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Cartolas tramaram para dividir propinas de brasileiros e argentinos

 

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As propinas a dirigentes começaram a ser pagas por parceiros comerciais da Conmebol nos anos 90, mas principalmente para a cúpula da entidade, segundo a denúncia norte-americana. foto: divulgação.

A luta pelo poder na Conmebol e a tentativa de enfraquecer o poder do Brasil e, principalmente, da Argentina na Confederação Sul-Americana de Futebol fez se alastrar a corrupção dentro da entidade, informa o relatório da Justiça dos Estados Unidos que investiga o pagamento de suborno a dirigentes do futebol.

As propinas a dirigentes começaram a ser pagas por parceiros comerciais da Conmebol nos anos 90, mas principalmente para a cúpula da entidade, segundo a denúncia norte-americana. O paraguaio Nicolás Leoz, presidente, e os argentinos Julio Grondona, que chefiava a AFA (Associação de Futebol da Argentina), e Eduardo Deluca, secretário-geral indicado por Grondona, comandavam a entidade na época.

Em 2009, seis presidentes de federações nacionais criaram o “Grupos dos Seis”, para negociar em bloco os direitos comerciais de torneios em seus países, de jogos de suas seleções, mas também para tentar entrar na negociação de competições dentro da Conmebol.

O grupo era chefiado pelo equatoriano Luis Chiriboga, indiciado pela Justiça dos EUA nesta quinta (3), e pelo venezuelano Rafael Esquivel, que está preso desde maio. Faziam parte também o colombiano Luis Bedoya, o peruano Manuel Burga, o boliviano Carlos Chávez e o paraguaio Juan Ángel Napout, presidente da Conmebol, agora preso mas que, à época, chefiava a Federação Paraguaia de Futebol.

Mais tarde, se juntou ao grupo o chileno Sergio Jadue. Todos hoje estão envolvidos na investigação do pagamento de suborno para fechar acordos comerciais, seja presos, indiciados ou réus confessos que ajudam na investigação.

Chiriboga fez o primeiro contato com os irmãos Mariano e Hugo Jinkis, argentinos da empresa Full Play, que não conseguiam “entrar” na Conmebol ou na AFA porque eram barrados por Grondona.

Aos poucos, o grupo foi criando força dentro da Conmebol, e também passou a receber propina de Alejandro Burzaco, da empresa T&T, que detinha os direitos comerciais da Libertadores. O pagamento, segundo a denúncia da Justiça dos EUA, era anual.

Em 2012, com a renúncia do brasileiro Ricardo Teixeira à presidência da CBF, Leoz e Grondona perderam o aliado e se enfraqueceram na Conmebol, a ponto de o paraguaio renunciar em abril de 2013. O “Grupo dos Seis”, então, tomou o poder em agosto de 2014 quando Juan Ángel Napout se tornou presidente, com apoio de Marco Polo Del Nero, então vice da CBF.

Com Napout, todo o “Grupo dos Seis” passou a comandar a Conmebol: Jadue e Bedoya como vices e Chávez como tesoureiro. Bedoya também foi indicado como membro do Comitê Executivo da Fifa, junto com Del Nero.

Do atual Comitê Executivo da Conmebol, o uruguaio Wilmar Valdez, que não está envolvido neste momento nas investigações e não fazia parte do “Grupo dos Seis”, será o escolhido como novo presidente da Conmebol.

 

Por Folhapress

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