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‘Caso Deusiane’ completará 1 ano ainda sem elucidação

A soldado Deusiane foi encontrada morta, no interior do pelotão fluvial, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, no dia 1º de abril de 2015 – foto: divulgação

A soldado Deusiane foi encontrada morta, no interior do pelotão fluvial, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, no dia 1º de abril de 2015 – foto: divulgação

Injustiça e medo. Foi o que restou à família da soldado da Polícia Militar Deusiane da Silva Pinheiro, 26, encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 1º de abril de 2015. O processo sobre a morte da policial se encontra na Vara da Auditoria Militar, no fórum Henoch Reis, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul. O caso até o momento não foi arquivado e nem denunciado pela Justiça.

“A sensação de impunidade é terrível. Há 1 ano lutamos para que a justiça seja feita, mas nada foi resolvido. Está claro que não houve suicídio, todos os laudos apresentados pela Polícia Civil comprovam isso”, declara Claudete Angelim, irmã da vítima.

A advogada da família, Martha Gonzalles, entrou com mais de 20 petições na PM, mas nenhuma foi atendida. O caso envolve o cabo Elson Santos de Brito, 36, com quem a vítima manteve um relacionamento amoroso de 1 ano.

Angelim chama a atenção para o fato de que o laudo de autópsia e o enxame residuográfico realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil comprovam que Deusiane não cometeu suicídio. Segundo ela, as investigações apontam que a arma utilizada no crime pertencia a Elson, que no dia do rime portava o revólver, conforme o registro de cautela da PM.

“Se foi comprovado que a arma utilizada no crime não era da minha irmã, e sim do cabo Elson, por que ele não relatou isso no depoimento dele? Por que não está preso? Ao contrário disso, ele continua exercendo, normalmente, a sua função de soldado, na 30ª Cicom (Companhia Interativa Comunitária). O que a Justiça tem a dizer sobre isso? Por que ele ainda está solto? Não conseguimos entender. Precisamos de uma resposta. Faz 1 ano que a minha irmã foi assassinada e nada foi resolvido. Por que estão protegendo ele?”, questiona Claudete.

Em dezembro do ano passado, a advogada de defesa do caso contestou o laudo pericial sobre a investigação da morte de Deusiane, apresentado à época à Diretoria de Justiça e Cidadania da Polícia Militar do Amazonas (DJC/PMAM) pelo Departamento de Polícia-Técnico Científica (DPTC). O documento dá conta de que houve “falta de elementos que comprovassem o homicídio”, mas também não afirma se houve suicídio. O argumento da defesa foi o de que houve troca de armas durante o processo pericial.

De acordo com os familiares da militar, desde a morte de Deusiane eles passaram a ser ameaçados constantemente, e nenhuma providência foi tomada por parte dos órgãos de segurança pública.

“Já registrei várias ocorrências na delegacia. Vizinhos sempre me alertam de pessoas estranhas aqui em frente do meu apartamento. Recebemos muitas ameaças de morte, por telefone, de pessoas que não se identificam. Minha filha, ano passado, quase foi sequestrada na escola. Não temos tranquilidade. Estas perseguições com certeza estão relacionadas à morte da minha irmã”, desabafa a irmã da vítima.

Mistério

A soldado Deusiane foi encontrada morta, no interior do pelotão fluvial, do Batalhão Ambiental da Polícia Militar, localizado no bairro Tarumã, Zona Oeste, onde ela trabalhava. Segundo a Polícia Militar, Deusiane teria cometido suicídio. Mas, os familiares descartam tal possibilidade e acreditam que ela foi assassinada.

Conforme a família, dias antes do crime Deusiane terminou o relacionamento amoroso com o cabo Elson Santos, após descobrir que ele era casado. Segundo os parentes, ela sofreu ameaças de morte por parte do ex-amante, que não aceitava o fim do relacionamento.

“Ela terminou o relacionamento porque estava sendo ameaçada, também, pela esposa do Elson. Ele não se conformou com o fim do relacionamento e disse que a mataria se ela não reatasse o namoro. Dias antes do crime acontecer, ela disse que, se aparecesse morta, teria sido o Elson o autor do homicídio”, recorda a mãe da policial, Antônia Assunção, na esperança de que seja feita justiça.

Por Bruna Amaral

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