Política

Barroso foge de polêmicas nos EUA e se diz ‘vítima de vazamento’

Barroso explicou que pularia toda uma parte de sua apresentação dedicada a falar sobre a barafunda política no país - foto: divulgação

Barroso explicou que pularia toda uma parte de sua apresentação dedicada a falar sobre a barafunda política no país – foto: divulgação

Duas semanas após lamentar o PMDB como ‘a alternativa de poder’ no horizonte, o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso se esquivou de novas polêmicas no evento ‘Brazil: Looking Beyond the Crisis’ (Brasil: olhando além da crise), na Escola de Direito da Universidade de Nova York (NYU), na manhã desta segunda-feira (11).

Barroso explicou que pularia toda uma parte de sua apresentação -dedicada a falar sobre a barafunda política no país- pois “tudo o que disser pode ser muito problemático”.

Ele se disse “vítima de vazamento” no dia 31 de março, quando conversou com alunos da Fundação Lemann. Na ocasião, contou que lera sobre a decisão do PMDB em desembarcar do governo Dilma Rousseff.

“[O jornal] mostrava as pessoas que erguiam as mãos, eu olhei e: meu Deus do céu! Essa é a nossa alternativa de poder”, disse então.

Dias antes, os principais jornais do país publicaram fotos que destacavam o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o senador Valdir Raupp (PDMB-RO) e o ex-ministro Eliseu Padilha (Aviação Civil), entre outros peemedebistas.

À reportagem ele afirmou que, “nas circunstâncias brasileiras atuais, mesmo em um ambiente acadêmico”, não lhe pareceu próprio “fazer uma análise da crise em curso”. “Penso que este é, para nós do Supremo, um momento de reserva e autocontenção”, disse.

Crise

Nesta segunda, em conferência organizada pelo Brazilian Legal Society (grupo de estudantes de direito da NYU), Barroso preferiu esquecer o “durante” e focar o “antes” e o “depois”.

Para ele, o Brasil vive uma crise “política, econômica e moral”, mas “não institucional”.

Na primeira parte de seu discurso, ele elogiou três décadas de solidez institucional, fortalecidas por estabilidade financeira (com FHC) e inclusão social (com Lula).

Na segunda, elencou dez soluções para o Brasil se recuperar nesta “estrada longa e tortuosa” (“The Long and Winding Road” no original, referência à música do Beatles que usou para titular sua palestra).

Barroso defendeu uma reforma política que proíba coligações em eleições majoritárias e adote o sistema distrital misto, “inspirado no modelo alemão”. Nele, metade das cadeiras da Câmara seria preenchida por voto distrital, e a outra por voto no partido.

O ministro também atacou o “preconceito e a desconfiança com a iniciativa privada”, fruto de uma cultura “dependente do Estado para tudo”.

Ele citou dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) para criticar o inchaço estatal: no Brasil teríamos 23,5 mil cargos comissionados no governo federal, em contraste com países como Alemanha (500), França (550) e Estados Unidos (9.000).

Progressista

Barroso, que também pleiteou mudanças na educação e no saneamento básico, começou a fala lembrando de suas credenciais progressistas.

Certa vez, lembrou, foi apresentado assim num evento: era o “advogado que defendeu o casamento gay” e, depois, o “ministro favorável à descriminalização da maconha”.

Como o Supremo tem na fila um processo sobre poligamia (união entre mais de duas pessoas), Barroso brincou que temia o que estava por vir.

“Bom, já sou convidado para a Parada Gay e para a Marcha da Maconha. Temo pelo tipo de evento para o qual vou ser chamado agora.”

Por Folhapress

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