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Balsas estão abandonadas no porto de São Raimundo

Ancoradas em uma parte do porto de São Raimundo, embarcações antes utilizadas no transporte de passageiros e veículos estão virando sucata com o passar do tempo, mas devem ser levadas a leilão pelo Estado – foto: Marcio Melo

Ancoradas em uma parte do porto de São Raimundo, embarcações antes utilizadas no transporte de passageiros e veículos estão virando sucata com o passar do tempo, mas devem ser levadas a leilão pelo Estado – foto: Marcio Melo

Há mais de 5 anos, quatro balsas que faziam a travessia de carros e passageiros do porto de São Raimundo, no bairro de mesmo nome, na Zona Oeste, para o distrito de Cacau-Pirêra em Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus), além de outras áreas, estão paradas na orla de Manaus. As embarcações ficaram desativadas após a inauguração da ponte Rio Negro, pertencem ao governo do Estado e são administradas pela Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas (SNPH).

No total, são seis embarcações, das quais quatro estão paradas e duas foram doadas para as prefeituras do município de Manicoré e Autazes. Na orla do São Raimundo, as maiores embarcações, com capacidade para transportar 60 carros, estão apodrecendo à beira do rio, entre elas estão a Cacau-Pirêra, a Iranduba, a Bacurau, a Boto Navegador 1 e 2, além da Rio Solimões.

Conforme informações de um ex-funcionário de uma das balsas, que preferiu não se identificar, as embarcações estão sendo administradas por uma empresa terceirizada. “Essas balsas serão leiloadas dentro de poucos dias. Elas estão abandonadas e também já foram retiradas as máquinas, os motores, e os compressores. Quando a ponte (Rio Negro) foi entregue, as coisas começaram a sumir. Peças gigantes, holofotes, desapareceram. O correto é que as balsas eram para ter sido levadas para a travessia do porto da Ceasa”, avalia.

De acordo com o funcionário da SNPH, Juscelino da Costa, três balsas estão operando, e fazem a travessia de Autazes para Nova Olinda. Segundo ele, outra delas faz o percurso do Cacau-Pirêra para Iranduba, e uma terceira foi cedida para a Prefeitura de Manicoré.

As balsas que estão paradas precisam de uma intervenção maior. Existe até uma proposta para que elas sejam leiloadas, as duas maiores que operavam na travessia do São Raimundo. “Elas são do governo, foram incorporadas ao SNPH, nos últimos dias de travessia, estavam praticamente inviáveis operar por serem balsas antigas, com alto custo de manutenção e quebravam bastante. Eram balsas que tinham capacidade de levar até 60 carros, mas hoje são embarcações obsoletas, hidráulicas. Atualmente é mais viável termos uma balsa que é empurrada”, afirma

De acordo Juscelino, as embarcações continuam flutuando e existe uma equipe de funcionários que toma conta das embarcações para que não fiquem encalhadas. “A Marinha não permite que elas encalhem. Temos uma equipe tirando água, fazendo vistoria diária, limpeza e manutenção”, observa.

Lixo

No local onde as balsas estão ancoradas é possível encontrar água parada em pneus que ancoram as embarcações, e são propícios para a reprodução do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus, o Aedes aegypti. Funcionários que trabalham ao lado das barcaças paradas reclamam que há muito tempo o “ferro velho” não sai do lugar.

“De vez em quando a gente vê funcionários andando aí por dentro, mas eles deveriam se desfazer dessas balsas pois atrapalham o movimento do porto, não permitem que outros barcos ancorem na beira do rio”, afirma Antônio Sérgio Silva, funcionário de uma metalúrgica da área.

Embarcações serão leiloadas

Conforme explicações do diretor-presidente da SNPH, Walfrido Neto, após a paralisação das atividades da travessia entre o porto de São Raimundo e o Cacau–Pirêra, com a inauguração da ponte Rio Negro, o governo do Estado tinha seis balsas. Três foram conveniadas com municípios do interior e outras três ficaram fora de operação no porto do São Raimundo, que são a Rio Solimões e a Boto Navegador 1 e 2. Estas três continuam sob a responsabilidade do Estado e estão sendo cuidadas diariamente.

“As balsas estão fora de operação apenas. Temos uma equipe que reversa todos os dias fazendo a manutenção, tirando água do porão. Destas, a Rio Solimões está prestes a ser conveniada com a cidade de Uricurituba, falta apenas a prefeitura do município enviar a documentação.  As Botos 1 e 2 continuam fora de operação, mas por pouco tempo. Em contato com o governador José Melo, ficou acordado que as balsas serão leiloadas. Levando em conta que o governo não tem condições, no momento de arcar com a reforma.  Até que o processo de leilão seja concluído, as balsas continuarão sendo cuidadas”, esclarece Walfrido.

 

Por Stênio Urbano e Joandres Xavier

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