Tecnologia

Cão cibernético rouba as atenções em conferência futurista no Canadá

SpotMini é um robô simpático, mesmo com sua “cabeça” que vira um braço – Bret Hartman / TED

Um círculo de pessoas se forma em torno de uma estranha criatura, câmeras a disparar em sua direção, enquanto seu dono chega para pedir que todos deem um passo para trás, como que para não assustá-la. SpotMini tem quatro pernas e age como um cachorrinho, mas na verdade é um robô.

Marc Raibert, fundador da Boston Dynamics, tinha acabado de fazer sua apresentação no TED sobre o avanço de suas criaturas eletrônicas, ao lado de outros cientistas que falaram sobre o futuro da inteligência artificial. “Estou aterrorizado”, concluiu ao final do painel Chris Anderson, o organizador do evento, que terminou na sexta (28).

Mas, quando Raibert levou sua cria para passear pelos corredores do TED, a reação foi oposta. Pessoas chegavam perto para tirar selfies e outras tentavam tocá-la como que para fazer carinho. “Somos como pais orgulhosos”, disse Raibert, usando uma festiva camisa havaiana, ao ser questionado sobre o futuro sombrio pintado no painel.

De fato, enquanto SpotMini é um robô simpático, mesmo com sua “cabeça” que vira um braço e segura o celular de um curioso, outros robôs que Raibert exibiu parecem mais assustadores.

Eles conseguem abrir portas, andar na neve, subir montanhas e mover caixas, mesmo quando alguém se mete em seu caminho: se alguém os chuta, empurra ou derruba, eles voltam a ficar de pé e seguem com suas tarefas.

Mas e se eles ficassem mais inteligentes com o tempo e enxergassem os humanos como uma ameaça? Talvez apertar o botão de desliga não seja o suficiente, disse o professor Stuart Russell, autor de um dos livros essenciais da área, “Artificial Intelligence: A Modern Approach”.

Para Russell, a solução está em desenvolver inteligência artificial “compatível com humanos”, focando criaturas altruístas que preenchem suas lacunas de conhecimento com valores de comportamentos humanos.

Entregador

A Boston Dynamics, que Raibert lançou em 1992 após experimentos no MIT, foi adquirida em 2013 pelo Google, depois de anos financiada por contratos com militares.

Em sua palestra no TED, Raibert mostrou um vídeo de uma versão maior do Spot entregando encomendas nas ruas de Boston. “Eles estão indo muito bem, 70% de acerto”, disse. “Há muitas aplicações comerciais possíveis”.

Raibert ainda não vive com nenhum robô, ainda que consiga fazer SpotMini pegar uma lata de refrigerante e entregar em sua mão, como fez no palco do TED. Sua empresa utiliza um galpão no qual construiu uma casa fictícia, onde robôs podem circular pela cozinha e pela sala de jantar, ambientes que são verdadeiros desafios por causa do espaço apertado.
E, quando eles param de funcionar, como na noite anterior de sua apresentação, há sempre um engenheiro para consertar. “Eles quebram o tempo todo. É a vida”.

Fernanda Ezabella
Folhapress

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