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Caseiro diz que foi ‘ameaçado’ para participar da morte líder comunitária e está ‘arrependido’

O caseiro foi preso na tarde desta segunda-feira (17), no município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) - foto: divulgação/ Polícia Civil

O caseiro foi preso na tarde desta segunda-feira (17), no município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus) – foto: divulgação/ Polícia Civil

Apresentado na manhã desta terça-feira (18) como uma dos envolvidos no assassinato da líder comunitária Maria das Dores Salvador Priante, a ‘Dôra’, 54, ocorrida no último dia 13, o caseiro Ronaldo de Paula, 21, disse que foi “ameaçado” pelo suposto mandante do crime, motorista Adson Dias da Silva, o ‘Pinguelão’, 38, e que se arrepende de ter participado do esquema.

O caseiro foi preso na tarde desta segunda-feira (17), no município de Manacapuru (a 84 quilômetros de Manaus).

Adson teria ameaçado de morte o caseiro e sua família. A versão, porém, é desmentida pelo suposto mandante, que alega inocência e acusa um vereador e um advogado do município de Iranduba (a 27 quilômetros da capital) de terem interesse no caso.

Ronaldo contou à polícia que Adson Dias da Silva, o ‘Pinguelão’, lhe prometeu dinheiro, R$ 3 mil, e uma motocicleta em troca das informações sobre a rotina da vítima e de provas que ‘Dôra’ tinha contra ele.

Ainda de acordo com o depoimento, Ronaldo voltava pra casa na última quinta-feira (13) quando os assassinos, armados, o abordaram próximo a um campo de futebol e disseram que seria naquela noite que iam raptar ‘Dora’ e executá-la no ramal.

Os criminosos disseram ainda que caso Ronaldo desistisse do plano, ele e a família seriam mortos. Em seguida, os suspeitos informaram que era para Ronaldo ficar em frente de casa, e quando eles chegassem no veículo, o caseiro entraria na residência e ficaria dentro do banheiro. Esse seria o sinal que ‘Dora’ estava sozinha com seus assassinos.

Após colocarem a vítima dentro do porta-malas do carro, os suspeitos disseram para o caseiro ir até o Beach Park, em Açutuba, para receber o resto do dinheiro e a motocicleta, mas com medo de morrer, Ronaldo foi para casa de um amigo se esconder.

Para o delegado titular da 31ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Paulo Mavignier, a entrega do dinheiro seria uma armadilha contra o caseiro, única testemunha do caso. “Os criminosos não mataram Ronaldo dentro da casa porque isso iria chamar muito a atenção, e já sabendo disso, o caseiro não foi mais.”, disse.

O delegado afirmou ainda que após apresentar várias versões do crime, e se contradizer em várias delas, Ronaldo confessou participação. “O Pinguelão foi o mandante do crime, e os executores são os comparsas dele que moram também na comunidade. Nós já temos os retratos falados dos atiradores e agora é uma questão de tempo para encontrá-los e prendê-los”, afirmou Mavignier.

O grileiro Adson Dias da Silva, o ‘Pinguelão’, 38, foi preso em cumprimento a mandado de prisão na manhã de ontem (17) após sair de uma audiência no Fórum Desembargador Mário Verçosa, bairro Aparecida, Zona Centro-Sul.

O advogado de defesa dele, Éder Carlos Ribeiro, 36, afirmou que ‘Dôra’ se apossou do cargo do acusado como presidente da comunidade, após Adson se candidatar a vereador em 2011. “As terras que ela se dizia dona por direito, foram dadas ao meu cliente em 2009 pelo prefeito da época, o José Maria Muniz, mas como o Adson saiu para se candidatar, a ‘Dôra’ inventou uma eleição e se intitulou presidente da comunidade”, comentou.

O advogado disse ainda que chegou a procurar o delegado algumas semanas antes do crime para que se tomasse uma providência contra os conflitos de terras que o suspeito e a vítima tinham. “Eles não têm provas o suficiente para manter meu cliente preso, uma vez que o mandado de prisão preventiva foi feito somente com base em denúncias e também no depoimento do caseiro, que acabou sendo preso nesse meio tempo”, alegou.

Entenda o caso

A líder comunitária Maria das Dores dos Santos Salvador Priante, 52, conhecida como ‘Dora’ foi encontrada morta com 12 tiros de PT 40 na madrugada da última quinta-feira (13), na comunidade Santa Lucia, localizada no quilometro 40, da AM-070, no município de Iranduba.

Dora havia sido sequestrada na noite anterior, por volta de 19h, de dentro da própria casa, localizada na comunidade Portelinha, também em Iranduba. O companheiro da vítima, o professor Gerson Priante informou à polícia que cinco homens armados entraram na casa dele, agrediram fisicamente sua companheira e fugiram levando a mulher.

Segundo a polícia, o principal suspeito de ter cometido o crime é Adson Dias da Silva, vulgo ‘Pinguelão’, com quem a vítima tinha uma briga pessoal referente a lotes de terra.

Por equipe EM TEMPO

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