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Capitalismo selvagem (Pero No Mucho)

Escritor e empresário

Luiz Lauschner
Escritor
e empresário

Após dezoito anos da assinatura do Protocolo de Kyoto, surgem novos termos no capitalismo mundial. Não precisamos tocar em sistemas de governo para saber que tanto no capitalista, como no comunista impera o imediatismo materialista. Nos países comunistas ele é ainda mais flagrante pela ausência de democracia e liberdade de imprensa. O que está se tentando fazer é transformar o progresso e o crescimento industrial em um setor “ecoamigável”. Só o tempo é que poderá dizer ser a pretensão é utópica ou não.

A “remoção” da natureza para implantação de projetos industriais, agrícolas e até de moradias é comparável à atividade garimpeira que remove milhares de toneladas de cascalho em busca de alguns gramas de ouro. A agressão à natureza cobra seu preço. O prazo desta cobrança, por não ser anunciado, muitas vezes é ignorado porque o valor dado à natureza foi zero e, portanto, não se esperava esta cobrança. O preço pode ser muito alto. Os paulistas, que agora precisam racionar sua água, podem dar um testemunho muito atual sobre isso.

Ainda avaliamos o valor da natureza pelo preço do terreno onde vamos construir. Normalmente ele é valorizado mais pela proximidade que tem de um centro comercial, de uma cidade importante, de uma estação de metrô etc. Mas o custo da terra em si, da natureza que nela sobrevive continua sendo zero.

Está tudo como há cem anos quando a mata era “inimiga” e quando um lugar valioso era um terreno sem mato? Certamente que não. Mas não significa que já haja o hábito de se valorizar a natureza em si, não pelo valor da construção que se poderá fazer no local. Em algumas atividades econômicas, como o turismo, costuma-se contar com grande envolvimento da comunidade onde ela acontece. Onde há o engajamento desta comunidade, normalmente a natureza sofre menos e, portanto, cobrará menos no futuro.

Alguns passos importantes já foram dados desde a revolução francesa que instituiu a produção em massa. Uma delas é considerar e valorizar o chamado capital humano. A saída do artesanato para a produção em série atropelou muitos valores como também trouxe muitos benefícios. Impossível imaginar-se bens como automóveis a preços acessíveis sem isso. Contudo, por ser um sistema que necessita despejar sua produção no mercado, a indústria – automobilística ou outra – produz muito lixo, entre o qual podemos inserir o maquinário velho, que igualmente agride a natureza.

Pode-se pensar em um Capitalismo Natural? Conseguiremos abandonar a tese que a preservação da natureza é prejudicial ao progresso? Analistas do Protocolo de Kyoto apontam quatro princípios para efetivação da economia do capitalismo natural: Reconhecer o valor da natureza em si e utilizá-la naturalmente; melhorar o meio de produção dos recursos naturais; Eliminar desperdícios e reinvestir no sistema de vida e no homem. Cada um desses princípios precisa ser dissecado, explicado e levado a efeito se quisermos ter um planeta sadio para as próximas gerações.

Afinal, se uma empresa tem por finalidade proporcionar lucros aos seus proprietários, estes, por sua vez, precisam seguir princípios que não sacrificarem a natureza. Afinal, de pouco adianta o bolso cheio de dinheiro se as cobranças pelos desmandos do homem são tantas que o próprio dinheiro – objetivo do capitalismo – não tiver valor algum.

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