Dia a dia

Baleados e presos em Novo Airão, pescadores estão há uma semana com projéteis alojados, dizem familiares

parquejau-repdofacebook

O Parque Nacional do Jaú é uma área de preservação permanente, localizada próximo aos municípios de Barcelos e Novo Airão – foto: reprodução/Facebook

Flagrados pescando ilegalmente no Parque Nacional do Jau, ente as cidades de Novo Airão e Barcelos, Wilson Sobrinho da Silva, 42, e Edenilson Aguiar Cardeal, 22, tio e sobrinho, foram baleados por seguranças da reserva no último dia 21de setembro e estão, segundo denúncia da família, há uma semana presos na carceragem do primeiro município e com os projéteis alojados em seus corpos, sem quaisquer atendimentos médico.


Esposa de Wilson, a dona de casa Joquebete Azevedo, 40, contou ao EM TEMPO Online que o marido foi alvejado com, pelo menos, 25 tiros de espingarda e, até o momento, não recebeu auxílio médico para a retirada dos artefatos cravados em diversas partes do seu corpo. Já o sobrinho dela, Edenilson, foi atingido com cinco tiros de revólver calibre 38, que também ainda não foram retirados.

“Eles precisam urgente de cuidados médicos. Nós reconhecemos que a ação de pesca na reserva foi ilegal, mas eles não mereciam passar por esse sofrimento. Gostaríamos que eles fossem encaminhados para tratamento, pois permanecem presos na delegacia sem assistência. Toda a família está em desespero”, informou a dona de casa.

De acordo com a mãe de Edenilson, Ida Gomes, 39, o filho apresenta sintomas de febre, dores no corpo e estaria vomitando sangue. “Meu filho tenta não demostrar fraqueza, mas para quem tem cinco balas alojadas no corpo não é fácil fingir que está tudo bem. Ele é pai de um menino de sete meses e também ajuda a criar mais três crianças, sendo duas meninas, uma de 12 e outra de 10 anos, e um menino de sete anos, que a companheira dele tem de outro casamento”, disse Ida.

Ainda segundo Ida, a situação gera transtorno psicológico nas crianças, que choram todas as noites antes de dormir, perguntando onde o pai está. “Para elas, ainda é mais difícil entender o que se passa. A gente diz que o Edenilson saiu para trabalhar, mas essa história não vai durar muito tempo e o sofrimento só aumenta”, contou.

Joquebete afirma ainda que o advogado da família já entrou com pedido na comarca do município para que os pescadores possam ser transferidos para Manaus e realizar os procedimentos médicos para a remoção dos projéteis.

“O juiz titular da região, Celso Souza de Paula, já autorizou, na última segunda-feira (26), a transferência para o Hospital 28 de Agosto, mas a determinação não foi cumprida por falta de transporte. Só tem uma ambulância para atendimento da população no município e o delegado responsável pelo caso não autorizou que policiais façam a remoção dos presos, pois, de acordo com ele, falta efetivo policial na unidade para o procedimento”, denunciou a dona de casa.

Por meio de nota, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) confirmou o que a esposa de Wilson falou à reportagem do EM TEMPO Online. De acordo com o Tribunal, o juiz Celso Souza de Paula realmente determinou que os dois pescadores fossem “recambiadas para tratamento médico na capital, devendo retornar ao município de Novo Airão, após melhora do quadro, na condição presos preventivos, até posterior determinação”. A nota aponta que a decisão foi oficializada à delegacia do município no último dia 26.

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil informou, por meio de nota, que o titular da 77ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP), Glaucio Oliveira de Souza, confirmou a ocorrência na madrugada do dia 21, por volta de 4h, mas esclareceu que houve troca de tiros entre os pescadores e os vigilantes da reserva.

“Na ocasião, policiais militares lotados no 6ª Grupamento da Polícia Militar (GPM) do município receberam denúncias de que, no local do fato, havia um vigilante do parque alvejado com tiros de arma de fogo pelos autores, que teriam invadido a terra de preservação e tentaram sair do lugar com vários peixes, como pirarucu e alguns quelônios”.

A nota informa ainda que a equipe do 6º GPM foi ao local, a cerca de três horas de viagem, e abordou a embarcação em que estavam os pescadores Edenilson e Wilson, sendo constatado os ferimentos provocados por tiro de espingarda de pressão carregada com chumbinho.

“Os dois confessaram que trocaram tiro com o vigilante do Parque Jau e receberam voz de prisão. Eles fugiram do local levando as armas e o material de pesca proibido. Em seguida o vigilante, que também estava ferido, reconheceu a dupla”, seguiu explicando a nota da PC.

Também conforme a nota, a vítima e os autores foram encaminhados para atendimento médico na cidade de Novo Airão, onde os infratores foram apresentados à autoridade policial.

Segundo o delegado Glaucio, a transferência dos presos é de atribuição da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) e a unidade policial está aguardando uma resposta. A nota informa ainda que os pescadores são levados para atendimento médico sempre que relatam alguma situação em relação à saúde.
Por Isac Sharlon

1 Comment

1 Comment

  1. Ana

    4 de outubro de 2016 at 10:20

    Prezados,
    Gostaria de entrar em contato com o Em Tempo para que possamos REescrever esta notícia pois grande parte dela é inverídica e distorcida ok.
    aguardo contato

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir