Cultura

Barco ‘Ler para Crescer’ leva livros e esperança para ribeirinhos

Em 2011, o projeto se tornou um instituto e chegou a montar mais de dez espaços de leitura no Amazonas – fotos: Divulgação

De acordo com a Unesco, o brasileiro praticamente não tem o hábito de leitura. A maioria dos livros estão concentrados nas mãos de poucos. Um do motivos para isso é que o preço médio do livro é muito alto quando comparado à renda do brasileiro nas classes C, D e E. Muitos municípios brasileiros também ainda não têm bibliotecas. Por essa necessidade, surgiu o projeto do barco Ler para Crescer, do Instituto Ler para Crescer, que navega pelo rio Solimões levando conhecimento para comunidades carentes há quase uma década.

Para Katty Anne Nunes, bibliotecária e uma das coordenadoras do projeto itinerante, o objetivo é motivar a criança ao hábito da leitura, a gostar de estudar, a desejar o crescimento humano, profissional, a ser protagonista da própria história. “É tão bacana quando chegamos a essas comunidades e podemos dar um pouquinho que seja do nosso conhecimento e motivar essa nova geração a amar a leitura e os livros, é enriquecedor como ser humano”, explica a bibliotecária.

Em 2015, foi apresentada nas comunidades de Iranduba e Manaquiri a obra infantil da professora e escritora amazonense Ana Maria Peixoto “Os bichos da Amazônia” e ela também estará presente na primeira edição de 2017. A escritora é praticamente a madrinha desse projeto. “Poder levar as histórias infantis que eu crio para a criançada que não tem acesso a isso é realmente inspirador”, conta a escritora.

O projeto funciona com ajuda de voluntários, bibliotecários ou não. Quando a equipe vai a essas comunidades, leva não só livros, mas também show de palhaços, atividades de desenho, mediação de leitura, apresentação de fantoches, reunião com as mulheres e até palestra sobre cidadania. “Os voluntários trocam de funções quando necessário, uma vez cozinheiros, ora palhaços, ou atores disfarçados de macaco, onça ou jacaré, lavando louça ou pintando o cantinho da leitura”, explica a coordenadora do projeto.

O projeto faz parte do Instituto Ler Para Crescer, com quase 10 anos de existência

No mês de maio, os voluntários retomarão as atividades e vão partir para novas comunidades, por isso Katty ressalta que é importante ter pessoas que possam doar seu tempo e não apenas livros. “É essencial a participação das pessoas que possam dar um pouco do tempo que seja para ajudar nas atividades do barco”.

Quem quiser contribuir para o fortalecimento desse trabalho, pode entrar em contado via Facebook na página do projeto Instituto Ler para Crescer Amazônia ou entrar em contato pelo número: (92) 993451063.

O programa conquistou o interior do Estado

Instituto Ler para Crescer

Em 2005, a advogada Elaine Santo Elamid mudou de bairro em Manaus e assim que conheceu a comunidade Colônia Terra Nova, percebeu que muitas crianças não sabiam ler e escrever. Inspirada pelas ideias do educador Paulo Freire, ela decidiu incentivar os pequenos moradores do bairro a ler. “Queria que eles tivessem um lugar onde pudessem brincar, aprender e sonhar”, explica Elaine. Em agosto de 2006, montou uma biblioteca e brinquedoteca em uma antiga igrejinha do bairro. Com a doação de livros e brinquedos e muita força de vontade, Elaine criou então o primeiro espaço do projeto Ler para Crescer Amazônia e passou a receber cerca de 40 crianças aos domingos para contação de histórias e brincadeiras educativas.

Em 2011, o projeto se tornou um instituto e chegou a montar mais de dez espaços de leitura no Amazonas. Hoje, com a ajuda do marido e de cerca de 30 voluntários, ela mantém três espaços na capital e três no interior de Estado e, desde 2014, leva também livros e histórias para moradores de comunidades ribeirinhas com a expedição do barco Ler para Crescer – um barco alugado repleto de livros que navega com 15 voluntários até as populações mais carente. “Em alguns fins de semana, chegamos a visitar até cinco comunidades, impactando mais de 250 pessoas”, conta Elaine com a empolgação e energia de quem ainda tem muito a fazer.

Histórias contadas trazem alegria às crianças

Dia Nacional do Livro Infantil

Hoje é comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil. A data não foi escolhida por acaso: trata-se de uma homenagem a Monteiro Lobato, escritor que se dedicou à literatura infantil no Brasil. O Dia Nacional do Livro Infantil foi instituído em 2002.

Monteiro Lobato foi um escritor vinculado ao pré-modernismo brasileiro que contribuiu com obras célebres para o público infantojuvenil. Sua primeira história infantil, “A menina do narizinho arrebitado”, foi publicada em 1920, e o sucesso do livro fez com que outros tantos surgissem, imortalizando as personagens do “Sítio do Picapau Amarelo”.

Bruna Chagas
EM TEMPO

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