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Centenas de refugiados chegam de trem à Áustria e à Alemanha

Trens que levavam centenas de refugiados chegaram a Viena nesta segunda (31), com o aval de Budapeste, sem terem solicitado asilo na Hungria, medida que contraria as diretrizes da União Europeia (UE). Ao menos um trem da Hungria também chegou à Alemanha com refugiados.

O episódio é mais novo desdobramento da crise humanitária causada pelo fluxo de estrangeiros vindos de zonas de conflito na Europa.

A Hungria permitiu que ao menos quatro trens saíssem – três em direção a Viena, e um, a Munique – com os refugiados.

Segundo testemunhas, muitos dos que desembarcaram em Viena, na maioria sírios, procuraram imediatamente conexões para a Alemanha. A polícia não interveio e deixou os estrangeiros seguirem seu curso.

Na Alemanha, um trem vindo da Hungria chegou com cerca de 200 refugiados, estimou a polícia.

Enquanto a Áustria afrouxa a fiscalização nas ferrovias, as blitze nas rodovias estão mais frequentes. Após um caminhão ter sido abandonado com os corpos de 71 refugiados em um acostamento na última quinta (27) e uma minivan ter sido flagrada transportando 26 estrangeiros ilegalmente em condições precárias, a polícia reforçou a segurança nas estradas.

As checagens mais rigorosas provocaram diversos pontos de congestionamento nas ligações entre Hungria e Áustria.

Na estação ferroviária vienense, o clima entre os estrangeiros era de felicidade. “Ainda bem que ninguém pediu o passaporte. Sem polícia, sem problemas”, disse à Reuters um dos refugiados, identificado como Khalil, 33, que era professor de inglês em Kobani, na Síria.

Segundo o porta-voz da polícia, uma primeira tentativa foi feita de fiscalizar os viajantes, mas, dado o grande número deles, as autoridades decidiram liberar o acesso.

De acordo com as leis europeias, os países signatários do acordo de Schengen devem deixar suas fronteiras abertas entre si para o livre trânsito de pessoas, mas os solicitantes de asilo devem fazer o pedido no primeiro país onde chegam.

No caso, a maioria dos solicitantes chega pela Grécia, mas sai da zona Schengen ao atravessar a Macedônia e a Sérvia. A porta de entrada, portanto, seria a Hungria.

Detenções

Nos últimos três dias, a Hungria deteve 8.792 estrangeiros que tentavam cruzar a fronteira com a Sérvia.

Budapeste planeja tornar mais rígidas as leis contra a imigração ilegal nesta semana e reforçar a segurança na fronteira com a Sérvia. O governo disse que considera usar o Exército caso consiga o apoio do Parlamento.

Merkel

Na Alemanha, a chanceler Angela Merkel, cujo país estima receber 800 mil refugiados, mais do que qualquer outro país da UE, disse nesta segunda que a crise pode destruir o princípio da liberdade de ir e vir sacramentada pelo acordo de Schengen.

“Se não formos bem-sucedidos em distribuir os refugiados de forma justa, então o destino de Schengen estará na agenda de muitos”, afirmou.

“Estamos ante um grande desafio nacional. Isso será um desafio central não apenas por dias ou meses, mas por um longo período de tempo.”

Por Folhapress

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