Economia

Bolsa sobe quase 2% com exterior positivo; sem ação do BC, dólar cai

O bom humor contagia os mercados globais nesta terça-feira (19), com alta dos preços das commodities e recuo do dólar ante as principais moedas. O Ibovespa segue o exterior e sobe quase 2%, impulsionado pela alta das ações de Petrobras, Vale e siderúrgicas.

A moeda americana recua ante o real, para o patamar de R$ 3,54, também acompanhando o cenário externo. O Banco Central não anunciou para esta sessão leilão de swap cambial reverso, o que contribuiu para o movimento.

No campo político, os investidores seguem de olho nos próximos passos do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que será lido nesta terça-feira no Senado. O mercado também acompanha indicações de como seria um governo do vice-presidente Michel Temer, caso a presidente seja afastada.

“O número de votos para afastamento da presidente divulgado por jornais e a perspectiva de um rearranjo de ministérios tem viés positivo para o novo governo, a depender da governabilidade e aceitação dos congressistas”, diz a Lerosa Investimentos, em relatório.

BOLSA

O Ibovespa avançava há pouco 1,89%, aos 53.891,34 pontos. As ações PN da Petrobras avançavam 3,67%, a R$ 9,58, enquanto as ON subiam 4,50%, a R$ 12,39, beneficiadas pela alta do petróleo.

A commodity sobe com a redução da produção no Kwait pelo terceiro dia, em função de uma greve de trabalhadores do setor. Assim, o petróleo reverte as perdas desta segunda-feira (18), ocorridas após o fracasso da reunião entre países no domingo (17), que não chegaram a um acordo para congelamento da produção.
Em Londres, o petróleo Brent subia 2,54%, para US$ 44,00 o barril; em Nova York, o WTI ganhava 3,29%, a US$ 41,09.

Já as ações PNA da mineradora Vale ganhavam 7,89%, a R$ 15,72, e as ON, +8,97, a R$ 20,76.

O preço do minério de ferro em Qingdao, na China, subiu pela segunda sessão seguida. Nesta terça-feira, a alta foi de 4,13%, para US$ 62,85 a tonelada.

As ações de siderúrgicas também apresentavam altas expressivas: CSN ON, +10,90%; Gerdau PN. +7,97%; e Usiminas PNA, +7,72%.

No setor financeiro, Itaú Unibanco PN subia 0,79%; Banco do Brasil ON, +1,35%; Bradesco PN, +0,53%; Santander unit, +0,17%; e BM&FBovespa ON, +2,48%.

CÂMBIO

O dólar à vista perdia 0,75%, a R$ 3,5418, enquanto o dólar comercial recuava 1,50%, a R$ 3,5440. Pela primeira vez em quase duas semanas, o Banco Central não anunciou até o momento leilão de swap cambial reverso, que equivale à compra de dólar pela autoridade monetária.

“Ainda que o BC não tenha anunciado leilões de swap reverso, pode voltar a atuar, a depender do mercado, é claro”, afirma a equipe de análise da Guide Investimentos, em relatório. “Muitos analistas vão destacando o patamar de R$ 3,50 como sendo importante. Se a moeda voltar a testá-lo, espera-se que o BC volte a intervir.”

Para Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, o cenário externo positivo e o aumento do apetite por risco permitem novas quedas do dólar ante o real ao longo da semana, e a moeda americana pode voltar a ser negociada abaixo de R$ 3,50.

Ele avalia que, no campo doméstico, o foco imediato do mercado é a substituição da presidente Dilma Rousseff. “A perspectiva de que o Senado confirmará a decisão da Câmara dos Deputados de aprovar o processo de impeachment deve manter os investidores otimistas”, afirma. “Isso se sobrepõe neste momento a temores sobre como será o novo governo.”

JUROS

O mercado de juros futuros segue em queda, renovando as mínimas desde julho de 2015, em meio às expectativas de corte da taxa básica de juros (Selic) ainda neste ano com o arrefecimento da inflação.

O contrato de DI para janeiro de 2017 passava de 13,480% na véspera para 13,475%; o contrato de DI para janeiro de 2021 saía de 12,860% para 13,840%.
O CDS (credit default swap), espécie de seguro contra calote e outro indicador da percepção de risco do país, caía 1,53%, para 336,716 pontos.

EXTERIOR

A alta das commodities impulsiona os mercados acionários mundiais. Em Nova York e na Europa, resultados corporativos do primeiro trimestre melhores do que as estimativas também estimulam as compras.

Na Bolsa de Nova York, o Dow Jones ganhava 0,16%, o S&P 500, +0,31%; a exceção era o Nasdaq, que recuava 0,52%.
Na Europa, a Bolsa de Londres subia 0,79%; a de Paris, +1,22%; Frankfurt, +2,17%; Madri, +0,89%; e Milão, +0,29%.

Na Ásia, a maioria das Bolsas também terminou o pregão no campo positivo.

Por Folhapress

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