Política

Brasileiro paga caro por corrupção e sonegação

O brasileiro trabalha 32 dias a mais por ano somente para pagar a corrupção e o superfaturamento das compras públicas no país. Conforme estudo elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) com base em 3 milhões de compras de mercadorias realizadas em órgãos públicos federais, estaduais e municipais, os valores chegam a ser, em média, 17% superiores aos preços praticados no mercado privado.

O estudo foi feito a partir da análise dos documentos obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (lei número 12.527/2011) e da comparação com o preço das mesmas mercadorias, nas mesmas datas, feitas por empresas privadas.

Reflexos

Segundo o economista Ailson Rezende, os números negativos refletem nos serviços públicos prestados pelo Estado à sociedade, como transporte, segurança, saúde e educação.

Ele relembrou estudo anterior divulgado pelo IBPT, em que o brasileiro trabalha quatro meses por ano só para pagar impostos. “Na medida em que você paga uma sobretaxa para um determinado bem, você deixa de investir em segurança, você não tem verba suficiente para equipar os hospitais e pagar um salário digno para os profissionais, por exemplo. Se formos fazer um levantamento frio, o que o poder público compra é muito superior ao que paga o público em geral”, avaliou.

Já o presidente da Associação Comercial do Amazonas (ACA), Ismael Bicharra, adotou cautela para comentar os números divulgados pelo IBPT acerca do superfaturamento em compras públicas. Segundo ele, qualquer tipo de corrupção é prejudicial à classe produtora e à população do país. “Prejudica tudo, é um sangramento no país, é um sangramento no seu próprio povo. Quando eu falo povo é o comércio, a indústria, a agricultura, por exemplo. Por outro lado, você vê pessoas querendo ser mais espertas que as outras, fazendo coisas ilegais”, resumiu Bicharra.

Lançamento

O estudo do IBPT resultou na criação do projeto Lupa nas Contas Públicas, que irá disponibilizar um portal para que a sociedade possa verificar a média de preços praticados nas transações dos mercados privado e público. O projeto disponibilizará ainda ferramentas tecnológicas gratuitas aos órgãos públicos, de maneira que suas bases de compras possam ser estruturadas, possibilitando também a comparação de preços com o mercado privado.

O lançamento do projeto Lupa nas Contas Públicas e a divulgação na íntegra do estudo serão realizados no dia 4 de agosto de 2015, às 10h, na sede do IBPT, em São Paulo.

“O projeto Lupa tem o objetivo de garantir uma análise apurada, transparente e objetiva a todos os brasileiros para que tenham condições de monitorar, acompanhar e denunciar as irregularidades nas compras públicas”, afirmou o presidente do Conselho Superior e coordenador de estudos do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral.

 

Por ANDRÉ TOBIAS  e assessorias

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