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Calçada da Manaus Moderna vira moradia para sem ‘tetos’

As barracas são construídas em cima da calçada, em meio ao lixo e buracos, que alagam quando chove - foto: Marcio Melo

As barracas são construídas em cima da calçada, em meio ao lixo e buracos, que alagam quando chove – foto: Marcio Melo

Com barracas improvisadas de paletes de madeira e lonas, uma família e mais três pessoas, entre elas uma anciã, estão morando em um dos trechos do calçadão da avenida Manaus Moderna, Centro, nas proximidades da feira, há pelo menos cinco meses. Segundo eles, o abrigo improvisado é a única alternativa de moradia no momento. O espaço, além de servir de “casa”, também é uma alternativa para ganhar o sustento cotidiano. Enfrentando condições precárias de estrutura e saneamento, o grupo passa a maior parte do tempo dentro das barracas, onde também são vendidas frutas e verduras.

Com histórias de vida diferentes, as seis pessoas compartilham das mesmas circunstâncias e se ajudam da maneira que podem. Ao serem questionados sobre morar na rua, elas não hesitaram em relatar os reais motivos. A vendedora de verduras, Maria Elias Pereira, 40, mora em uma das barracas com o esposo e a filha de 14 anos. Maria relatou que nunca teve casa própria e conseguir um emprego de carteira assinada está difícil, ultimamente. Ganhando em média R$ 500 por mês, ela sobrevive com a família com a vendas dos legumes.

“Moramos aqui porque não temos casa e nem condições de pagar aluguel. Minha filha me ajuda com a venda de verduras. Meu marido tem deficiência nas duas mãos e ajuda no que pode. Estamos aqui há cinco meses. São muito difíceis as condições, mas por enquanto é onde podemos nos abrigar”, disse a vendedora, ao pedir o amparo do poder público.

A idosa Maria das Graças Amaral, que não soube informar a idade, disse que mora na rua porque foi desamparada pela única filha. “Ela não gosta de cuidar de mim, sempre me maltratou. Resolvi morar aqui por que me sinto melhor. Se ela quisesse o meu bem, já teria me tirado daqui”, desabafou. Com aspecto cansado e abatido, a anciã depende do apoio e cuidados dos companheiros que moram com ela no lar improvisado.

Morando há mais de 24 anos pelas ruas de Manaus, a desempregada Maria Auxiliadora de Souza 34, relatou que aos 10 anos fugiu de casa e nunca mais teve contato com os familiares. “Já estou aqui na feira há mais de 5 anos. Nunca tive amparo de ninguém. Abandonei minha família pois não aguentava mais ser abusada sexualmente, pelo meu padrasto. Não tenho marido, nem filhos. Vivo bem assim, apesar de sonhar com algo melhor para mim”, relatou.

Um venezuelano, que veio para Manaus há 2 anos na companhia do irmão, também se encontra na mesma condição. Ele disse que se perdeu do irmão e desde então não conseguiu voltar para o país de origem. Depois de passar algum tempo tentando ajuda, ele se conformou com a moradia na feira.

Precariedade

As barracas são construídas em cima da calçada, em meio ao lixo e buracos, que alagam quando chove. Questionados sobre a falta de saneamento, eles disseram que não se incomodam e que sobrevivem ao caos. A comida é feita no chão, em um fogão improvisado. Os alimentos são manipulados em cima de um pedaço de madeira e, em seguida, levados ao fogo. “A gente se vira, só não tem jeito para a morte”, brincou Maria Pereira.

Sem água e banheiro, o grupo depende dos banheiros disponibilizados pela feira, mas precisa pagar R$ 1 sempre que precisa usá-los. “Às vezes, só dá para ir uma vez. Quando o dinheiro, sobra vamos mais vezes. Temos que economizar o dinheiro para o mês inteiro, senão teremos que fazer nossas necessidades na rua”, informou Maria Auxiliadora.

Por Bruna Amaral

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