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Cardeal que mediou reaproximação entre EUA e Cuba renuncia

O religioso conseguiu a libertação de mais de 130 políticos, além da devolução de alguns prédios eclesiásticos confiscados e o direito a fazer procissões nas cidades cubanas - foto: divulgação

O religioso conseguiu a libertação de mais de 130 políticos, além da devolução de alguns prédios eclesiásticos confiscados e o direito a fazer procissões nas cidades cubanas – foto: divulgação

O papa Francisco aceitou nesta terça-feira (26) a renúncia do cardeal cubano Jaime Ortega, 79, principal responsável pela aproximação da Igreja Católica com o regime e mediador da retomada das relações entre a ilha e os EUA.

O aval do papa foi tomado quatro anos depois do primeiro pedido de renúncia de Ortega, apresentado quando ele fez 75 anos, em 2011. Em seu lugar, assume o arcebispo de Camagüey, Juan de la Caridad García Rodríguez.

Arcebispo de Havana desde 1981, Ortega tornou-se dos líderes políticos mais influentes do país. Preso em um campo de trabalho forçado na década de 1960, ele adotou a não confrontação com os irmãos Castro nos anos seguintes.

Apesar da crítica firme ao regime, ele conseguiu que a Igreja Católica atuasse de forma mais livre em Cuba, depois da perseguição dos primeiros anos da revolução. Com isso, foi possível reestabelecer os locais de culto expropriados.

Em diálogo inédito com o atual ditador, Raúl Castro, o religioso conseguiu a libertação de mais de 130 políticos, além da devolução de alguns prédios eclesiásticos confiscados e o direito a fazer procissões nas cidades cubanas.

Sob o comando de Ortega, o regime também aceitou quatro visitas papais à ilha -João Paulo 2º em 1998, Bento 16 em 2012 e Francisco em 2015 e 2016, quando o pontífice se encontrou com patriarca da Igreja Ortodoxa, Cirilo.

No período do papa argentino, o cardeal cubano serviu de intermediário dele com o regime de Raúl Castro para que se alcançasse a retomada das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos, em dezembro de 2014.

O pontífice também é amigo de Ortega desde que ele era arcebispo de Buenos Aires, motivo pelo qual foi o responsável por publicar um discurso de Francisco antes o conclave de 2013.

 

Por Folhapress

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