Economia

Cenário político derruba Bolsa ao menor nível em quase quatro meses

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O cenário político brasileiro pressionou o principal índice da Bolsa local nesta segunda-feira (20), impedindo o Ibovespa de acompanhar a alta dos mercados europeus diante do avanço nas negociações de resgate da economia grega.

O Ibovespa fechou em queda de 1,42%, a 51.600 pontos. É o menor nível desde 31 de março, quando estava em 51.150 pontos. O volume financeiro foi de R$ 6,892 bilhões. No exterior, as Bolsas da Europa ganharam entre 0,2% e 1,1%, enquanto os índices de ações nos Estados Unidos encerraram a sessão perto da estabilidade.

Segundo analistas, o vencimento de opções sobre ações -quando encerra-se o prazo de contratos que apostam no valor futuro de papéis- nesta segunda-feira também pesou sobre o desempenho do Ibovespa. A operação movimentou R$ 2,05 bilhões.

Na última sessão, o índice brasileiro sentiu peso da piora no quadro político do país, na esteira do anúncio pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de seu rompimento com o governo.

Cunha e o presidente do Senado, Renan Calheiros, tentam agora transformar a crise política em institucional, com o discurso de que o Poder Legislativo está sendo atacado pelo Judiciário e pelo Ministério Público, numa ação orquestrada pelo Executivo, segundo o jornal “Valor Econômico”.

“A instabilidade é grande. O temor de uma crise institucional paira sobre as mesas de operação”, disse o analista da Clear Corretora Raphael Figueredo. “O mau humor faz com que o investidor se proteja e fuja das operações de risco, como o mercado de ações.”

“Com poder suficiente para barrar e dificultar a aprovação das medidas de interesse do governo na Casa, Cunha é figura central de uma batalha que poderá custar à presidente Dilma Rousseff a perda do mandato”, escreveu o operador da corretora Correparti Ricardo Gomes da Silva em nota a clientes.

Os papéis de estatais estiveram entre os destaques de baixa do pregão. A ação preferencial, mais negociada e sem direito a voto, da Petrobras caiu 5,35%, para R$ 10,79. Já a ordinária, com direito a voto, cedeu 6,02%, a R$ 11,86.

Além do cenário político, a empresa também foi afetada pela queda do preço do petróleo no exterior. O petróleo do tipo WTI rompeu o piso US$ 50 por barril por alguns instantes em Nova York, mas terminou cotado a US$ 50,15, no menor valor desde 2 de abril.

A commodity sentiu o fortalecimento do dólar frente a outras moedas e também foi influenciada por um relatório que apontou queda nas exportações da Arábia Saudita para o menor nível em cinco meses, embora a produção do país esteja em nível recorde, acima de 10 milhões de barris por dia.

Também estatal, a Eletrobras viu sua ação preferencial ceder 1,63%, a R$ 8,46. A companhia ainda sofre com a notícia de que o escritório de advocacia global de direitos dos investidores Rosen Law Firm está preparando uma ação contra ela, na Justiça dos Estados Unidos, por perdas sofridas por acionistas.

A ação é baseada no envolvimento da estatal nas investigações da operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga casos de corrupção. A ideia é mover uma ação coletiva contra a elétrica, nos mesmos moldes do processo em andamento contra a Petrobras.

Outra queda expressiva foi a da Gol, que perdeu 7,24%, a R$ 6,15. A concorrente TAM anunciou nesta segunda uma redução gradual de suas operações no mercado doméstico -que será de 8% a 10%. Segundo a empresa, a decisão foi tomada diante de um cenário econômico desafiador no país.

CÂMBIO

Além de impactar negativamente a Bolsa, a piora no quadro político brasileiro também pressionou a cotação do dólar para cima nesta sessão. A moeda americana chegou a bater em R$ 3,225 durante o dia, mas amenizou a alta antes do fechamento.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,88% sobre o real, cotado em R$ 3,215 na venda. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 0,25%, para R$ 3,202.

Nesta segunda-feira (20), o BC deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em agosto -operação que equivale a uma venda futura de dólares para estender o prazo de contratos. A oferta de 6 mil papéis foi totalmente vendida por US$ 293,8 milhões. Nos primeiros leilões deste mês, haviam sido ofertados até 7,1 mil swaps.

Mantendo a oferta de até 6 mil contratos por dia até o penúltimo dia útil do mês, o BC rolará o equivalente a US$ 6,396 bilhões ao todo, ou cerca de 60% do lote total. Se continuasse com as ofertas anteriores, a rolagem seria de 70%, como a do mês anterior.

 

Por Folha Press

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