Cultura

Bolsistas ensaiam apresentação de Tchaikovsky para o Festival de Inverno

A "Sinfonia nº 4" é a primeira obra cíclica de Tchaikovsky, em que faz a retomada do tema do primeiro movimento no final - foto: divulgação

A “Sinfonia nº 4” é a primeira obra cíclica de Tchaikovsky, em que faz a retomada do tema do primeiro movimento no final – foto: divulgação

Depois de duas semanas de estudos, é hora de os bolsistas do 47º Festival de Inverno de Campos do Jordão encararem o destino. Não só o deles no evento, já que neste domingo (17) acontece a premiação do melhor, logo após o concerto na Sala São Paulo, mas também o destino sobre o qual trata Tchaikovsky (1840-1893) em sua “Sinfonia nº 4, em Fá Menor, Op. 36”.

É essa a música que eles irão tocar neste sábado (16), às 20h30, em Campos do Jordão, e no domingo (17), às 11h, na Sala São Paulo. O programa contará também com a “Estância, Op.8a: Quatro Danças”, do compositor argentino Alberto Ginastera (1916-1983). A regência será do costarriquenho Giancarlo Guerrero.

A “Sinfonia nº 4” é a primeira obra cíclica de Tchaikovsky, em que faz a retomada do tema do primeiro movimento no final. E é justamente o tema do “fatum”, ou destino, que marca o início dessa sinfonia. O compositor busca expressar essa força fatal que impede a felicidade plena e destrói a esperança. Há apenas momentos fugidios de alegria.

“Tchaikovsky é perfeito para os músicos jovens porque requer toda a representação de sentimento, de alegria, de tristeza, de ódio e de esperança, e eles compreendem isso rapidamente”, diz o maestro Guerrero. Ele conta que a primeira vez que ouviu a musica tinha 14 anos e ficou impressionado.

“Às vezes nessa música você sente que não há chão, você fica no ar. Como na vida, podemos ter momentos de triunfo e estar tudo perfeito, mas o destino sempre tem a habilidade de mudar tudo em um instante”, diz.

De Ginastera, foi escolhida a sua música talvez mais famosa. “O compositor utiliza o folclore latino-americano com técnicas de composição europeia. Sua música soa muito fresca”, diz Guerrero.

O maestro, que já participou de outras edições do festival, caiu nas graças dos bolsistas, com seu jeito amistoso, teatral e também exigente.

A oboísta Layla Kohler Baratto, 16, adorou aprender mais sobre Tchaikovsky. “O maestro disse que Tchaikovsky teve momentos difíceis ao longo da vida, que ele era homossexual e seu casamento foi um desastre”, conta.

“Ele é um ator”, diz a violinista Sarah Nojosa, 15, que no ano passado ganhou o prêmio Eleazar de Carvalho e uma bolsa de estudos de três meses em Haia, na Holanda. A jovem conta que Guerrero faz gestos corporais para explicar as intenções dos compositores em suas obras. “Ele é divertido, mas sempre para falar de coisas sérias”.

Guerrero diz que o Festival de Inverno de Campos do Jordão é um de seus trabalhos favoritos. “Quando eu era mais jovem, eu ia a festivais bem mais limitados que este. Este aqui tem nível internacional.”

Ele disse que neste ano encontrou, inesperadamente, mais brasileiros que estrangeiros, e se superou com a diversidade de origem dos bolsistas. “São pessoas de lugares e com níveis sociais diferentes, mas todos com uma coisa em comum: a música”, diz. “Isso não se pode perder.” Na opinião de Guerrero, o Festival é um exemplo a ser seguido, que se mantém mesmo em época de crise e instabilidade política. “É um trabalho único no mundo.”

No domingo, após o concerto, será anunciado o vencedor do prêmio Eleazar de Carvalho, oferecido pela Secretaria Estadual de Cultura, por intermédio da Fundação Osesp.

O bolsista que mais se destacar nesta edição ganhará bolsa de US$ 1.400 mensais para estudar por um período de até nove meses em uma instituição estrangeira de sua escolha, além de ter cobertas as despesas de translado entre o Brasil e o exterior.

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