Dia a dia

Cardiologistas do Francisca Mendes ameaçam paralisar

Administração do hospital alega que tem se esforçado para garantir funcionamento da unidade hospitalar - foto: Diego Janatã

Administração do hospital alega que tem se esforçado para garantir funcionamento da unidade hospitalar – foto: Diego Janatã

Há três meses sem contrato de trabalho e salários atrasados, médicos cardiologistas do Hospital Universitário Francisca Mendes (HUFM), de Manaus, cogitam parar os trabalhos cirúrgicos. A medida afetará pacientes que estão com cirurgias agendadas. O presidente do Sindicato dos Médicos do Amazonas (Simeam), Mário Vianna, disse que os profissionais já solicitaram intervenção do sindicato nas negociações com a Secretaria de Estado da Saúde (Susam) para renovar o vínculo de serviço. “Alguns médicos nos procuraram querendo uma orientação devido a esse problema. O contrato está vencido e o pagamento não é depositado há três meses. Para que possamos negociar com legitimidade, é necessário ter autorização de todos os envolvidos”, explicou Vianna.

Conforme Vianna, os cardiologistas não são os únicos que estão com os salários atrasados. Ortopedistas estão na mesma situação e também cogitam parar o atendimento em serviços conveniados com a Susam. “Pedi aos cardiologistas do HUFM que formalizassem essa solicitação de apoio. Não podemos simplesmente chegar e intervir, já que se trata de um contrato privado. Eles não são os únicos, as cooperativas passam pela mesma situação de salários atrasados”, disse.

O presidente do Simeam disse que, além do problema de salários e contratados vencidos, alguns hospitais enfrentam falta de medicamentos, especialmente antibióticos. Sem citar nomes, ele atribui o problema à má gestão de políticos e desvio de verbas públicas. “A saúde pública está um caos, temos hospitais que estão desabastecidos de medicamentos importantes para a população. Isso é resultado desses nossos maus políticos e desses inúmeros desvios de verbas públicas que saem na mídia”, comentou.

Em nota, a Susam informou que “mantém relação institucional administrativa com a Fundação do Coração Francisca Francisca Mendes, unidade da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e que tem feito todos os esforços para garantir o bom funcionamento do serviço de cirurgia cardíaca oferecido na instituição”. A secretaria explicou que “há uma questão que está sendo discutida com os cirurgiões cardíacos da unidade – cerca de dez profissionais – com relação ao projeto básico para formalização de um novo contrato de prestação de serviço”. Enquanto não se chega a um consenso, a Susam está fechando um acordo emergencial, com duração de 90 dias, prazo em que discutirão os pontos onde ainda há divergência. A Susam também informa que não há paralisação das cirurgias de emergência, que estão mantidas e asseguradas, informou, na nota.

Por Michele Freitas

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