Cultura

Campeã do Carnaval 2016 será conhecida nesta segunda

Apesar das dificuldades financeiras as oito escolas foram criativas para se superar - foto: Marcio Melo

Apesar das dificuldades financeiras as oito escolas foram criativas para se superar – foto: Marcio Melo

 

A partir das 10h desta segunda-feira (8), a grande campeã do Carnaval 2016, das escolas do grupo especial de Manaus, será conhecida pelos manauenses. Bateria, samba-enredo, comissão de frente serão alguns dos nove itens a serem avaliados pelos 45 jurados selecionados pela Comissão Executiva das Escolas de Samba de Manaus (Ceesma).

Apesar das dificuldades financeiras, e os recursos reduzidos passados às agremiações, pelo governo do Estado e prefeitura de Manaus, as oito escolas de samba que integram o grupo especial utilizaram de muita criatividade, para se apresentar no sambódromo.

Durante todo o desfile das escolas do grupo especial ocorrido da noite do sábado (6) à madrugada de domingo (7), a Polícia Militar, contabilizou público aproximado de 50 mil pessoas no sambódromo. Veja como sua escola desfilou na avenida:

Primos da Ilha

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Primos da Ilha – foto: Mario Melo

Apresentando o enredo “Sou Berço da Vida, Fonte de Inspiração, Guerreira, Sou Ilha, Sou Mulher”, a escola de samba Primos da Ilha, do bairro São Francisco, Zona Sul, foi a primeira agremiação a se apresentar na passarela do Centro de Convenções, na noite do último sábado dia (6). Com dois carros alegóricos e um tripé, a escola levou muito brilho para a avenida, e contagiou os primeiros 5 mil foliões que prestigiaram das arquibancadas a abertura do Carnaval 2016.

Com muito entusiasmo, e cantando em alta voz, os primeiros trechos do enredo “Vou exaltar a mulher…Que Maravilha”, a Primos da Ilha entrou na avenida com 3 mil brincantes. A escola, que iniciou sua apresentação às 20h07, homenageou a grandeza das mulheres, e destacando em suas 12 alas, o espaço conquistado por guerreiras, dentro da sociedade.

Dando boas-vindas ao público presente, a comissão de frente da Primos da Ilha, reverenciou a beleza das mulheres do Egito, levando para a avenida do samba, 15 integrantes, sendo 14 egípcios e uma Cleópatra. A apresentação contou com uma coreografia sincronizada e movimentos incessantes, que exaltavam a mulher como símbolo de sedução. Na sequência, entrou na passarela o primeiro casal de mestre e sala e porta bandeira. Vestidos de noivos, com fantasias brancas, eles representaram o casamento como o sonho de toda mulher.

A bateria, que seguiu na passarela com 200 ritmistas trajados de verde e amarelo, entrou na avenida fazendo sinal de reverência às mulheres presentes no sambódromo. Em seu carro abre alas, a escola trouxe a virgem Maria carregando o menino Jesus nos braços. A alegoria simbolizava a dadiva concedida à mulher, de ser a mãe de um salvador. Quem também ganhou destaque no carro alegórico foi a gravida de oito meses, Gabriele Freitas, 25, que representou a guerreira Ostera, conhecida como deusa da fertilidade. “Representei a mulher como fonte de procriação e amor. Desfilar grávida, me deixou bastante emocionada e muito feliz”, disse a passista.

 

Sem Compromisso

 

Sem Compromisso - foto: Marcio Melo

Sem Compromisso – foto: Marcio Melo

 

Acreditando ter feito uma boa apresentação, mesmo com baixos recursos financeiros, a escola de samba Sem Compromisso foi a segunda agremiação a desfilar no Carnaval de Manaus, com atraso de dez minutos. A escola, que veste as cores preto e amarelo, levou para a avenida o enredo “O pão nosso de cada dia, que o diabo amassou e Deus consagrou”. Aproximadamente 3 mil brincantes fizeram a festa na avenida.

Com o mesmo entusiasmo da escola de samba Primos da Ilha, antes de entrar na avenida, a Sem Compromisso aqueceu a voz cantando fortemente a última estrofe do enredo: “Eu vou Sem Compromisso, amor! Cantar, sambar com alegria…Amor é a grande comunhão …O pão nosso de cada dia”. Os integrantes das 18 alas apresentadas durante o desfile, se mostraram bastante ansiosos para encarar a passarela do samba. Na concentração, eles cantavam e dançavam euforicamente ao som da bateria.

O presidente da escola de samba Getúlio Lobo, ainda organizando os últimos preparativos para entrar na passarela, disse que mesmo fazendo um Carnaval com pouco dinheiro, estava confiante no desfile que sua escola iria apresentar. “Este ano, enfrentamos muitas dificuldades, mas não desanimamos e preparamos tudo com muito carinho. Vamos levar para avenida muito brilho, alegria e grandes alegorias. O importante é fazer um Carnaval bonito, que contagie o público e traga muita emoção”, disse Lobo.

Entrando na avenida às 21h30, a comissão de frente retratou a descoberta dos grãos de trigo, com 15 integrantes representando o Homu sapiens, considerado responsável pela evolução do trigo, que trás consigo ‘o consagrado pão de cada dia”. O carro abre alas, que representou o desenvolvimento do trigo na Grécia antiga, teve alguns problemas para entrar na linha amarela da avenida, pois estava inclinando para o lado direito da passarela.

A organização da escola conseguiu resolver o imprevisto em tempo hábil, e não prejudicou a evolução do desfile. O segundo carro a representar a escola lembrou a partilha do pão, e de todo o processo de fabricação. Já as baianas homenagearam as damas que faziam o preparo do pão.

A apresentação da Sem Compromisso despertou a atenção dos foliões que estavam nas ferraduras apreciando o desfile dos passistas. Com os olhos atentos, eles não deixaram passar desapercebido nenhum detalhe.

Unidos do Alvorada

 

Unidos do Alvorada - foto: Marcio Melo

Unidos do Alvorada – foto: Marcio Melo

 

Inovando com cornetas e trompetes na bateria, o Grêmio Recreativo Unidos do Alvorada foi a terceira escola de samba a desfilar, no Centro de Convenções. A agremiação levou para o sambódromo o enredo “Rei Arthur – O Legado de Uma Lenda”. Com 3 mil brincantes, dois carros alegóricos e um tripé, a escola de samba se apresentou em 68 minutos e agitou as 50 mil pessoas que estavam no Centro de Convenções. Do lado direito da arquibancada, os foliões ergueram balões azuis e brancos e cantaram o enredo até o fim da apresentação.

Antes de levar a escola para a avenida, o presidente da Unidos da Alvorada, Heroldo Linhares disse que a escola iria apresentar um Carnaval de muito brilho e glamour, apesar de ter reduzido o número de carros alegóricos, o que mais chama atenção dos expectadores. “Estamos felizes em poder, mais uma vez, com muita garra fé e amor levar para avenida o nosso Carnaval de qualidade e alegria. O público vai poder prestigiar uma belíssima apresentação, que reserva muitas surpresas, ” garantiu.

Com um diferencial inovador, a bateria da escola de samba levou para a avenida 300 ritmistas, entre eles, 12 integrantes tocando instrumentos de sopro, promovendo arranjos surpreendentes, aliados a percussão. A surpresa deixou muita gente emocionada. A comissão de frente abriu o desfile às 22h50, com uma coreografia conduzida por um Rei Arthur e 15 homens que representavam os cavaleiros da távola redonda.

Com os primeiros passos dados na avenida, a escola conseguiu agitar os foliões, que cantaram fortemente, o enredo da escola, até o final da apresentação. No primeiro carro alegórico, a Alvorada trouxe para o sambódromo o grandioso Castelo de Avalon e a pedra onde ficou presa a espada Excalibur. No segundo carro, a escola homenageou o senador amazonense Arthur Virgílio Filho.

Feliz pela homenagem ao pai, o prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto elogiou a apresentação da terceira escola. “ Muito bonita a homenagem feita pela Unidos da Alvorada. Eles conseguiram resgatar uma história linda que começou com o meu pai. Foi um belíssimo trabalho”, disse o prefeito, que também parabenizou as demais escolas, que segundo ele, tiveram que se adequar para poderem participar do Carnaval deste ano.

Reino Unido

 

Reino Unido - foto: Marcio Melo

Reino Unido – foto: Marcio Melo

 

Quarta agremiação a entrar na avenida do samba na madrugada de domingo, a Reino Unido da Liberdade, levantou o público com aproximadamente 4,5 mil brincantes. Com o enredo, “Na arte de comunicar, vem meu Reino encantar”, a agremiação do bairro Morro da Liberdade, levou duas alegorias e um tripé, 33 alas, 300 ritmistas e 120 baianas para o sambódromo, com as cores verde e branca.

De acordo com o diretor-geral de harmonia, Clemilton Pinto, o samba contou a história da comunicação entre os homens, desde os primórdios, com escritos rupestres nas cavernas, até a era da tecnologia e de aplicativos de mensagens instantâneas. “Queremos levar para a avenida, o que há de mais interessante na arte de se comunicar e na forma em que o homem desenvolveu isso”, revelou o diretor que também é autor do enredo deste ano.

Ainda na concentração, o presidente da escola, Jairo Beira-Mar, explicou que apesar das dificuldades encontradas por conta da falta de recursos, a agremiação (que já possui nove  títulos de campeã do Carnaval), não deixou de apresentar empenho no desfile de domingo. “Não foi fácil chegar até aqui, mas aqui estamos e vamos fazer o nosso papel, levando um carnaval de qualidade e de alegria a todos”, disse.

Aos cinco minutos de desfile, o módulo tripé, utilizado na evolução dos integrantes da comissão de frente, apresentou dificuldade de locomoção em uma das rodas dianteiras, no entanto, foram consertadas rapidamente, o que não gerou grandes preocupações. A escola trouxe ainda uma ala, com 50 integrantes da velha-guarda e aproximadamente 150 portadores de necessidades especiais.

O coreógrafo da comissão de frente da escola, Tony Botelho, explicou que este ano, desemprenhou grande ousadia, ao levar 30 participantes para a comissão de frente, uma vez que o regulamento proíbe número acima de 15 participante, mas com criatividade, foi feita uma metamorfose na comissão.

A agremiação passou da faixa amarela e terminou o desfile com o aproveitamento máximo do tempo permitido de 70 minutos, o que preocupou integrantes da harmonia da escola. Entretanto, com a sensação de dever cumprido.

Aparecida

 

Aparecida - foto: Marcio Melo

Aparecida – foto: Marcio Melo

 

Às 1h20 foi a vez da quinta escola se apresentar. Com enredo inspirado no Grêmio Recreativo Escola de Samba Portela, do Rio de Janeiro, a Mocidade Independente de Aparecida emocionou o público presente no sambódromo, na madrugada deste domingo. A agremiação do bairro de Nossa Senhora Aparecida, levou 3,5 mil brincantes distribuídos em 27 alas, 80 baianas e 330 ritmistas e em duas alegorias acopladas e um tripé.

Ao som do enredo “A Soberana encontra a Majestade e, nesta passarela, “Eu nunca vi coisa mais bela”, trecho retirado da música marcante “Portela na Avenida”, de 1981, da cantora Clara Nunes, a agremiação trouxe exuberância e luxo em fantasias e alegorias, apesar de dificuldades financeiras.

De acordo com o diretor de carnaval, Hamilton Bandeira, filho do primeiro presidente da escola, César Bandeira, a maior dificuldade da escola foi a falta de recursos financeiros, mas não foi empecilho para fazer bonito no Carnaval. “Sempre trazemos qualidade para a avenida. Embora os recursos tenham sido poucos este ano, o carnaval foi muito bonito, como sempre fizemos”, explicou.

Conforme o presidente da escola, Luiz Pacheco, a ideia do enredo deste ano, surgiu durante uma conversa em primeiro de abril do ano passado, após uma brincadeira com membros da diretoria da escola. Para ele, uma brincadeira que deu certo. “Estávamos conversando e citamos que o enredo poderia falar da Portela, uma vez que a escola do Rio de Janeiro é a que mais possui títulos de campeã. Assim como a Mocidade Independente de Aparecida, ambas têm 21 títulos e a ideia foi amadurecendo e deu certo. Mesmo com dificuldades, a Aparecida não poderia diminuir seu Carnaval, tivemos que fazer muito esforço, mas trouxemos tudo com muito planejamento e muita responsabilidade”, ressaltou.

Ainda no módulo tripé utilizado durante o desempenho da evolução da coreografia dos integrantes da comissão de frente. A Mocidade trazia um enorme telão de LED, com os nomes, Aparecida e Portela, assim como uma enorme águia azul, símbolo da agremiação do carnaval carioca. No segundo e último carro alegórico, Zezinho Correa e Ednelza Sahdo animavam o público com o samba na ponta da língua. Ednelza foi porta-bandeira da escola por mais de 26 anos.

A Grande Família

 

Grande Família - foto: Marcio Melo

Grande Família – foto: Marcio Melo

 

Mesmo com o corte de mais de R$ 180 mil no orçamento deste ano e debaixo de forte chuva, A Grande Família, não deixou a “peteca cair” e fez bonito durante o desfile na madrugada de domingo (7). Sexta escola a entrar na avenida do samba, a agremiação da Zona Leste levou 3,6 mil brincantes, 26 alas, 60 baianas além de duas alegorias e um tripé. Este ano, a escola repetiu o enredo “Paz no trânsito”, do ano de 2006.

De acordo com presidente Luizinho Andrade, a escola de samba perdeu 75% da arrecadação deste ano, em comparação com o ano de 2015. “Foi difícil pensar em fazer um carnaval, com quase R$ 200 mil faltando, mas mesmo assim, conseguimos fazer bonito. Se não fosse a garra e a vontade de todos os envolvidos, nada teria dado certo. O desfile está aí, é do povo e para o povo”, lembrou.

A Grande Família trouxe na comissão de frente, aproximadamente 20 bailarinos para executarem os passos trinados. A camisa de membros da diretoria e integrantes da harmonia, ficou por conta da criatividade. A vestimenta trazia desenhos e formas da roupa original de agentes de trânsito.

“O enredo deste ano é repetido de dez anos atrás. Queremos mais uma vez mostrar que o trânsito não é brincadeira. Queremos fazer uma campanha de conscientização para que as pessoas reflitam e pensem em mudar suas atitudes no trânsito. Tantas brigas e muita gente perdendo a vida por tão pouco. Então pensamos nisto e mais uma vez vamos mostrar para que viemos. Com um carnaval saudável e exuberante”, concluiu o presidente.

Presente no desfile, o diretor-presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM), Leonel Feitoza, explicou que agradece a escola, o fato de trazer para a avenida um assunto importante para a população. “Esse tema deve ser debatido sempre, pois é um assunto que devemos ter sempre em mente. Paz no trânsito é algo que todos devemos ter. Agradeço a escola por essa megacampanha e que sirva de lição para quem curtir esse carnaval”, orientou.

Após vinte minutos do início do desfile, o módulo tripé apresentou um problema técnico em uma das rodas dianteiras, o que deixou enorme espaço entre a alegoria e os integrantes da comissão de frente. Entretanto, o problema foi logo resolvido com a força dos integrantes de apoio. A escola terminou o desfile tranquilamente, passando da faixa amarela aos 61 minutos de desfile.

Vitoria- Regia

 

Vitória Régia - foto: Marcio Melo

Vitória Régia – foto: Marcio Melo

 

Embalados pelo enredo que falou do personagem da literatura infantil Peter Pan, a Vitória-Régia, do bairro Praça 14 de Janeiro, levantou a fiel torcida que aguardava a verde-rosa, na madrugada de domingo, no sambódromo. Além da empolgação e do entusiasmo a verde e rosa deu vida a outros personagens que ilustraram os carros alegóricos, com os personagens: Meninos Perdidos, Sininho, tribos de índios, sereias, o vilão Capitão Gancho e sua tripulação de piratas, além do crocodilo que comeu a mão do capitão que vieram representados no abre-alas.

De acordo com o carnavalesco Kaleb Aguiar, a grande mensagem que a Vitória Régia passou a sua fiel comunidade e os amantes do samba é que não podemos deixar o samba morrer, nem a criança que existe dentro de nós envelhecer, comentou o carnavalesco.

Para o presidente da Vitoria Regia, Ivan Martins, a agremiação executou seu papel com êxito. “Concluímos e fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para que se pudesse executar uma grande disputa democrática entre as demais escolas. Contamos com a ajuda da comunidade que nos motiva e nos revigora, para que todos os dias possamos desenvolver os nossos trabalhos com detalhes e com atenção” pontuou Ivan

 

Andanças de Cigano

 

Andanças de Cigano - foto: Marcio Melo

Andanças de Cigano – foto: Marcio Melo

 

Contextualizando a obra divina da criação da luz, da cor, das tintas e das maravilhas criadas pelos homens, a Andanças de Ciganos, desfilou com 2.401 componentes distribuídos em 17 alas, na avenida do samba às 5h20 de domingo, para encerrar os desfiles do grupo especial de Manaus. As cores da escola – azul, vermelho e branco – estiveram bem representadas no desfile colorido da Andanças.

O diretor de Carnaval da Andanças, Wagno Oliveira, comentou que, apesar de toda a dificuldade financeira enfrentada pela escola e as demais co-irmãs, a agremiação veio com um desfile especial por conta da criatividade de seus artistas que vêm de Parintins. Havia grande expectativa por parte dos dois carros alegóricos da escola de samba da Cachoeirinha. A ala das baianas chamava a atenção por conta do colorido, assim como um dos carros, que trouxe artistas plásticos pintando quadros em meio ao desfile.

Por Bruna Souza, Luís Henrique Oliveira, Mairkon Castro e Síntia Maciel

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