Dia a dia

‘Casas do terror’ geram transtornos em Manaus

Quem passa ou mora próximo aos prédios se incomoda com o abandono – Michael Dantas

Grandes construções abandonadas, espalhadas por quase toda a cidade, tornam-se  ameaças para a saúde pública e para a segurança da população. O problema, registrado há décadas, pode estar longe de ter uma solução, o que assusta quem mora próximo às estruturas. Conhecidos também como “casas do terror”, alguns prédios estão sendo propícios até para desova de cadáveres.

O último levantamento da Gerência de Patrimônio Histórico (GPH) revela que foram constatadas 98 unidades históricas em situação de abandono, somente no Centro. O GPH tem uma listagem de 1.656 imóveis/edificações identificados como unidades históricas de primeiro e segundo graus, conforme o decreto municipal 7176/2014, que estabeleceu o setor especial das Unidades de Interesse de Preservação, localizadas no Centro Histórico de Manaus. Na orla portuária, são 11 edificações.

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De acordo com o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), em geral, 90% dos casos de terrenos abandonados e baldios, alvo de reclamação, não conta com outro endereço de localização do proprietário, o que inviabiliza notificações e ações fiscais. O órgão destacou que, em algumas situações, conta com o apoio da população para tentar identificar possíveis proprietários. O instituto ressaltou, ainda, que outros casos de abandono são decorrentes também de ações judiciais, espólio e outros particulares.

Somente na avenida Darcy Vargas e Efigênio Sales, ambas localizadas na Zona Sul, é possível ver dois prédios residenciais não acabados, totalmente abandonados e esquecidos pelas construtoras responsáveis pelas obras, muitas falidas, caso da antiga Encol. Umas das construções, localizada próximo a um shopping center e ao lado de um tradicional restaurante, além de servir como depósito para lixo, matos e entulhos, virou abrigo para marginais que aproveitam o livre acesso ao prédio para se esconder, após assaltos.

Além da violência, mosquitos proliferam e viram ameaça à saúde

“Colocaram um tapume de telhas. Jamais isso será barreira para bandido, tanto é que fizeram uma porta para ter acesso a qualquer hora. À noite, quando o movimento de pessoas fica fraco no local, eles aproveitam a falta de segurança para roubar. Depois, ficam todos escondidos nos milhares de compartimentos do prédio para dividir o roubo e consumir drogas. Muita gente evita passar na frente. O nosso medo é de eles levarem alguém para dentro desse local e fazerem barbaridades, principalmente se for mulher”, disse a autônoma Dora Farias.

O mesmo local virou criadouro do mosquito Aedes aegypti, transmissor dos vírus da dengue, chikungunya e zika. Moradores e comerciantes do entorno já procuraram os órgãos públicos para tentar achar uma solução para o caso, mas não tiveram respostas de ninguém. Na mesma via, um outro prédio também virou ameaça à comunidade. Recentemente, um grupo tentou invadir o espaço, mas foi impedido pela população.

Saúde

Dados da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) revelam que, no período de janeiro a junho de 2017, foram recebidas 669 denúncias de focos de Aedes na cidade e 658 foram executadas. No mesmo período de 2016, foram 4.429 denúncias encaminhadas e 4.330 executadas pelo órgão.

“Já entramos no prédio e vimos de tudo lá. Lixo, mato e muitas fezes. Os marginais usam como banheiro também. Reservatório com água parada, então, tem de monte. A situação é séria. Imagina um local desse tamanho, em péssimo estado de conservação, no meio de uma região bastante populosa. O risco é constante para a população. Não falo somente da segurança, mas em relação à saúde também. Quantas doenças já não foram transmitidas por causa desse problema?”, indagou um comerciante que preferiu não se identificar.

Na mesma zona, precisamente na avenida Salvador, um esqueleto de um prédio abandonado há mais de três décadas, também virou motivo de reclamações. Quem trabalha nas proximidades revela o medo de ver a qualquer hora a estrutura desabar. “Deixo meu carro no terreno desse prédio. Em algumas ocasiões, passo algum tempo no local, verificando a estrutura da construção. É visível a destruição do tempo. Em breve, esse esqueleto vivará pó”, disse Renato Castro.

Gerson Freitas
EM TEMPO

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