Mundo

Bolívia acusa Chile de ‘amnésia’ nas negociações por acesso ao mar

Representantes da Bolívia no tribunal internacional de Haia, na Holanda, acusaram o Chile de “amnésia coletiva” ao negar o acesso boliviano ao Pacífico.

O país ingressou em 2013 com um pedido na corte internacional para obrigar o Chile a negociar uma possível saída da Bolívia ao mar.

O Chile afirma que a Bolívia pode usar seus portos em Arica e Antofagasta, no norte do país, mas a Bolívia exige um acesso soberano (ou seja, controle sobre parte do território que hoje pertence ao Chile).

Nesta quarta-feira (6), foi a vez de a Bolívia apresentar seus argumentos em Haia.

A advogada Monique Chemillier, uma das representantes do país, afirmou que o Chile negligencia suas promessas de negociação feitas no passado e acusou o país vizinho de “amnésia coletiva”.

A argumentação boliviana é que o Chile se propôs em repetidas ocasiões, por meio de cartas e documentos diplomáticos, ceder um acesso ao mar ao vizinho.

“Promessas unilaterais ou intercâmbio de cartas são a fonte de sua obrigação de negociar de boa-fé um acesso soberano ao mar em benefício da Bolívia”, afirmou Chemellier, citando negociações feitas entre 1920 e 1983.

O Chile apresentou seus argumentos à corte na segunda (4). O país pediu que o tribunal de Haia se declare incompetente para julgar a demanda boliviana, uma vez que a divisão territorial entre os dois países foi definida em um tratado de paz de 1904.

A Bolívia levou para Haia nada menos do que dois ex-presidentes (Eduardo Rodriguez Veltzé e Carlos Mesa) para advogar em favor de seu pleito, que foi transformado por Evo Morales em questão de interesse nacional.

Desde segunda (4) a bandeira da reivindicação marítima está hasteada em La Paz.

A Bolívia cedeu ao Chile uma área de 120 mil km² e uma costa litorânea de 400 km (equivalente ao dobro do litoral de Pernambuco) após a Guerra do Pacífico (1879-1883).

Vinte e cinco anos depois do conflito armado, Bolívia e Chile assinaram um tratado de paz em que o Chile se comprometia em indenizar a Bolívia e oferecer facilidades no acesso aos portos da região dominada.

Nos anos 1980, porém, os portos de Arica e Antofagasta foram privatizados, e os custos para as transações operadas pela Bolívia aumentaram, o que fez crescer o descontentamento boliviano.

As relações diplomáticas entre os dois países ficaram mais estremecidas depois que a Bolívia decidiu acionar o Chile em Haia. O Peru já processou (e ganhou) do Chile um faixa de mar após um julgamento da corte internacional, no ano passado.

Por Folha Press

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Quis autem vel eum iure reprehenderit qui in ea voluptate velit esse quam nihil molestiae consequatur, vel illum qui dolorem?

Temporibus autem quibusdam et aut officiis debitis aut rerum necessitatibus saepe eveniet.

Copyright © 2016 EM TEMPO Online. Todos Os Direitos Reservados.

Subir