será votado internamente na próxima terça-feira – mesmo dia em que a corte do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) começará a julgar o pedido de cassação da chapa Dilma-Temer.

A coincidência das datas foi vista como algo absurdo pela senadora, pois o relatório dá total acesso ao presidente de intervenção sobre medidas provisórias. “É um absurdo ele ter poder sobre esse julgamento justamente no dia em que estará sendo votada a sua cassação no TSE”.

Dieese vê regressão

Para o representante do Dieese na palestra, o economista e supervisor Cloviomar Cararini, a retirada de direitos dos trabalhadores de recorrerem à Justiça do Trabalho é semelhante a uma retirada de leis e que, por conta disso, resultaria em regressão ao ano de 1930, época esta que elas foram consolidadas.

Participaram também do seminário representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Geral dos Trabalhadores (UGT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Conlutas, Nova Central e Força Sindical.

Wal Lima
EM TEMPO

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