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Boatos em novos ataques em redes sociais deixam RN em alerta

O taxista Denílson dos Santos, 28, saca o telefone celular para mostrar uma série de áudios que recebeu num aplicativo de mensagens nos últimos dias.

Num deles, um suposto líder de uma facção criminosa que atua no Rio Grande do Norte afirma que escolas e faculdades tradicionais da capital serão atacadas. Em outro, a população é orientada a estocar alimentos porque os supermercados seriam incendiados.

Na praia de Ponta Negra, em Natal, um vendedor de passeios turísticos, um bugueiro e até mesmo o artesão que faz colares na calçada mostram nos celulares áudios como estes.

Além dos ataques registrados em 29 cidades do Rio Grande do Norte, uma onda de boatos que circula nas redes sociais deixou a população em Estado de alerta. Segundo a polícia, as gravações são falsas e estão sendo investigadas.

“Estamos identificando quem está transmitindo e propagando estes boatos. São pessoas que querem causar terror e amedrontar à população”, afirma o delegado geral da Polícia Civil Cleilton Pinho.

Desde a última sexta-feira (29), foram registradas 80 ocorrências em 29 cidades do Estado, sendo 46 incêndios, 19 tentativas de incêndios, sete disparos contra prédios públicos, quatro explosões de artefatos caseiros e três depredações.

Em Natal, após um fim de semana violento, a cidade tenta voltar à normalidade. Na manhã desta terça (2), trabalhadores aglomeravam-se a espera dos ônibus, que ainda não estão circulando com a frota completa.

“Além da insegurança de sair na rua, há poucos ônibus circulando”, reclamou a professora Maria Gisélia Rocha, 47, esperava há mais de meia hora pelo transporte bairro de Ponta Negra.

Segundo o Seturn, sindicato que representa as empresas de ônibus, 70% dos 720 ônibus da frota da capital potiguar estão nas ruas. Os ônibus, contudo, vão retornar às garagens por volta das 21h, três horas antes do horário habitual.

As escolas da rede estadual e municipal retomaram as aulas, mas algumas faculdades e escolas particulares optaram por não abrir as portas.

Em bairros mais pobres, o clima é de medo. No morro Mãe Luiza, próximo à praia de Areia Negra, há carros queimados nas principais vias. Apreensivos, os poucos moradores que estão nas ruas preferem não comentar os ataques.

No bairro de Brasília Teimosa, onde três ônibus foram incendiados, moradores e comerciantes reclamam da falta de segurança. “O governo só toma providência depois que as coisas acontecem”, diz o vigilante Roberto Borges, 43.

Segundo ele, moradores do bairro estão está evitando sair às ruas. Parte deles não está indo trabalhar por falta de transporte público: “Está todo mundo assustado”.

No domingo (31), o presidente interino, Michel Temer, autorizou o uso Exército no Rio Grande do Norte para combater a onda de violência. As tropas, contudo, ainda não estão atuando nas ruas da capital.

Prisões de líderes

Nesta terça, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Norte anunciou a prisão mais dois dos supostos líderes dos ataques.

Foi preso Daniel Silva de Carvalho, 29, apontado como o segundo líder mais importante da facção “Sindicato do Crime” e responsável pela logística dos ataques. A facção não possui relação com grandes facções paulistas ou cariocas, e se opõem ao PCC (Primeiro Comando da Capital), organização criminosa armada nascida no Estado de São Paulo.

Segundo a polícia, ele atuava como intermediário entre os autores dos ataques e do líder da facção, conhecido como “João Magro”, que foi preso no último domingo (31) em um condomínio de luxo na cidade de Parnamirim.

Daniel tinha uma condenação por tráfico de drogas, pela qual cumpria pena em regime semiaberto, e um mandado de prisão em aberto por assassinato.

Também foi anunciada a prisão de Islênia de Abreu Lima, 22, mulher de outro líder da facção conhecido como “Diogo Branco” e que está preso no Presídio Federal de Porto Velho, em Rondônia.

Ao todo, a Secretaria de Segurança Pública contabiliza 80 pessoas detidas ou apreendidas desde o início dos ataques.

Segundo o governo do Rio Grande do Norte, os ataques teriam sido ordenados de dentro de presídios e seriam uma retaliação à instalação de bloqueadores de celulares no presídio de Parnamirim.

A reportagem apurou, contudo, que o bloqueador ainda não foi instalado.

Por Folhapress

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