Economia

Capital privado vai poder gerir aeroporto de Manaus

O aeroporto internacional Eduardo Gomes ganhou nova cara em função da Copa do Mundo de 2014, mas apresenta sinais de reforma inacabada -  foto: Diego Janatã

O aeroporto internacional Eduardo Gomes ganhou nova cara em função da Copa do Mundo de 2014, mas apresenta sinais de reforma inacabada – foto: Diego Janatã

O aeroporto internacional Eduardo Gomes poderá, ainda neste ano, ser administrado pela iniciativa privada. A Empresa Brasileira Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que nega privatização, diz que a empresa subsidiária realizará a gestão compartilhada com os aeroportos de Congonhas, em São Paulo, e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O novo formato administrativo está nos planos do governo federal, que busca cortar custos e economizar com as operações, diante da crise que afeta o setor aéreo.

De acordo com a Infraero, a realização deste programa, em 2016, deve gerar impacto na ordem de R$ 350 milhões por ano com a redução de custo de pessoal na empresa subsidiária. A empresa estatal informa que a busca de sócio estratégico (M&A) e/ou abertura de capital (IPO) da sua possível parceria está na etapa de contratação dos planos de negócios e da “valuation” (avaliação) das companhias, bem como da estruturação da operação.

O prazo para realização dos estudos, uma vez contratados, é de quatro meses, seguidos do processo interno de decisão e das atividades próprias de M&A e/ou IPO, segundo explica a Infraero. Sem relevar percentuais, a empresa estatal diz que a proposta inicial de parceria na gestão prevê a participação minoritária do capital privado numa empresa subsidiária, cuja parcela majoritária seria da Infraero, o que garantirá ao governo federal o controle sobre a empresa privada.

Com a união da gestão dos aeroportos de Manaus, de São Paulo e do Rio de Janeiro, a empresa estatal diz que ainda não há estimativa de cortes de pessoal nem de programa de demissão voluntária. A Infraero afirma que o projeto da criação da possível subsidiária não está na fase de definir com precisão os ajustes no quadro de pessoal, caso eles sejam necessários.

Questionada sobre os riscos na receita no modelo de capital misto, com ações na bolsa de valores, a empresa estatal observa que, na proposta de abertura de capital de qualquer empresa pode haver risco sobre receitas e resultados. “Cabe ressaltar que esse desempenho dependerá de variáveis do setor aéreo, como movimentação de passageiros e cargas e aumento do número de voos nos terminais”, afirma a Infraero.

Infraero nega privatização

A Infraero nega que essa mudança no modelo de gestão dos três aeroportos seria um primeiro teste para uma possível privatização dos mesmos. “As medidas preservam o controle das atividades nas mãos da Infraero, não podendo confundir a abertura de capital com privatização, na medida em que a sociedade constituída com a finalidade de administrar e explorar unidades aeroportuárias de grande porte contará com a participação acionária minoritária do capital privado e permanecerá sob o controle da empresa”, afirma.

Na semana passada, o governo anunciou que estuda repassar para as novas concessões de aeroportos o custo com o desligamento de funcionários da Infraero que trabalham nas instalações que serão concedidas. Até agora, a empresa estatal assumiu os custos das primeiras concessões, que somam R$ 876 milhões.
No rumo das concessões

O presidente da Infraero, Antônio Claret Oliveira, diz que nas concessões antigas, a empresa estatal ficou com as despesas e a arrecadação ficou com o concessionário e que agora buscará concertar o erro.

Para começar, o governo decidiu que a Infraero ficará de fora das próximas concessões, em que serão leiloados os aeroportos de Porto Alegre, Florianópolis, Salvador e Fortaleza.

Nas primeiras, entrou com uma parcela de 49% em cada consórcio. No modelo em estudo pelo governo interino, o vencedor das licitações ficaria com o custo do programa de demissão voluntária (PDV) dos funcionários.

Por Emerson Quaresma

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