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Brasileiros pagaram R$ 2 trilhões de impostos em 2015; recorde dos últimos 10 anos gerou protesto em Manaus

o evento teve como objetivo conscientizar a população sobre a importância de fiscalizar os impostos que são arrecadados - foto: Henderson Martins

o evento teve como objetivo conscientizar a população sobre a importância de fiscalizar os impostos que são arrecadados – foto: Henderson Martins

O Impostômetro, mecanismo criado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para medir o valor dos tributos [impostos, taxas e contribuições] pagos pelo cidadão brasileiro durante o ano, chegou, por volta das 10h desta quarta-feira (30), a R$ 2 trilhões.

Esta foi a primeira vez que a ferramenta atingiu essa marca e valor já é considerado o maior dos últimos dez anos, o que gerou protestos em Manaus.

“Se fossem melhor aplicados, R$ 2 trilhões em tributos pagos pelas empresas e cidadãos seriam mais do que suficientes para atender às necessidades de todos os brasileiros”, disse Alencar Burti, presidente da ACSP.

Visando conscientizar a população amazonense sobre como está sendo administrado o dinheiro público, a faculdade Maurício Nassal, na Chapada, onde está localizado o impostômetros de Manaus, reuniu alunos de diversos cursos, que fecharam a avenida Constantino Nery, e com gritos de ordem, pediam o retorno de todo imposto arrecadado.

O diretor da faculdade, Iyad Amado Hajaj, 34, explicou que o evento teve como objetivo conscientizar a população sobre a importância de fiscalizar os impostos que são arrecadados.
“Todos devem saber que esse imposto é dinheiro do contribuinte que deveria estar sendo canalizado e utilizado, justamente para ações de melhorias de transporte, segurança e educação e não da maneira irregular que é gerido o recurso”, disse Iyad.

O estudo de administração, Felipe Sicsu, 22, que participou do ato de reivindicação, caracterizou a crise econômica que o país vem enfrentando como uma má gestão do dinheiro público.

Conforme o estudante, o protesto serve para as pessoas terem a ideia que existe sim uma grande gama de dinheiro arrecadado, no entanto, segundo o estudante, ninguém tem consciência para onde está indo esse recurso.

“Não conseguimos perceber esse dinheiro empregado na saúde, ou na educação ou mesmo no transporte público, uma vez que falta tudo nos hospitais e a fila para atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS) cresce cada vez mais. A educação do país cresceu muito pouco e chega a ocupar a posição 60ª no ranking mundial. Gostaríamos de saber para onde está sendo empregado todo esse recurso”, disse Felipe.

Reforma

“É imprescindível uma reforma tributária no Brasil, que só poderá ser feita se houver solução satisfatória para a crise política, na urgência que o país requer”, opinou Alencar Burti.

Com esse valor arrecadado pela União, estados e municípios, daria para se fornecer mais de 14 bilhões de bolsas famílias, adquirir mais de 1,66 bilhões de notebooks, contratar mais de 149,9 milhões de professores do ensino fundamental por ano, construir mais de 21,7 milhões de quilômetros de redes de esgoto ou construir mais de 57,1 milhões de casas populares de 40 metros quadrados, por exemplo.

Ainda segundo a ACSP, os tributos federais representam 65,95% dos R$ 2 trilhões arrecadados este ano, enquanto os estaduais equivalem a 28,47% e os municipais, a 5,58%. Individualmente, o tributo de maior arrecadação é o ICMS (19,96% do total), seguido do INSS (19,18%), Imposto de Renda (15,62%) e Cofins (10,13%).

Nova metodologia

Neste ano, segundo a ACSP, houve uma alteração na metodologia aplicada no Impostômetro, em função de mudança na medição do Produto Interno Bruto (PIB) pelo IBGE.

Com isso, os valores exibidos pelo Impostômetro passaram a considerar novos dados de arrecadação de Imposto de Renda retido dos funcionários públicos estaduais e municipais e novas taxas e contribuições federais. Também foram incluídas arrecadações de municípios que não estavam sendo informadas à Secretaria do Tesouro Nacional.

Com informações de Henderson Martins e Agência Brasil

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