Dia a dia

Brincadeira de empinar pipas à noite vem ganhando vários adeptos em áreas distintas de Manaus

Papagaios noturnos invadem os céus- foto: Arthur Castro

Papagaios noturnos invadem os céus- foto: Arthur Castro

A paixão por empinar pipa vem de menino. Durante os dias de domingo é comum contemplarmos o céu de Manaus enfeitado com um colorido de papel, nylon e rabiolas que dançam e se desafiam no ar. Entretanto, uma nova modalidade vem surgindo durante as noites com papagaios noturnos que se entrelaçam e se exibem sob a escuridão da cidade.

Em um dos pontos de maior movimento, banhado pelo rio Negro, e barcos ancorados como testemunhas, dezenas de homens e meninos invadem a orla do bairro São Raimundo, na Zona Oeste, durante a noite, para embalar suas pipas noturnas. A competição é realizada todas as quartas-feiras há mais de 1 ano e vem ganhando adeptos, chamando atenção de curiosos que se aglomeram para assistir atentos os desafios dos “papagaios” noturnos.

Mauro Ricardo, um dos organizadores do evento, garante que a ideia surgiu porque muitos brincantes não têm tempo durante o dia, e também para fugir do forte calor amazônico que cai na cidade durante as tardes de verão. “Nós começamos a brincadeira há mais ou menos 1 ano. Começou devido principalmente à questão do nosso sol, que sabemos que o calor se torna quase insuportável. Algumas pessoas aqui vivem da pipa, chegam tarde em casa e só tem o período da noite para a brincadeira”, ressalta o autônomo.

Os participantes do São Raimundo formaram uma associação, denominada Associação Manaus Pipa, que tem mais de cem membros inscritos, com direito a presidente, diretoria organizada e página em rede social.

Segundo Rochinha, vice–presidente da Manaus Pipa, a brincadeira também tem um cunho social. “A nossa brincadeira tem o intuito de tirar os jovens do São Raimundo do mundo das drogas, do roubo, pois é à noite que acontecem os assaltos. Então buscamos também esse lado social”.
Conforme o organizador, nas noites de quarta-feira, o evento chega a reunir mais de 300 pessoas. “Temos uma média de cem brincantes em dias bons. Ultimamente tem diminuído principalmente pela falta de ventos durante a noite, pela chegada do inverno. Durante o dia, aos domingos, chegamos a ter mais de 300 pessoas empinando pipa aqui na orla”, assegura.

Indagados sobre o porquê da escolha noturna, Rochinha afirma o que muito dos manauenses conhecem de perto: o forte calor. “Escolhemos a atividade noturna por causa do calor e aqui no porto é um local mais ameno por causa do rio, da brisa do rio Negro”.
Outro praticante noturno, o vendedor de pipas Samuel Melo diz que aproveita o tempo livre durante à noite para se divertir e também é uma maneira de fazer testes do seu equipamento e meio de vida. “Durante à noite conseguimos esse espaço bacana. Desde de criança que brinco aqui no bairro, venho agora com meu filho”, destaca o vendedor.

Sobre a falta de vento noturno, o brincante diz que o objeto voador não precisa de muito vento para alçar voo. “Essa aqui é uma arraia chilena, ela não precisa de muito vento, nem da rabiola. Só é soltar a linha que ela começa a voar”, garante Melo enquanto empina o brinquedo.

Apesar de ser uma área ampla, muitos praticantes reclamam da falta de iluminação e relatam até casos de estupros no porto do São Raimundo. “A segurança fica por nossa conta. Já presenciamos diversos assaltos aqui dentro. A iluminação é precária e a polícia só aparece para vigiar os barcos que ancoram na orla”, relata Mauro Ricardo.

Outros locais

A prática noturna tem se difundido por diversos bairros nas zonas da cidade. No campo do Canaranas, localizado no bairro Cidade Nova, na Zona Norte, os praticantes se divertem às quintas-feiras. Outro local bastante frequentado tem sido o bairro do São Francisco, localizado na Zona Sul, no campo de futebol da comunidade. No conjunto Ouro Verde, no bairro Coroado, Zona Leste, alguns adeptos da modalidade também se reúnem às quartas-feiras. Esses são os três pontos de maior frequência dos apaixonados pela pipa

Por Stênio Urbano

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