Cultura

Caetano, Arnaldo Antunes e Tom Zé se unem no tributo a Augusto de Campos

 Muitos têm parcerias e ligações com a poesia concreta e com o trabalho de Augusto - foto: divulgação

Muitos têm parcerias e ligações com a poesia concreta e com o trabalho de Augusto – foto: divulgação

Dois shows neste sábado (30) e domingo (31), com ingressos esgotados, encerram a exposição REVER – Augusto de Campos, a maior individual já realizada do poeta, que ocupou o Sesc Pompeia no mês de julho. Nos dois dias, a celebração da relação do trabalho de Augusto com a música recebe tributo de Arnaldo Antunes, Caetano Veloso, Cid Campos, Péricles Cavalcanti e Tom Zé.

Os participantes do show Sompoesia foram e são associados a uma música pop de vanguarda, a uma aposta em experimentações. Muitos têm parcerias e ligações com a poesia concreta e com o trabalho de Augusto.

Em 1983, o programa “Fábrica do Som”, produzido pela TV Cultura e gravado no mesmo teatro do Sesc Pompeia, prestou homenagem a Augusto de Campos com uma noite de música. Caetano, Péricles e Cid Campos participaram daquele programa, cujo formato é inspiração para as duas apresentações do fim de semana.

Cid, baixista e filho de Augusto, afirma estar muito feliz ao conseguir reunir esse elenco. “Puxa, são dois dias e as agendas deles são complicadas, mas todo mundo quis participar de qualquer jeito. A base da apresentação é um show meu, como meus músicos, e vou chamando os convidados.”

Cid deve tocar no começo do show a música “Mamãe Merece”, que ele também mostrou em 1983. Cada convidado deve fazer três ou quatro músicas. “Péricles vai mostrar ‘Novoleta’, que apresentou em 1983 com Regina Casé. Depois entram Arnaldo, Tom Zé. O próprio Augusto, aos 85 anos e em plena atividade artística, fará uma participação, declamando poemas.”

A ideia do show é um recorte de compositores populares que fizeram trabalhos ligados à poesia concreta, mostrando poemas musicados e também traduções de Augusto, como “Elegia”, de John Donne. Caetano gravou a versão de Augusto desse poema, mas quem deve cantá-la agora é Péricles.

“O maior desafio”, prossegue Cid, “é trabalhar com textos que na maioria das vezes não foram feitos para serem musicados, e mesmo assim conseguir um resultado harmonioso, um som de canção.” O músico fez há tempos um levantamento de músicas ligadas aos três maiores nomes da poesia concreta, Décio Pignatari e os irmãos Augusto e Haroldo de Campos, e contabilizou mais de 200 gravações.

Tom Zé

Um dos convidados do show, Tom Zé fica impressionado com a penetração da poesia concreta no cotidiano. “No aeroporto de Congonhas, o estacionamento se chama SaoParking. Acho que o Augusto deve ter ido lá cortar uma fita na inauguração. É uma expressão que parece tirada do traquejo e do manejo das palavras que os concretos fazem. É impressionante, Cheguei a tomar nota de nomes de bares, de promoções de lojas, com palavras truncadas, palavras plurisignificantes. Até quem não sabe o que é poesia concreta já a assimilou de alguma forma,”

O músico tem um sentimento de gratidão a Augusto de Campos. “Quando chegamos a São Paulo, nós, ligado à tropicália, tivemos um apoio de uma parte da intelectualidade, da qual Augusto era integrante.”

Por Folhapress

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