Cultura

Bica festeja 30 anos com muito humor e irreverência

Este ano, além das marchinhas e do público fantasiado, a Banda da Bica terá bolo de comemoração – foto: Ione Moreno

Este ano, além das marchinhas e do público fantasiado, a Banda da Bica terá bolo de comemoração – foto: Ione Moreno

Focando suas baterias de humor e críticas sobre a operação Lava Jato, no “Japonês da Polícia Federal”, nas trapalhadas do presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, e na batalhas na Justiça Federal para mudar os resultados da eleição de 2014 para o governo do Estado, a Banda Independente Confraria do Armando (Bica) sai neste sábado (30), a partir das 16h, no largo São Sebastião.

Coincidentemente, a banda completa 30 anos exatamente no dia 30 de janeiro, por isso, este ano não será um Carnaval igual àquele que passou, pois haverá bolo de comemoração com direito a “Parabéns”, telão que reviverá imagens de antigos Carnavais da Bica e do português Armando e a animação de três bandas de metais, além da bateria do Reino Unido.

De acordo com a “general” da banda, Ana Cláudia, filha do português Armando Soares – morto em 2015 –, apesar do crescimento da banda, o que torna mais difícil a sua organização, a Bica não pode morrer porque já faz parte do calendário turístico de Manaus.

“Este ano, além dos 30 anos, estamos festejando também o tombamento do bar como Patrimônio Cultural e Imaterial de Manaus, por meio de um projeto do deputado Bosco Saraiva (PSDB)”, festeja Ana Cláudia.

Hoje em dia, por volta das 20h, quando a banda atinge seu maior pico, a Bica deve reunir no largo São Sebastião, aproximadamente, 70 mil pessoas – de acordo com o cálculo da PM no ano passado.

Amor de Bica

A Bica é a mais tradicional banda de Manaus. Foi fundada no dia 17 de janeiro de 1987, numa rodada de cerveja no bar da Praça São Sebastião, que naquela época ainda se chamava, pasmem, Bar e Mercearia Nossa Senhora de Nazaré.

Em plena ditadura, o bar do português era uma espécie de república livre que reunia jornalistas, juristas, estudantes universitários, poetas, músicos, artistas plásticos e outros “bichos”.

Naquela histórica mesa, no inverno de 1986, estavam os músicos Celito Chaves (que já partiu), sua mulher, a arquiteta Heloísa Cardoso, e o advogado Sérgio Litaiff, que, inclusive, sugeriu o nome da banda. Numa segunda mesa, mais ao lado, estavam os jornalistas Diocleciano Souza, Mário Adolfo, Inácio Oliveira, o escritor Simão Pessoa, o psiquiatra Rogelio Casado e os fotógrafos Carlos Dias e Isaac Amorim.

Nas assinaturas colhidas por Heloísa, que preenchem as primeiras páginas do “Livro de Ouro” da Bica, aparecem ainda como “testemunhas da história” Glória Mona, Orlando Farias, Américo Madrugada, Mário Jorge Buriti, Aldemar Bonates, Eduardo Gomes, o advogado Aristófanes de Castro, Amercy Souza e Minos Adão.

De cara, em seu 2º artigo, o estatuto da Bica, escrito a oito mãos, avisava: “A Bica propõe-se ao extravasamento sadio, sarcástico e bem-humorado de seus componentes”. Naquela mesma noite ficou estabelecido que a fantasia original da banda fosse camiseta, cueca samba-canção e sapato de couro com meia.

O primeiro estandarte, expondo a figura de uma mortadela, uma cebola e uma cueca foi desenhado pelo famoso artista plástico Manoel Borges (que também já morreu), que só aparecia no bar para devorar um sanduba de pernil, batizado pelo jornal de humor “Candirus” de “chease-porco”.

Aliás, o jornal nanico foi lançado por Mário Adolfo e Simão Pessoa também em 1987, no próprio Bar do Armando. A primeira marchinha da banda, composta por Celito e Toscano, dizia: “A Banda Independente e Confraria do Armando/ tá todo mundo dando/ tá todo mundo dando/ Dando alegria para esse pessoal/ que quer fazer o verdadeiro Carnaval/ não tem baile de gala/ não tem baile de Chita/ vem entrar na Bica/ vem entrar na Bica…”.

A partir daí, o escracho seria a marca da banda, pegando como mote escândalos políticos e comportamento pouco recomendáveis de homens públicos. A rainha da Bica foi mais uma grande sacada de seus fundadores, a veneranda senhora Petronila de Carvalho, que à época tinha 70 anos e saiu na Bica até os 1990, numa prova de que, na Banda do Armando, energia é o que não falta.

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