Dia a dia

Beleza e inutilidade de chafarizes pela cidade

 Alguns custaram mais de R$ 2 milhões, em obra e desapropriações, sem sair uma cota de água - foto: Diego Janatã

Alguns custaram mais de R$ 2 milhões, em obra e desapropriações, sem sair uma cota de água – foto: Ione Moreno

Antigos ou recentes, em estilo clássico ou moderno, chafarizes em Manaus são monumentos públicos praticamente inúteis. Não jorram água e, consequentemente, não servem à função para a qual foram construídos: decorar praças e outros locais públicos. Alguns custaram mais de R$ 2 milhões, em obra e desapropriações, sem sair uma cota de água.

É o caso do chafariz na rotatória do Parque do Mindu, no bairro Parque 10, Zona Centro-Sul de Manaus. Em forma de cilindro, a obra custou R$ 1,7 milhão em indenização a comerciantes que ocupavam o local. Foi construída na gestão do ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT), em 2012. No Complexo Turístico da praia de Ponta Negra, Zona Oeste, o chafariz foi inaugurado em 2011 também ao custo de R$ 1 milhão. A única água vista no local é a do rio Negro. Nada jorra do chafariz. Outro monumento, considerado histórico, é o do largo São Sebastiao, no Centro. Localizado em um dos principais pontos turísticos da cidade, não funciona há anos.

Manauaras ouvidos pelo EM TEMPO revelaram indignação. A universitária Paula Tavares, 24, disse que diariamente passa pelo largo São Sebastião e que nunca viu o chafariz funcionando. Situação semelhante acontece no monumento do  Paço da Liberdade, no Centro.

“Eu acredito que se o chafariz recebesse manutenção, iria deixar a praça muito mais bonita”, declarou. Já o taxista José Nogueira, 50, lembrou que esteve na Ponta Negra logo após a reinauguração. Nogueira disse ter ficado encantado com as luzes e a água do chafariz. “Faz tempo que não vejo essa fonte funcionando, mas me lembro que, quando ela ficava ligada, era muito bonita. Nesse período de fim de ano, ficaria muito bonito se o chafariz voltasse a funcionar”, disse.

Para a bancária Tatiane Monteiro, 37, Manaus deveria ter mais lugares com lagos e fontes jorrando. Ela relembrou que o chafariz da rotatória do Mindu foi alvo de vandalismo.

Adolescentes tomavam banho na fonte. “Elas são lindas e aliviam o calor, mas atualmente poucas estão de fato funcionando. Infelizmente, quem perde é a própria cidade, que fica feia e sem atrativos”, afirmou Monteiro.

O historiador Otoni Mesquita disse que a cidade em situação de abandono e os chafarizes são apenas um pequeno detalhe dessa situação. Mesquista diz que é preciso uma mudança no modelo de gestão pública, com mais preocupação com a urbanização.

“Não são só os chafarizes que estão abandonados, mas a cidade como um todo. Não há valorização das praças, dos monumentos, de nada. Também não adianta fazer a valorização de apenas uma praça por ser considerada histórica, como a do largo São Sebastiao, e deixar o resto entregue às moscas. É preciso que tenhamos bons gestores desses espaços, pessoas especialistas no assunto e que tenham verdadeiro envolvimento”, criticou.

Em nota, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informou que o chafariz da primeira etapa da Ponta Negra recebeu decoração natalina, mas ficará desativado em função dos enfeites.

Quanto ao chafariz do Mindu, o órgão explicou que no momento não tem projetos novos para recuperar a obra. Segundo o Implurb, uma série de projetos urbanos de intervenções e de melhorias em espaços públicos já estão sendo elaborados. Serão reformados o chafariz da Praça da Matriz, Praça Adalberto Valle, Praça Tenreiro Aranha. Os projetos devem ser implementados somente em 2016.

Por Michelle Freitas

1 Comment

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  1. Eduardo

    13 de dezembro de 2015 at 20:52

    COTA DE AGUA????? ou GOTA de agua…

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