Dia a dia

Bebidas puxam crescimento de 16,2% na indústria do AM em maio; mas em relação a 2015, houve queda de 6,3%

Puxada pelo setor de bebidas, a produção industrial do Amazonas registrou crescimento de 16,2% na passagem de abril para maio deste ano, sendo o resultado positivo mais expresso da industrial nacional, que teve crescimento zero, com queda em oito dos 14 locais pesquisados, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Depois de fechar abril com expressiva queda de 12,5%, o resultado de maio parece um alento para economia amazonense, mas a realidade é bem diferente já que, na comparação com o mesmo mês de 2015, houve queda de 6,3%, com oito das dez atividades pesquisadas assinalando recuo na produção.

Ainda de acordo com os dados do IBGE, o setor de bebidas registrou a principal contribuição positiva sobre o total da produção do Amazonas (23,4%) em maio, impulsionado especialmente pela maior fabricação de preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais.

Por outro lado, setores como equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-21,3%), e de outros equipamentos de transporte (-19,7%) exerceram as influências negativas mais relevantes sobre o total da indústria, pressionados, em grande parte, pela menor produção de televisores, DVD, home theater, celulares etc.; e de motocicletas e suas peças, respectivamente.

Vale ressaltar ainda o recuo vindo do setor de máquinas e equipamentos (-35,6%), explicado pela menor produção de terminais comerciais de autoatendimento e aparelhos de ar-condicionado de paredes, de janelas ou transportáveis (inclusive os do tipo ‘split system’).

Para o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o crescimento de dois dígitos em maio frente a abril é irreal, visto que apenas um setor apresentou considerável fôlego, enquanto os demais todos estão com a corda no pescoço.

“Doze milhões de pessoas perderam o emprego no Brasil e as que estão empregadas não têm certeza da permanência em seus postos. Isso retrai muito o consumo, pois as pessoas vão priorizar gêneros de primeira necessidade e não a troca do televisor ou ar condicionado”, comentou, ressaltando que, enquanto permanecer a instabilidade política e econômica no país, a indústria não apresentará sinais de melhoras.

“A retomada do crescimento não depende de nós e sim dos ânimos da política nacional, a partir do momento em que, de fato, for definida a situação do país e das medidas econômicas a serem adotadas. Agora, nós não podemos retroceder, porque a situação que aí está foi criada por um problema de gestão”, ponderou.

Por Yndira Assayag

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